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Q3908440 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A conexão primordial

A comunicação fundamenta as relações humanas, transmite sentimentos, experiências e conhecimentos, permitindo ao indivíduo compreender a si mesmo e ao mundo. Desde a Grécia Antiga, o diálogo ocupa lugar central na construção das ideias, como demonstram os métodos filosóficos baseados na palavra, na escuta e na reflexão coletiva.

Na educação, o pensamento de Paulo Freire reafirma o diálogo como prática transformadora, capaz de construir sentidos e promover consciência crítica. No entanto, em uma sociedade marcada pela superexposição e pela comunicação mediada por tecnologias, a linguagem tende a se esvaziar, tornando as interações mais rápidas, superficiais e individualizadas.

O diálogo exige presença, referências físicas e envolvimento emocional, pois olhar, escutar e sentir são dimensões essenciais da experiência humana. Valorizar a conversa, as vivências compartilhadas e as relações comunitárias significa reconhecer o diálogo como ato ético, estético e transformador, capaz de fortalecer vínculos, promover a fraternidade e projetar um futuro mais humano e solidário.

Texto Adaptado

GEDEON, Leo. A conexão primordial. A Folha Torres, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://afolhatorres.com.br/colunas/a-conexao-primordial/ . Acesso em: 18 jan. 2026. 
Com base no texto, assinale a alternativa que interpreta corretamente a tese central e a relação entre presença, tecnologia e dimensão ética do diálogo: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a oposição argumentativa construída pelo conector "No entanto": o texto critica a comunicação mediada por tecnologias por favorecer o esvaziamento da linguagem e interações "mais rápidas, superficiais e individualizadas", ao mesmo tempo em que valoriza o diálogo como prática fundada em presença, vivências compartilhadas e dimensão "ética, estética e transformadora". A alternativa correta é a que preserva essa relação sem inverter nem absolutizar a tese.

Tema central: tese central do diálogo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A recompõe fielmente os núcleos semânticos centrais do texto: o diálogo é apresentado como prática fundada em presença sensível, escuta, sentir e vivência compartilhada, e é nomeado no texto como "ato ético, estético e transformador". Ao mesmo tempo, a alternativa mantém a crítica ao contexto de comunicação mediada por tecnologias, no qual a linguagem "tende a se esvaziar" e as interações se tornam "mais rápidas, superficiais e individualizadas". Portanto, ela preserva a tese central e a relação correta entre presença, tecnologia e dimensão ética do diálogo.
B
Errada
A alternativa inverte o sentido do texto. O texto não celebra interações rápidas e individualizadas como progresso do diálogo; ao contrário, afirma que, nesse contexto, as interações se tornam "mais rápidas, superficiais e individualizadas", com valoração crítica. Também não há base para dizer que isso amplia profundidade, sentido e comunidade; essa leitura contradiz diretamente a tese textual.
C
Errada
A alternativa erra por absolutização indevida. O texto diz que a linguagem "tende a se esvaziar" na comunicação mediada por tecnologias, o que indica tendência contextual, não impossibilidade total. Por isso, não se pode afirmar que as tecnologias inviabilizam diálogo autêntico "em qualquer forma" nem que interações digitais não comportam criticidade, densidade ou vínculos sociais. Essa generalização excede o que o texto autoriza.
D
Errada
A alternativa reduz indevidamente o diálogo a uma experiência afetiva privada. O texto afirma que o diálogo exige "presença, referências físicas e envolvimento emocional", mas isso não elimina partilha, crítica e transformação; ao contrário, o autor associa o diálogo a "vivências compartilhadas", "relações comunitárias" e ao reconhecimento do diálogo como ato "ético, estético e transformador", além de dizer que ele é capaz de "fortalecer vínculos" e "promover a fraternidade". Portanto, a leitura privatizante é incompatível com o texto.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler a crítica às interações tecnomediadas como elogio ao progresso comunicativo ou, no extremo oposto, transformá-la em condenação absoluta de toda tecnologia. O texto faz uma crítica contextual, marcada por "No entanto" e por "tende a se esvaziar", sem celebração nem proibição total.
Dica para questões semelhantes
  • Localize o conector que organiza a tese; aqui, "No entanto" marca a oposição central do texto e impede leituras conciliatórias ou invertidas.
  • Diferencie tendência de absolutos: expressões como "tende a" não autorizam concluir "sempre", "nunca" ou "em qualquer forma".
  • Quando a alternativa resumir a tese, confira se ela preserva todos os núcleos centrais do texto, sem apagar nem inverter a valoração.
  • Se o texto trouxer marcas de coletividade, como "vivências compartilhadas" e "relações comunitárias", descarte interpretações que privatizem o sentido.

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