A doença periodontal é influenciada não apenas pela presenç...

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Q3507491 Odontologia
A doença periodontal é influenciada não apenas pela presença do biofilme, mas também por condições sistêmicas e comportamentais que podem alterar sua progressão e resposta ao tratamento. Entre esses fatores estão hábitos de vida, condições sistêmicas crônicas e características individuais que modificam a suscetibilidade e o curso clínico da enfermidade. Com base nesse aspecto técnico, assinale a alternativa correta.
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Tema central: Fatores sistêmicos e comportamentais que modificam a suscetibilidade, progressão e resposta ao tratamento da doença periodontal, além do biofilme. Exemplos: tabagismo, diabetes, idade e nutrição.

Alternativa correta: CTabagismo como fator modificador da resposta inflamatória periodontal.

O fumo altera a imunidade inata e adaptativa (disfunção de neutrófilos, aumento de mediadores pró-inflamatórios, vasoconstrição e menor sangramento à sondagem), favorece disbiose e piora a cicatrização. Há relação dose–resposta com maior profundidade de sondagem e perda de inserção, além de pior resposta à raspagem/alisamento e cirurgia, e maior risco de peri-implantite. A cessação melhora desfechos. Evidências de alto nível sustentam o tabagismo como forte fator modificador e de pior prognóstico (EFP S3 Guideline 2020; Chapple et al., J Clin Periodontol 2018; Heasman & Johnson).

Por que as demais estão incorretas?

A – Idade como fator “protetor”. Falso. A prevalência e severidade de periodontite aumentam com a idade; o idoso tem maior carga acumulada de inflamação e perda de suporte. Idade é indicador de risco, não proteção, e reflete imunossenescência e comorbidades (AAP/EFP Workshop 2018; Tonetti et al., 2017). A afirmação contradiz o conceito de exposição cumulativa ao biofilme.

B – Controle glicêmico “irrelevante” no tratamento. Falso. A relação periodontite–diabetes é bidirecional. Hiperglicemia (AGEs) intensifica inflamação e destruição tecidual, aumenta risco e severidade; piora resposta terapêutica quando HbA1c está elevada. Periodontia de suporte + controle glicêmico reduzem desfechos adversos, e a terapia periodontal pode reduzir HbA1c em ~0,3–0,4% (IDF/EFP Joint Workshop 2017; Chapple 2013/2018; UpToDate). Logo, o controle glicêmico é essencial no plano terapêutico.

D – Cálcio e vitamina D “prejudiciais” à microbiota e devendo ser restringidos. Falso. Cálcio e vitamina D são benéficos ao metabolismo ósseo e à resposta imune; deficiência associa-se a maior perda de inserção e pior saúde periodontal. Não há diretriz que recomende restrição; ao contrário, sugere-se adequação nutricional e, se indicado, suplementação (EFP 2020; ADA; revisões em J Clin Periodontol). Restringir pode ser nocivo ao periodonto e ao esqueleto.

Dicas de prova: - Procure termos-chave como “fator modificador”, “pior prognóstico” e “bidirecional”. - Desconfie de absolutismos (“irrelevante”, “protetor”, “restrição dietética” sem base). - Conecte mecanismo à clínica: tabagismo → disfunção imune e cicatrização pior → resposta terapêutica pior.

Conduta prática baseada em diretrizes: controlar biofilme + cessação do tabagismo + manejo do diabetes (HbA1c) + adequação nutricional + manutenção periódica (EFP S3 2020; AAP 2018).

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