Seriam onze horas da manhã. O Campos, segundo o
costume, acabava de descer do almoço e, a pena atrás da
orelha, o lenço por dentro do colarinho, dispunha-se a
prosseguir no trabalho interrompido pouco antes. Entrou
no seu escritório e foi sentar-se à mesa. Defronte dele,
com uma gravidade oficial, empilhavam-se grandes livros
de escrituração mercantil. Ao lado, uma prensa de copiar,
um copo d’água, sujo de pó, e um pincel chato; mais
adiante, sobre um mocho de madeira preta, muito alto, viase o Diário deitado de costas e aberto de par em
par.Tratava-se de fazer a correspondência para o Norte.
Mal, porém, dava começo a uma nova carta, lançando
cuidadosamente no papel a sua bonita letra, desenhada e
grande, quando foi interrompido por um rapaz, que da
porta do escritório lhe perguntou se podia falar com o Sr.
Luís Batista de Campos.
— Tenha a bondade de entrar, disse este. O rapaz
aproximou-se das grades de cedro polido, que o
separavam do comerciante. Era de vinte anos, tipo do
Norte, franzino, amornado, pescoço estreito, cabelos
crespos e olhos vivos e penetrantes, se bem que alterados
por um leve estrabismo.— Desejo entregar esta carta,
disse o rapaz, atrapalhado, sem conseguir tirar da algibeira
um grosso maço de papéis que levava.
Autor: Aluízio de Azevedo. Trecho extraído e adaptado da
obra Casa de Pensão.
De acordo com o trecho, qual era a ocupação que Luís
Batista de Campos exercia?
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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