Considere o seguinte trecho:Devido ____ presença de mais de ...

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Q797071 Português

O vírus da Zika

Zika, na língua luganda falada por 3 milhões de ugandenses, geralmente traduz-se como matagal. É um nome apropriado para a floresta nos arredores da cidade de Entebbe, que mais parece um bosque ralo e tem apenas um décimo (150 mil m²) da área do parque paulistano do Ibirapuera. Como local de batismo científico do vírus que sucedeu o ebola como o mais temido do mundo, a floresta Zika parece insignificante. Bem mais adequada soa uma segunda interpretação para o termo zika dada pelo entomologista (especialista em insetos) Louis Mukwaya, 76, do Instituto Ugandense de Pesquisa sobre Vírus (UVRI, na sigla em inglês): lugar onde muitas pessoas morreram.

A não ser essa explicação sobre seu nome, nada há de assustador na floresta Zika. Percorrem-se 11 km de ruas de terra e algum asfalto para chegar ali desde o UVRI, na área urbana de Entebbe. O instituto foi fundado por ingleses em 1936 para estudar febre amarela, quando Uganda ainda fazia parte do Império Britânico.

Não há cerca nem portão, só duas cabanas de concreto e um casebre de madeira com telhas de zinco ocupados por dois vigias. Do lado da entrada da floresta, ouve-se apenas a algazarra de crianças jogando futebol e o ruído ocasional de motosserra. Do lado de lá, impera o silêncio do pântano que margeia o lago Vitória.

Cinco minutos de caminhada levam à torre de aço, com cerca de 35 m de altura, erguida pelos ingleses em 1962, mesmo ano da independência de Uganda. Dela, projetam-se plataformas para jaulas que, no passado, eram ocupadas por macacos, presos à espera de picadas das mais de 40 espécies de “nsiri” (mosquitos) presentes na floresta Zika.

Antes da década de 60, as plataformas eram de madeira. Numa delas viveu o macaco reso (o de pelagem castanho avermelhada) número 766. Em abril de 1947, o animal teve febre de 39,7 ºC. Seguindo um procedimento padrão, amostras do sangue dele foram injetadas no crânio de camundongos, que também adoeceram.

Nos cérebros dos roedores, pesquisadores descobriram partículas de um “agente transmissível” novo para a ciência. No ano seguinte, em janeiro, o mesmo agente foi encontrado em mosquitos da espécie Aedes africanus, primo do Aedes aegypti, que tanto inferniza brasileiros.

A publicação da descoberta do novo vírus ocorreu em 1952, pelo escocês George Dick, do Instituto Nacional de Pesquisa Médica de Londres, e pelos americanos Stuart Kitchen e Alexander Haddow, da Fundação Rockefeller. Batizaram-no como zika, em razão da origem do caso. […]

(Folha de São Paulo, 7 dez. 2016)

Considere o seguinte trecho:

Devido ____ presença de mais de 40 espécies de mosquitos, ____ floresta Zika, em Uganda, foi o local em que se identificou o vírus pela primeira vez, ____ mais de 60 anos.

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Gramática normativa – uso da crase e distinção entre “a” e “há” em contexto de tempo.

Análise da alternativa correta (E: à – a – há):

1ª lacuna – “à” (com crase): Após “devido”, usamos preposição “a”. “Presença” é substantivo feminino e pede artigo “a”. Soma: à (crase).
Regra (Bechara, Cunha & Cintra): ocorre crase na fusão preposição “a” + artigo feminino “a”.
Exemplo: Devido à alta temperatura, houve atraso.

2ª lacuna – “a” (sem crase): O verbo “foi” não exige preposição antes de nomear lugar. “Floresta Zika” recebe apenas o artigo feminino. Assim, a floresta, sem crase.

3ª lacuna – “há”: “Há” indica tempo decorrido (verbo haver).
Exemplo: Cheguei dez dias (= faz dez dias).

Por que as outras alternativas estão erradas?

A) à – há – a: Erro na 2ª e 3ª: “há floresta” não faz sentido; “a mais de 60 anos” confunde tempo decorrido.
B) a – à – há: 1ª mal preenchida: falta a crase após “devido”.
C) há – à – a: 1ª errada: “há presença” não faz sentido causal; 3ª (“a mais de 60 anos”) não indica passado.
D) há – a – há: 1ª e 2ª erradas pela mesma razão: “há” não expressa causa aqui, nem artigo feminino isolado.

Pegadinhas: Atenção ao uso de crase só quando há fusão de preposição + artigo, e de “há” somente indicando tempo passado!

Resumo:

à (devido à presença), a (a floresta), (há mais de 60 anos).
Reforce sempre: Substitua “há” por “faz” para checar tempo decorrido. Use crase apenas em substantivos femininos precedidos de preposição necessária.

Base teórica: Evanildo Bechara, Celso Cunha, Lindley Cintra.

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Comentários

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à presença - Devido exige a preposição (sempre) + presença (substantivo feminino) - ocorre o acento indicativo de crase
a floresta - artigo definido
há mais de 60 anos - expressão que indica tempo decorrido

Não tem a assertiva mole na questão Isais Silva. Faça o favor de guardar suas opiniões inúteis.

vou À FLORESTA COLHER FLORES... 

 

por isso achei que tinha crase.

A floresta Zika é o sujeito da frase, Jeferson Torres. 

Não existe sujeito preposicionado!

Para a crase, segui a "regra do boi", de Pablo Jamilk, basta substituir a palavra que deve levar crase por boi, se virar ao boi, leva crase no feminino.

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