A figura de linguagem predominante em “À porta do meu pé de...
Texto para responder à questão.
Restos de Carnaval
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Tema central: A questão aborda figuras de linguagem, exigindo do candidato a capacidade de identificar, por interpretação textual e conhecimento gramatical, qual delas está presente no trecho “À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo”.
Justificativa da alternativa correta (C – catacrese):
A catacrese é a figura de linguagem em que se usa um termo fora do seu sentido próprio por falta de um nome específico para determinada parte ou situação. Como explicam Bechara, Cunha & Cintra, a catacrese é uma metáfora cristalizada, tão comum que já não causa estranheza, como em: “pé da mesa”, “cabeça do prego” ou, neste caso, “pé de escada”. No trecho citado, “pé” não indica propriamente um pé humano, mas a parte inferior da escada, expressando exatamente a ideia de catacrese. É esse o diferencial para acertar: identificar o uso figurado já absorvido pelo vocabulário padrão.
Análise das alternativas incorretas:
A) Pleonasmo: Ocorre quando há repetição de sentido com objetivos estilísticos (“subir para cima”). No trecho, não há repetição, logo não se aplica.
B) Prosopopeia: Caracteriza-se por dar qualidade de seres animados a seres inanimados (“O vento sussurrou”). Não há atribuição de ação humana a objetos na frase analisada.
D) Eufemismo: Consiste em suavizar uma expressão dura (“passou desta para melhor”). No contexto, não há suavização de ideia.
E) Metonímia: É a substituição de um termo por outro com relação de proximidade (“ler Machado de Assis” em vez de “ler a obra de Machado de Assis”). “Pé de escada” não representa metonímia, mas sim uma substituição por inexistência de termo próprio.
Estrategicamente, em questões de figuras de linguagem, atente-se a expressões do cotidiano e escolha com base na precisão do conceito. “Pé de escada”, “braço da cadeira”, “asa da xícara” são sempre exemplos clássicos de catacrese.
Resumo: O acerto aqui depende da associação de sentido figurado e consagrado pelo uso, sem criar efeitos de novidade no texto, mas atendendo à necessidade de nomear aquilo que a língua não nomeou de forma literal.
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GABARITO : C
Em palavras breves, as figuras de linguagem são recursos expressivos utilizados com objetivo de gerar efeitos no discurso. Dentro do extenso grupo em que se arrolam esses recursos, existem quatro subdivisões: figura de palavra, figura de construção, figura de sintaxe e figura de som.
Leiamos a frase:
“À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo.”
Na frase acima, há metáfora desgastada pelo uso à qual se recorre na falta de um termo específico ou em virtude do esquecimento deste. Dá-se o nome de catacrese. Exs.: embarcar num trem, azulejos verdes, enterrar farpa no dedo, calçar as luvas
a) pleonasmo.
Incorreto. É o emprego de palavras desnecessárias ao sentido. Há dois tipos: um a que se chama de vicioso, decorrente da ignorância da significação das palavras (p.ex. decapitar a cabeça, tornar a repetir, encarar de frente), e o literário, que serve à ênfase, ao vigor da expressão. Exs.:
“Era como se todo o mundo que ele pisara com os pés, que vira com os seus olhos, que pegara com as suas mãos, se perdesse num instante.” (José Lins do Rego)
“Meteram-me a mim e a mais trezentos companheiros (...) no estreito e infecto porão de um navio.” (Maria Firmina dos Reis)
b) prosopopeia.
Incorreto. É a atribuição de ações, qualidades ou sentimentos humanos a seres inanimados. Também é utilizada para emprestar vida e ação, não necessariamente humanas, a seres inanimados. Exs.:
“O carrinho tem pouco serviço e passa mor parte do tempo no depósito.” (Monteiro Lobato)
“Os sinos chamam para o amor.” (Mario Quintana);
“(...) o sol, no poente, abre tapeçarias...” (Cruz e Sousa);
“Um frio inteligente (...) percorria o jardim...” (Clarice Lispector)
c) catacrese.
Correto. Vide detalhamento acima;
d) eufemismo.
Incorreto. É o emprego de uma palavra ou expressão branda para se evitar o teor desagradável da mensagem. Ex.: “Agora que o meu pobre amigo jaz a dormir o derradeiro sono.” (Monteiro Lobato)
e) metonímia.
Incorreto. São relações reais de ordem qualitativa que levam a empregar metonimicamente uma palavra por outra, a designar uma coisa com o nome de outra. Ex.: ler Machado de Assis (o livro de Machado de Assis), beber o copo de cachaça (beber a cachaça).
Letra C
Catacrese: normalmente se usa quando não há uma palavra (ou não é uma palavra muito conhecida) apropriada para indicar determinada coisa. Exemplos: a asa da xícara, o pé da mesa, o braço do sofá...
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