Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados em:

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Q209217 Português
Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte.


Da política ao espetáculo 

          A rebeldia voltou. E nos lugares mais inesperados. O rastilho foi aceso em Túnis, seguiu para o Cairo e depois para Sanaa, Manama, Damasco − cidades onde ação política não é um direito. Onde as praças tiveram de ser ocupadas com o risco de prisão, tortura e morte. Mesmo assim, as manifestações só ficaram violentas porque as autoridades as atacaram.
          A centelha da revolta atravessou o Mediterrâneo e acendeu outras centenas de milhares de pessoas na Grécia e na Espanha, países subitamente forçados ao empobrecimento. Na África, no Levante, no Oriente Médio e na Europa, o que se quer é liberdade, trabalho e justiça.
          Nenhuma mobilização foi tão inesperada quanto a que explodiu, no mês passado, do outro lado do Atlântico Norte, numa das cidades mais ricas do mundo: Vancouver, no Canadá. Sua motivação foi frívola. Por 4 a 0, o time local de hóquei no gelo perdeu a final do campeonato. Não houve reivindicação social ou política: chateada, a gente saiu à rua e botou fogo em carros, quebrou vitrines, invadiu lojas. 
         Fizeram tudo isso com a leveza da futilidade, posando para câmeras de celulares, autorregistrando-se em instantâneos ambivalentes de prazer e agressão. O impulso de se preservarem em fotos e filmes era tão premente quanto o de destruir.
        Alguns intelectuais poderiam explicar assim o fenômeno: se o espetáculo do jogo não satisfez, o do simulacro da revolta o compensará; o narcisismo frustrado vira exibicionismo compartilhado.
        Em meio ao quebra-quebra, um casal de namorados tentava fugir quando a moça foi atingida pelo escudo de um policial e caiu. O namorado deitou-se ao lado e, para acalmá-la, deu-lhe um beijo.
        Um fotógrafo viu apenas dois corpos que pareciam feridos no chão e, sem perceber direito o que fotografava, captou o beijo. Pronto: os jovens viraram celebridades. Namorando há apenas seis meses, o casal cancelou uma viagem à Califórnia para cumprir uma agenda extensa de entrevistas em Nova York. A sociedade do espetáculo não pode parar.


                                                                                (Adaptado da Revista Piauí, n. 58, julho 2001, p. 55) 
Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados em:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A decisão depende do emprego normativo de pronomes relativos com regência: a alternativa C é a única em que ambos os elementos sublinhados se ajustam à norma-padrão, sem violar as exigências de posse e de preposição indicadas na base.

Tema central: Pronomes relativos e regência
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está em “aonde”. Esse pronome locativo só se usa com verbo de movimento que reja a preposição “a”. Na construção dada, não há essa regência; o contexto é de localização, não de deslocamento para um lugar. Por isso, o primeiro elemento sublinhado inviabiliza a alternativa, ainda que “em cujo” possa ser admitido pela relação com “lugar”.
B
Errada
“Aos quais” está errado porque o verbo pronominal é “deparar-se com”, e não “deparar-se a”. O correto exigiria “com os quais se deparou o fotógrafo”. Além disso, a sequência “em cujo registro haveria por torná-los celebridades” é sintaticamente defeituosa, o que reforça a incorreção da alternativa.
C
Certa
A alternativa C acerta nos dois pontos cobrados. Primeiro, “cuja economia” emprega corretamente o pronome relativo possessivo: ele estabelece relação de posse e vem diretamente antes do substantivo consequente, sem artigo. Segundo, “a que acorrem os cidadãos” respeita a regência de “acorrer” no sentido de dirigir-se, afluir, comparecer, que pede a preposição “a”. Portanto, os dois elementos sublinhados estão adequados à norma-padrão.
D
Errada
O problema decisivo está em “onde”. Na norma-padrão, esse relativo exige antecedente locativo, o que não ocorre com “fenômeno social”, que é abstrato, não de lugar. Nessa construção, caberia “em que”, não “onde”. Mesmo que “em cujas” possa relacionar-se formalmente a “imagens”, a alternativa já está errada no primeiro elemento.
E
Errada
“À tranquilizar” está errado porque, em “visar a” seguido de infinitivo, há apenas preposição, sem artigo; por isso, não ocorre crase. O correto seria “visava a tranquilizar”. Além disso, “aquela demonstração de afeto adviesse tanta fama” não se sustenta como construção adequada com “advir”, o que torna a alternativa incorreta também no segundo trecho.
Pegadinha da questão
A banca mistura pronomes relativos com regência verbal para induzir erro por automatismo: uso indevido de “aonde” só pela ideia de lugar, aceitação de “onde” com antecedente abstrato, troca da preposição exigida por verbos menos usuais como “acorrer” e “deparar-se” e crase indevida antes de infinitivo.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro a regência do verbo da oração subordinada antes de aceitar o pronome relativo.
  • Com “cujo”, confirme a ideia de posse e rejeite artigo entre o pronome e o substantivo seguinte.
  • Só use “aonde” se houver movimento para lugar com verbo que peça a preposição “a”; fora disso, ele elimina a alternativa.
  • Antes de marcar crase, confira se há artigo: diante de infinitivo, em regra, há só preposição.

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Comentários

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a) Há países aonde as praças, supostamente públicas, estão longe de constituírem um lugar em cujo se garanta a expressão do povo. CUJO é usado somente entre substantivos

b) Os jovens aos quais se deparou o fotógrafo estavam dando um beijo, em cujo registro haveria por torná-los celebridades. O verbo haver não exige a preposição EM

c) Países grandes, cuja economia foi sempre saudável, são hoje palcos de manifestações a que acorrem os cidadãos empobrecidos. CORRETA

d) Cabe aos intelectuais a explicação de um fenômeno social onde a marca peculiar é a busca de imagens em cujas todos se espelham. o pronome CUJO representa uma relação de posse entre dois substantivo, portanto não  cabe neste caso. 

e) Com um beijo, o namorado visava à tranquilizar a moça, não imaginando que aquela demonstração de afeto adviesse tanta fama. Não há crase, pois antes de verbo no infinitivo o uso da crase é vedado

a) Há países aonde as praças, supostamente públicas, estão longe de constituírem um lugar em cujo se garanta a expressão do povo. CUJO é usado somente entre substantivos

Qual palavra que está exigindo o a do AONDE ?
Complementando os comentários das outras questões:
D- Onde é utilizado somente para indicar lugar
E- Não se utiliza crase antes de verbo

VISAR

Pode ser transitivo direto (sem preposição) ou transitivo indireto (com preposição).
Quando significa “dar visto” e “mirar” é transitivo direto.

- O funcionário já visou todos os cheques. (dar visto)
- O arqueiro visou o alvo e atirou. (mirar)

Quando significa “desejar”, “almejar”, “pretender”, “ter em vista” é transitivo indireto e exige a preposição “a”.

- Muitos visavam ao cargo.
- Ele visa ao poder.

Nesse caso não admite o pronome lhe(s) e deverá ser substituído por a ele(s), a ela(s). Ou seja, não se diz: viso-lhe.

Obs: Quando o verbo “visar” é seguido por um infinitivo, a preposição é geralmente omitida.

- Ele visava atingir o posto de comando.

Complementando a resposta do Marcelo:

b) Os jovens aos quais se deparou o fotógrafo estavam dando um beijo, em cujo registro haveria por torná-los celebridades.

O verbo Estar é de ligação, portanto, não exige preposição "a" em "aos quais". O correto seria: "os quais [...]".

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