No português e em muitas línguas, verbos
expressam tempo. Por exemplo, na frase (1) abaixo,
sabemos pela terminação do verbo comprar que a
ação que ele designa ocorreu no passado, ou seja,
antes do momento em que a frase foi dita:
(1) Mario comprou uma vara de pesca.
A terminação -ou, que exprime esse passado, é
adicionada à raiz verbal compr-, raiz de um verbo
regular de primeira conjugação da língua. Sabemos
das nossas aulas de português na escola que essa
terminação não codifica somente o tempo passado,
mas também outras coisas importantes, como a
concordância com o sujeito, o aspecto e o modo, pelo
menos.
As línguas do mundo variam no que diz respeito ao
que “colocam” no verbo. Por exemplo, além do tempo
e do aspecto, os verbos podem carregar
concordâncias de sujeito e objeto – como é o caso da
língua georgiana, língua caucasiana meridional falada
na Geórgia. Podem expressar inúmeras coisas
através de partículas ou morfemas acoplados:
concordâncias, advérbios, objetos indiretos etc. –
como é o caso da língua terena, língua aruak falada
principalmente no Mato Grosso do Sul. Podem
simplesmente não expressar tempo algum nem
concordâncias com afixos, recorrendo, para a
veiculação do tempo dos acontecimentos descritos, a
advérbios ou partículas, que podem estar em outras
partes da frase – como acontece com o mandarim,
língua sino-tibetana falada por mais ou menos 850
milhões de pessoas na China. Contudo, grande parte
das línguas estudadas pelos linguistas e antropólogos
expressa alguma dimensão temporal no verbo [...].
Disponível em: https://lefufrj.wordpress.com/wpcontent/uploads/2023/12/1702995734270_ebook_noslinguistica.pdf. Acesso em: 04 de abr. de 2025.
Qual é a figura de linguagem presente no título do
Texto 3?
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