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Q3908571 Português
A conexão primordial


A comunicação fundamenta as relações humanas, transmite sentimentos, experiências e conhecimentos, permitindo ao indivíduo compreender a si mesmo e ao mundo. Desde a Grécia Antiga, o diálogo ocupa lugar central na construção das ideias, como demonstram os métodos filosóficos baseados na palavra, na escuta e na reflexão coletiva.

Na educação, o pensamento de Paulo Freire reafirma o diálogo como prática transformadora, capaz de construir sentidos e promover consciência crítica. No entanto, em uma sociedade marcada pela superexposição e pela comunicação mediada por tecnologias, a linguagem tende a se esvaziar, tornando as interações mais rápidas, superficiais e individualizadas.

O diálogo exige presença, referências físicas e envolvimento emocional, pois olhar, escutar e sentir são dimensões essenciais da experiência humana. Valorizar a conversa, as vivências compartilhadas e as relações comunitárias significa reconhecer o diálogo como ato ético, estético e transformador, capaz de fortalecer vínculos, promover a fraternidade e projetar um futuro mais humano e solidário.


Texto Adaptado


GEDEON, Leo. A conexão primordial. A Folha Torres, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://afolhatorres.com.br/colunas/a-conexao-primordial/ . Acesso em: 18 jan. 2026.
Com base no texto, assinale a alternativa que interpreta corretamente a tese central e a relação entre presença, tecnologia e dimensão ética do diálogo:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo está na articulação entre o trecho que critica o esvaziamento da linguagem sob mediação tecnológica e o trecho que define as condições do diálogo autêntico: "No entanto, em uma sociedade marcada pela superexposição e pela comunicação mediada por tecnologias, a linguagem tende a se esvaziar, tornando as interações mais rápidas, superficiais e individualizadas. O diálogo exige presença, referências físicas e envolvimento emocional, pois olhar, escutar e sentir são dimensões essenciais da experiência humana. Valorizar a conversa, as vivências compartilhadas e as relações comunitárias significa reconhecer o diálogo como ato ético, estético e transformador". Esse encadeamento invalida as alternativas que absolutizam, reduzem ou invertem a tese do texto.

Tema central: tese central do diálogo
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por inverter a valoração do texto. As interações "mais rápidas, superficiais e individualizadas" aparecem como efeito problemático do esvaziamento da linguagem, introduzido pelo contraste de "No entanto", e não como progresso do diálogo. Também contraria o vínculo que o texto estabelece entre diálogo, vivências compartilhadas e relações comunitárias.
B
Errada
A alternativa incorre em absolutização indevida. O texto afirma que a linguagem "tende a se esvaziar" em uma sociedade marcada pela comunicação mediada por tecnologias; isso expressa tendência crítica, não impossibilidade total. Não há no texto afirmação de que tecnologias inviabilizam o diálogo "em qualquer forma" nem de que interações digitais não comportam criticidade ou vínculos sociais.
C
Errada
A alternativa reduz o diálogo a afeto privado, mas o texto lhe atribui alcance mais amplo: reflexão coletiva, construção de sentidos, consciência crítica, vivências compartilhadas e transformação. O trecho sobre "olhar, escutar e sentir" não elimina referências partilhadas; ao contrário, vem ligado a "presença, referências físicas e envolvimento emocional" e culmina nas "relações comunitárias" e no caráter "ético, estético e transformador" do diálogo.
D
Certa
A alternativa D está correta porque associa, de modo compatível com o texto, presença sensível e vivência comum à dimensão ética, estética e transformadora do diálogo. Isso corresponde aos trechos que exigem "presença, referências físicas e envolvimento emocional", destacam que "olhar, escutar e sentir" são essenciais e concluem que valorizar "a conversa, as vivências compartilhadas e as relações comunitárias" é reconhecer o diálogo como "ato ético, estético e transformador". A formulação final sobre resistência ao esvaziamento tecnológico também se ajusta ao contraste estabelecido pelo texto entre o diálogo pleno e as interações mediadas por tecnologias.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler a crítica à comunicação mediada por tecnologias como condenação absoluta de toda interação digital e, ao mesmo tempo, isolar "olhar, escutar e sentir" como se o texto defendesse apenas um sentimentalismo privado, quando ele afirma também criticidade, vivência comum e transformação.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão de tese central, procure a alternativa que preserve simultaneamente todos os eixos do texto, sem elogiar o que o autor critica nem radicalizar o que o autor apenas problematiza.
  • Observe conectivos de contraste, como "No entanto": eles costumam marcar a posição efetiva do texto diante do tema.
  • Desconfie de alternativas com palavras absolutas como "qualquer", "sempre" e "não comportam" quando o texto trabalha com tendência, contexto ou gradação.

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