No texto, o eu poético

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Q3506279 Português
Texto 3

Verdade


A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade
Voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. São Paulo: Companhia das Letras,
2015. p. 29
No texto, o eu poético
Alternativas

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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto Poético

Tema central: Nesta questão de interpretação de texto (com foco em poesia), o candidato deve identificar a ideia principal do poema e compreender o simbolismo que envolve a busca pela verdade. Pela norma-padrão, a análise parte da leitura cuidadosa dos versos, observando-se a linguagem conotativa predominante neste gênero.

Justificativa da alternativa correta (A):

O poema usa a metáfora da “porta” e das “meias pessoas” para mostrar que cada indivíduo só acessa uma parte da verdade. A própria porta da verdade só permite “meia pessoa de cada vez”, ou seja, o conhecimento da verdade é sempre parcial e segmentado. As “meias verdades” nunca coincidem totalmente, e ao final conclui-se que a verdade é composta de múltiplas perspectivas. Portanto, não é possível definir a verdade sem considerar sua multiplicidade. Esta estratégia de interpretação é reforçada por Bechara (2009): “No texto poético, a utilização da metáfora funciona como chave para decifrar sentidos implícitos.”

Elementos-chave do texto: expressões como “meia pessoa”, “meia verdade”, “metades diferentes” são indicativos diretos da fragmentação da verdade, evidenciando a tese da multiplicidade.

Análise das alternativas incorretas:

B) “Apoia a busca incessante e beligerante do ser humano por uma definição única da verdade.” – Erro: o texto mostra que, mesmo após tentar “arrebentar a porta”, ou seja, em busca de uma verdade única, só encontra diferenças e parcialidades. Não há apoio à ideia beligerante ou de unicidade.

C) “Sugere que a natureza da verdade seja concebida de modo objetivo e científico.” – Erro: O poema trabalha com subjetividade e multiplicidade, nunca com objetividade ou análise científica. Essa leitura ignora a essência conotativa do texto.

D) “Critica o ser humano por geralmente conceber a verdade a partir de uma visão unilateral.” – Parcialmente correto, mas incompleto: o foco do texto está em mostrar a impossibilidade da verdade total, e não em criticar uma postura humana específica.

Estratégias para provas: Fique atento às palavras que indicam nuances de significados (como “meia”, “metade”, “perfil”) e fuja de alternativas demasiado limitadoras ou absolutas. Releia sempre com atenção os versos simbólicos.

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Comentários

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A alternativa correta é:

✅ A — acena para a impossibilidade de se definir a verdade sem considerar sua multiplicidade.

Fundamentação:

O poema de Carlos Drummond de Andrade utiliza uma metáfora (a porta da verdade que só deixa passar meia pessoa) para mostrar que ninguém acessa a verdade por completo sozinho. Cada pessoa vê apenas uma parte, um perfil, uma meia verdade. E mesmo quando todos tentam ver a verdade inteira (arrebentando a porta), enxergam metades diferentes e não há consenso.

Isso reflete que:

  • A verdade é múltipla, complexa, subjetiva;
  • Cada um vê com suas limitações, ilusões e perspectivas;
  • Portanto, não há uma única ou absoluta verdade acessível a todos.

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Questão de compreensão textual:

" E carecia optar. Cada um optou conforme

seu capricho, sua ilusão, sua miopia."

1ª estrofe = a verdade é dividida

2ª = uma de cada vez

Gabarito: A

Alternativa A

O poema indica que a verdade não pode ser compreendida de forma plena e única, pois cada indivíduo acessa apenas uma parte dela. A imagem das “meias pessoas” e das “metades diferentes” mostra que a verdade se manifesta de forma múltipla e fragmentada, exigindo a consideração de diferentes perspectivas para sua compreensão.

Alternativa B

O texto não valoriza nem legitima uma busca agressiva ou beligerante por uma definição única da verdade. Quando a porta é arrebentada, a verdade continua dividida, o que evidencia o fracasso dessa tentativa.

Alternativa C

Não há defesa de uma concepção objetiva ou científica da verdade. A abordagem é simbólica e poética, destacando limites humanos, percepções parciais e subjetividade.

Alternativa D

Embora o poema mostre visões parciais, o foco não está em censurar moralmente o ser humano, mas em evidenciar que a verdade, por sua própria natureza, apresenta-se múltipla e não redutível a um único ponto de vista.

Odeio está banca sempre deixa dúvidas em 2 questões e marco a errada, na prova vou escolher a opção contrária kkkkkk, rindo para não chorar kkkkkkkk.

foque nos verbos de ação das alternativas, em nenhum momento o eu lírico apoiou ou criticou algo, então ficou fácil achar a resposta por eliminação

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