O poema de Manuel Bandeira pertence a estética literária:
Poética
[Manuel Bandeira]
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
expediente protocolo e manifestações de apreço ao
Sr. diretor
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no
dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos
universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de
exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do
amante exemplar com cem modelos de cartas e as
diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é
libertação.
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Gabarito comentado
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Gabarito: E
Fundamento decisivo: O poema de Manuel Bandeira rejeita o purismo, valoriza a liberdade formal e vocabular e explicita traços modernistas no próprio enunciado; por isso, a leitura técnica aponta a alternativa C.
- Em identificação de escola literária, priorize os traços formais e programáticos que o próprio texto explicita.
- Quando o poema defende liberdade de linguagem, rejeita purismo e valoriza ritmos livres, a classificação tende ao Modernismo.
- Não classifique um texto como romântico apenas por conter subjetividade ou a palavra “lirismo”.
- Se autoria, linguagem e proposta estética convergem para uma escola, esse conjunto vale mais do que associações superficiais.
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Letra correta deveria ser a C
Manuel Bandeira pertence ao Modernismo, sendo um dos principais nomes e fundadores da Primeira Geração Modernista no Brasil (também chamada de Fase Heroica ou Fase de Destruição, que vai de 1922 a 1930).
Embora ele não tenha participado fisicamente da histórica Semana de Arte Moderna de 1922 por motivos de saúde, seu poema "Os Sapos" foi lido no evento por Ronald de Carvalho e se tornou o grande hino de deboche contra o Parnasianismo (a estética que dominava a época).
As principais características da estética de Bandeira que o consolidam no Modernismo são:
- Rompimento com o Passadismo: Rejeição à rigidez formal, à métrica perfeita e à linguagem rebuscada dos parnasianos.
- Liberdade Formal: Uso de versos livres (sem contagem fixa de sílabas) e versos brancos (sem rimas obrigatórias).
- Linguagem Coloquial: Introdução do falar cotidiano, do erro gramatical intencional e do humor na poesia.
- Poesia do Cotidiano: Elevação de temas simples, banais e domésticos ao status de arte.
- Melancolia e Presença da Morte: Devido à tuberculose que enfrentou desde a juventude, sua obra é profundamente marcada por uma sensibilidade lírica que oscila entre a celebração da vida simples e a consciência constante da finitude.
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