No trecho “Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são os...

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Q3506274 Português
Texto 1

Nossa ideia da verdade foi construída ao longo dos séculos, a partir de três concepções diferentes, vindas da língua grega, da latina e da hebraica.

Em grego, verdade se diz aletheia, significando não-oculto, não dissimulado. O verdadeiro é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito; a verdade é a manifestação daquilo que é ou existe tal como é. O verdadeiro se opõe ao falso, pseudos, o escondido, o dissimulado, o que parece ser e não é como parece. O verdadeiro é o plenamente visível à razão.

Em latim, verdade se diz veritas e se refere à precisão, ao rigor e à exatidão de um relato, no qual se diz com pormenores e fidelidade o que aconteceu. Verdadeiro se refere, portanto, a enunciados que dizem fielmente as coisas tais como foram ou aconteceram. Um relato é veraz ou dotado de veracidade quando a linguagem enuncia os fatos reais.

Em hebraico, verdade se diz emunah e significa confiança. Agora são as pessoas e é Deus quem são verdadeiros. Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são os que cumprem o que prometem, são fiéis à palavra dada ou a um pacto feito; enfim, não traem a confiança.

A nossa concepção da verdade é uma síntese dessas três fontes e por isso se refere às coisas presentes, aos fatos passados, à própria realidade, à linguagem e à confiança-esperança.

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática. p. 123. [Adaptado]
No trecho “Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são os que cumprem o que prometem, são fiéis à palavra dada ou a um pacto feito; enfim, não traem a confiança”, a oração coordenada apresenta uma 
Alternativas

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Questão comentada – Sintaxe: orações coordenadas sindéticas conclusivas

Tema central: Reconhecimento de oração coordenada sindética conclusiva. A banca avalia sua capacidade de interpretar como determinadas orações sintetizam e encerram raciocínios, a partir do emprego de conectivos e da estrutura sintática.

Justificativa da alternativa correta (B):

No trecho analisado, o termo “enfim” introduz a oração final: “enfim, não traem a confiança”. Pela norma-padrão, enfim atua como conjunção conclusiva, fechando e resumindo, em tom de síntese, as características relatadas anteriormente sobre “um Deus ou amigo verdadeiro”. Assim, é uma oração coordenada sindética conclusiva, que encaminha o encerramento lógico do que foi apresentado, conforme ensinam Cunha & Cintra (2013) e Bechara.

Por exemplo, em “Estudou muito; assim, foi aprovado”, “assim” cumpre papel semelhante.

Alternativa B – Correta: Conclusão com vistas ao encerramento da série de eventos citados. A estrutura é tipicamente conclusiva, pois “enfim” sintetiza os pontos anteriores.


Análise das alternativas incorretas:

A) Possibilidade de ocorrência: Incorreta. A oração não expressa possibilidade ou sugestão de ação – ela apenas resume o que foi afirmado.

C) Consequência: Embora oração conclusiva e consequencial pareçam similares, “enfim” denota conclusão (encerramento/síntese), não consequência fática.

D) Explicação: Errado. Oração explicativa utiliza “porque”, “pois”, “que”. Aqui, não se traz uma justificativa, mas uma conclusão das ideias já expostas.


Dica para provas: Atenção aos conectivos! “Enfim”, “portanto”, “logo”, “assim” costumam introduzir conclusão, enquanto explicações são marcadas por “pois” ou “porque”. Lembre-se: nem toda “consequência” é “conclusão”!

Referências: Cunha & Cintra, Nova Gramática. Bechara, Moderna Gramática Portuguesa. Ambos reforçam a classificação do conectivo “enfim” como conclusivo.

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Comentários

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GAB.B

ENFIM indica conclusão, síntese, fechamento de ideia.

OTIMOS ESTUDOS!

Enfim: em conclusão, por fim, por último, afinal.

RUMO À PMVG 2025.

Resposta correta: letra B

A expressão “enfim” é um conector típico de conclusão. Ela retoma as ideias anteriores e as resume, encerrando a enumeração das características de um “Deus verdadeiro” ou de um “amigo verdadeiro”. Assim, a oração “não traem a confiança” funciona como uma síntese final de tudo o que foi dito antes.

❌ Explicação das alternativas incorretas

A) possibilidade de ocorrência de uma ação entre as dadas no trecho.

Incorreta. A ideia de possibilidade costuma ser marcada por conectivos como talvez, ou, quem sabe. No trecho, não há hipótese ou alternativa possível, mas afirmações categóricas.

C) consequência dos eventos e predicados verbais citados anteriormente.

Incorreta. A consequência indica um efeito direto de algo anterior, geralmente introduzido por logo, portanto, por isso. No texto, “não traem a confiança” não é um efeito, mas um resumo conclusivo das qualidades citadas.

D) explicação para tornar evidente a natureza de um dos eventos mencionados.

Incorreta. Orações explicativas costumam esclarecer um termo específico, com conectivos como pois, porque, isto é. O trecho não explica um fato isolado, mas conclui a enumeração.

✔️ Conclusão:

A oração coordenada introduzida por “enfim” tem valor conclusivo, encerrando e sintetizando as ideias anteriores — por isso, a alternativa correta é B.

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