O poema de Manuel Bandeira pertence a estética literária:

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Q4110472 Literatura

Poética


[Manuel Bandeira]


Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado

Do lirismo funcionário público com livro de ponto

expediente protocolo e manifestações de apreço ao

Sr. diretor


Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no

dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo


Abaixo os puristas 


Todas as palavras sobretudo os barbarismos

universais

Todas as construções sobretudo as sintaxes de

exceção

Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis 


Estou farto do lirismo namorador

Político

Raquítico

Sifilítico

De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora

de si mesmo


De resto não é lirismo

Será contabilidade tabela de co-senos secretário do

amante exemplar com cem modelos de cartas e as

diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc 


Quero antes o lirismo dos loucos

O lirismo dos bêbedos

O lirismo difícil e pungente dos bêbedos

O lirismo dos clowns de Shakespeare


— Não quero mais saber do lirismo que não é

libertação.

O poema de Manuel Bandeira pertence a estética literária:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O poema de Manuel Bandeira rejeita o purismo, valoriza a liberdade formal e vocabular e explicita traços modernistas no próprio enunciado; por isso, a leitura técnica aponta a alternativa C.

Tema central: Escola literária
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. O texto não se organiza por sugestão nebulosa, musicalidade simbólica ou transcendência próprias do Simbolismo. O que aparece é ruptura programática, coloquialidade e manifesto de liberdade estética.
B
Errada
Incorreta. O poema não busca representação objetiva da realidade social nos moldes realistas. Sua natureza é metapoética e antiacademicista, funcionando como declaração de ruptura estética.
C
Certa
Correta tecnicamente. Os elementos do enunciado identificam claramente a estética modernista: verso livre, coloquialismo, antipurismo linguístico e defesa da liberdade de criação.
D
Errada
Incorreta. O poema não apresenta cultismo, conceptismo, rebuscamento ou tensão formal típicos do Barroco. Ao contrário, a linguagem é deliberadamente anti-rebuscada.
E
Errada
Pegadinha da questão
A confusão real está em associar a palavra “lirismo” ao Romantismo e ignorar que o poema é metapoético e programático, com defesa explícita de liberdade formal; além disso, a autoria de Manuel Bandeira reforça decisivamente a vinculação modernista.
Dica para questões semelhantes
  • Em identificação de escola literária, priorize os traços formais e programáticos que o próprio texto explicita.
  • Quando o poema defende liberdade de linguagem, rejeita purismo e valoriza ritmos livres, a classificação tende ao Modernismo.
  • Não classifique um texto como romântico apenas por conter subjetividade ou a palavra “lirismo”.
  • Se autoria, linguagem e proposta estética convergem para uma escola, esse conjunto vale mais do que associações superficiais.

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Comentários

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Letra correta deveria ser a C

Manuel Bandeira pertence ao Modernismo, sendo um dos principais nomes e fundadores da Primeira Geração Modernista no Brasil (também chamada de Fase Heroica ou Fase de Destruição, que vai de 1922 a 1930).

Embora ele não tenha participado fisicamente da histórica Semana de Arte Moderna de 1922 por motivos de saúde, seu poema "Os Sapos" foi lido no evento por Ronald de Carvalho e se tornou o grande hino de deboche contra o Parnasianismo (a estética que dominava a época).

As principais características da estética de Bandeira que o consolidam no Modernismo são:

  • Rompimento com o Passadismo: Rejeição à rigidez formal, à métrica perfeita e à linguagem rebuscada dos parnasianos.
  • Liberdade Formal: Uso de versos livres (sem contagem fixa de sílabas) e versos brancos (sem rimas obrigatórias).
  • Linguagem Coloquial: Introdução do falar cotidiano, do erro gramatical intencional e do humor na poesia.
  • Poesia do Cotidiano: Elevação de temas simples, banais e domésticos ao status de arte.
  • Melancolia e Presença da Morte: Devido à tuberculose que enfrentou desde a juventude, sua obra é profundamente marcada por uma sensibilidade lírica que oscila entre a celebração da vida simples e a consciência constante da finitude.

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