Quem foi e como era sua primeira professora ou
professor de português?
Ataliba Castilho – Foi o professor Amaury de Assis
Ferreira (1920-1995), pai do apresentador de TV
Amauri Jr. Era um professor muito bom, lia e
estudava muito, mostrava os livros que comprava
com muito entusiasmo. De vez em quando eu ia na
casa dele, meu pai era eletricista e ia trocar a
resistência de seu fogão elétrico. Ele me chamava e
mostrava a biblioteca e os livros que tinha comprado.
Ele tinha muito prazer no que ele fazia. Pensei:
“Quero ser um cara assim”. Depois peguei outros
professores ótimos em São Paulo, como o Theodoro
Maurer, meu orientador de doutorado. Quietinho,
magrinho, filho de suíços, ele escreveu sozinho um
dos trabalhos mais extensos do mundo sobre a
gramática e a sintaxe do latim vulgar.
Qual sua participação no Museu da Língua
Portuguesa?
Ataliba Castilho – Em 2004, Jarbas Mantovanini,
que atuava na Fundação Roberto Marinho, apareceu
na USP, apresentou o projeto do museu e disse que
queria me fazer dois pedidos. O primeiro era dar
ideias para o museu. O segundo era para fazer a
linha do tempo sobre a história do português. Aryon
iria fazer a parte das línguas indígenas e Yeda
Pessoa de Castro, da Universidade Federal da Bahia,
se ocuparia das línguas africanas. Jarbas disse para
chamar quem eu quisesse. Chamei Mário Viaro e
Marilza de Oliveira, os dois da USP, para fazer outras
partes. Jarbas me perguntou como eu queria
representar a linha do tempo, se com filmes ou
painéis fixos. Preferi os painéis, porque já haveria
filmes do outro lado da sala. Entreguei o projeto, ele
gostou: “Está tudo muito bonito, mas no lugar do
último quadro vou colocar um espelho. Todos vão
percorrer aquela baita história de 2 mil anos e quando
chegam no final vão ver a si mesmos”. Sabe que ele
acertou na mosca? Muita gente que via a própria
imagem, depois de fazer o percurso histórico, caía no
choro. Uma colega de Minas, Maria Antonieta Cohen,
ia no começo para ver o museu e depois para ver as
pessoas quando chegavam no espelho. Ela me
perguntou: “Por que será que elas choram?”. Fiquei
pensando muito naquilo. As pessoas choravam,
decerto, porque viam ali sua identidade. O que é a
língua portuguesa? Sou eu, que represento agora
todo esse percurso. A língua é minha identidade.
Adaptado de: https://unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/10/06/olinguista-libertario/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.
Quanto ao Texto 2, assinale a alternativa correta.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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