Homem portador de cirrose hepática, é internado por apresent...

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Q2418852 Medicina

Homem portador de cirrose hepática, é internado por apresentar febre, dor abdominal, desorientação com agitação importante, sendo contido no leito.

Familiares relatam que o paciente foi submetido a paracentese de alívio há 10 dias, mas não souberam dizer o resultado. Relatam que o paciente vem emagrecendo e com dispneia aos esforços. Nova paracentese foi realizada e o resultado do líquido ascítico é o seguinte: gradiente soro-ascite (Gaza), <1.1, celularidade com 1000 leucócitos e 80% de linfócitos, desidrogenase lática elevada.

Assinale a opção que indica a possibilidade etiológica mais provável.

Alternativas

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Tema central da questão: O foco é a avaliação do líquido ascítico em paciente cirrótico com quadro clínico infeccioso e sintomas neurológicos, utilizando o Gradiente Soro-Ascite de Albumina (GASA), contagem diferencial de leucócitos e exames complementares, fundamentais para diferenciar etiologias variadas de ascite.

Justificativa da alternativa correta (D): O GASA < 1,1 g/dL indica ascite não relacionada à hipertensão portal. A presença de predomínio de linfócitos (80%) e LDH elevada no líquido ascítico são típicos de tuberculose peritoneal. Clinicamente, o paciente apresenta febre, dor abdominal e manifestações sistêmicas, quadro compatível com a doença. Conforme destacado no “Harrison’s Principles of Internal Medicine”: “Na tuberculose peritoneal, o líquido ascítico apresenta predomínio de linfócitos e GASA baixo.” (cap. 182).

Diretrizes clínicas: Segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Hepatologia e do Ministério da Saúde, sempre que houver suspeita de infecção peritoneal não típica, devem ser considerados diagnósticos como tuberculose, especialmente diante de predomínio linfocitário e GASA baixo (Manual de Diagnóstico e Tratamento das Ascites, pág. 66).

Análise das alternativas incorretas:

A) Peritonite bacteriana secundária: Geralmente cursa com GASA elevado (>1,1), predomínio de neutrófilos e sinais de perfuração visceral, o que não se aplica ao caso descrito.

B) Peritonite esclerosante primária: Entidade rara, de características clínicas e laboratoriais distintas; além disso, não apresenta achados compatíveis com linfocitose e GASA baixo.

C) Peritonite bacteriana espontânea: Espera-se predomínio de neutrófilos no líquido, não linfócitos; além disso, circunda geralmente GASA elevado, visto em cirrose.

E) Insuficiência cardíaca descompensada: A ascite é secundária à hipertensão portal, caracterizando GASA >1,1, típicamente com transudato e ausência de sintomas infecciosos importantes.

Pontos de atenção: O diferencial entre linfocitose x neutrofilia no líquido é essencial e frequentemente explorado em provas. Fique atento também ao valor do GASA para raciocínio diagnóstico e evite distrações com o antecedente de cirrose, pois outros diagnósticos podem coexistir.

Mensagem final: Familiarize-se com a interpretação do líquido ascítico e aplique sempre o raciocínio epidemiológico aliado a critérios laboratoriais. Isso o diferenciará na resolução de questões clínicas em concursos.

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