Em relação ao emprego dos tempos e modos verbais, analise a...

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Ano: 2009 Banca: AOCP Órgão: DESENBAHIA Prova: AOCP - 2009 - DESENBAHIA - Advogado |
Q544341 Português

Obrigado, Tarso Genro

O ministro dá refúgio a terrorista condenado, cria terremoto diplomático e é acusado de agir movido só por ideologia – mas pode ter tido boas razões 

A decisão do titular da Justiça, Tarso Genro, de conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti abriu uma fenda diplomática nas relações do Brasil com a Itália e empurrou o ministro para o paredão: Tarso, metralharam seus críticos, teria se precipitado e tomado a decisão com base em simpatias ideológicas. Faz sentido. Battisti foi condenado em seu país à prisão perpétua pela morte de quatro pessoas quando encabeçava um grupo extremista de esquerda, os Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Ao recusar-se a extraditá-lo para a Itália como criminoso, optando por abrigá-lo no Brasil na condição de perseguido político, Tarso Genro dispensou o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e contrariou dois pareceres, ambos emitidos por órgãos técnicos e insuspeitos: o Comitê Nacional para os Refugiados e a Procuradoria-Geral da República. Além disso, o ministro já havia dado mostras recentes de que, se ninguém o segura, ele se deixa facilmente levar pelo caminho obscuro das convicções esquerdistas. Em outubro, ele propôs a revisão da Lei da Anistia com o intuito de punir torturadores do regime militar, um surto de revanchismo e inoportunidade que provocou reações até mesmo dentro do governo. Tarso só recuou depois de um puxão de orelhas dado pelo presidente Lula. Tudo isso somado contribuiu para que se concluísse que a concessão do refúgio ao italiano foi mais uma das reações ideológicas automáticas do ministro. Nesse caso, no entanto, a hipótese de que Tarso Genro tenha tomado uma decisão correta não pode ser descartada sem um exame mais minucioso. 

Battisti nega que tenha participado ou ordenado os assassinatos pelos quais foi condenado. “Não matei ninguém e abandonei o grupo quando o PAC se decidiu pela luta armada”, vem repetindo Battisti há mais de dez anos. Tarso afirma ter estudado o processo do italiano a fundo, durante seus quatorze dias de férias de fim de ano (é de esperar agora que tenha o mesmo cuidado quando lhe chegar às mãos um processo contra alguém acusado de ter sido torturador da ditadura). Diz ter terminado a análise convencido de que “exceções legais”, criadas pelo estado italiano no ambiente de convulsão social que aquele país vivia no fim dos anos 70, podem ter prejudicado a defesa de Battisti. Cita como exemplo o fato de sua condenação ter se baseado unicamente no depoimento de uma pessoa – Pietro Mutti, também integrante do PAC, que fez suas acusações no contexto de um programa de delação premiada. Se o ministro estiver certo, terá ajudado a reparar uma injustiça que dificilmente poderia ser corrigida pela Justiça italiana, uma vez que Mutti mudou de identidade e hoje vive em lugar não sabido. Se estiver errado, porém, terá deixado à solta um assassino que executou pessoas apenas por discordarem de sua organização terrorista. Tarso deixou a porta aberta para rever o caso se surgirem provas mais contundentes contra o italiano.

Texto extraído da Revista Veja, edição 2096, ano 42, n. 3, de 21 de janeiro de 2009. p. 73

Em relação ao emprego dos tempos e modos verbais, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).

I. “Tarso deixou a porta aberta para rever o caso se surgirem provas...”. (presente do indicativo)

II. “Tudo isso somado contribuiu para que se concluísse que a concessão...”. (imperfeito do subjuntivo)

III. “Se o ministro estiver certo, terá ajudado a reparar...”. (presente do indicativo)

Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O acerto depende da classificação morfológica das formas verbais destacadas nos trechos “Tarso deixou a porta aberta para rever o caso se surgirem provas mais contundentes contra o italiano.”, “Tudo isso somado contribuiu para que se concluísse que a concessão do refúgio ao italiano foi mais uma das reações ideológicas automáticas do ministro.” e “Se o ministro estiver certo, terá ajudado a reparar uma injustiça que dificilmente poderia ser corrigida pela Justiça italiana...”. Neles, “surgirem” e “estiver” pertencem ao futuro do subjuntivo, enquanto “concluísse” pertence ao pretérito imperfeito do subjuntivo. Logo, apenas a assertiva II está correta.

Tema central: identificação de tempos e modos verbais
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque depende da validade da assertiva I, e I é falsa. Em “se surgirem provas”, “surgirem” não está no presente do indicativo; está no futuro do subjuntivo, empregado em oração com “se” e sentido eventual/futuro. Além disso, a assertiva II é a que está correta.
B
Certa
A alternativa B está correta porque somente a assertiva II classifica adequadamente a forma verbal destacada. Em “para que se concluísse”, a forma “concluísse” é pretérito imperfeito do subjuntivo, o que se confirma pela terminação -sse e pela estrutura subordinada introduzida por “para que”. Já I e III erram ao chamar de presente do indicativo formas que pertencem ao subjuntivo.
C
Errada
Está errada porque a assertiva III é falsa. Em “Se o ministro estiver certo”, “estiver” não é presente do indicativo; é futuro do subjuntivo. O presente do indicativo do verbo seria “está”, não “estiver”. Portanto, III não pode sustentar a alternativa.
D
Errada
Está errada porque reúne duas assertivas incorretas. Tanto em I quanto em III há o mesmo erro de classificação: “surgirem” e “estiver” foram identificados como presente do indicativo, mas ambas as formas são do futuro do subjuntivo.
E
Errada
Está errada porque, embora II esteja correta, III está incorreta. A forma “estiver”, em estrutura condicional introduzida por “se”, expressa hipótese futura e pertence ao futuro do subjuntivo, não ao presente do indicativo.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre valor de futuro no contexto e nome gramatical do tempo verbal: em I e III, as formas com “se” (“surgirem”, “estiver”) podem parecer apenas referência a fato futuro, mas o que se cobra é a classificação exata, que é futuro do subjuntivo, não presente do indicativo.
Dica para questões semelhantes
  • Em estruturas com “se” indicando condição ou eventualidade futura, verifique primeiro a possibilidade de futuro do subjuntivo.
  • Não classifique pelo sentido geral da frase; classifique pela forma verbal destacada.
  • Formas em -sse, como “concluísse”, apontam para pretérito imperfeito do subjuntivo.
  • Se houver outro verbo na oração, concentre-se apenas no verbo sublinhado para não misturar classificações.

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Comentários

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I. “Tarso deixou a porta aberta para rever o caso se surgirem provas...”. (Futuro do Subjuntivo)

II. “Tudo isso somado contribuiu para que se concluísse que a concessão...”. (Imperfeito do subjuntivo)

III. “Se o ministro estiver certo, terá ajudado a reparar...”. (Futuro do Subjuntivo) 

 “Se o ministro estiver certo, terá ajudado a reparar...”. é uma hipótese. 

se  ANTES DA CONJULGAÇÃO  IMPERFEITO

Gab: B

II. “Tudo isso somado contribuiu para que se concluísse que a concessão...”. (imperfeito do subjuntivo)

Não seria mais correto se estivesse escrito assim?

II. “Tudo isso somado contribuiu para que se concluísse que a concessão...”. ( pretérito imperfeito do subjuntivo)

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