Assinale a oração com sujeito oculto. 

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Q3365455 Português

Texto I


Somos Todos Africanos


Sempre que entram em crise, as civilizações começam a olhar para o seu passado buscando inspiração para o futuro. Hoje estamos no coração de uma fenomenal crise planetária que afeta todas as civilizações. Ela pode significar um salto rumo a um estado superior da hominização, bem como uma tragédia ameaçadora para toda a nossa espécie. Num momento assim radical, não é sem interesse sondar as nossas raízes mais ancestrais e aquele começo seminal em que deixamos de ser primatas e passamos a ser humanos. Aqui deve haver lições que nos podem ser muito úteis. Hoje é consenso entre os paleontólogos e antropólogos que a aventura da hominização se iniciou na África, cerca de sete milhões de anos atrás. Ela se acelerou passando pelo homo habilis, erectus, neanderthalensis até chegar ao homo sapiens, cerca de 100 mil anos atrás. Da África, ele se propagou para a Ásia, há sessenta mil anos; para a Europa, há 40 mil anos; e para as Américas, há 30 mil anos.


A África não é apenas o lugar geográfico das origens. É o arquétipo primal, o conjunto das marcas impressas na alma do ser humano, presente ainda hoje como informações indeléveis, à semelhança daquelas inscritas em nosso código genético. Foi na África que o ser humano elaborou suas primeiras sensações, onde se articularam as crescentes conexões neurais (cerebralização), brilharam os primeiros pensamentos, fortaleceu-se a juvenilização (processo semelhante ao de um jovem que mostra plasticidade e capacidade de aprendizagem) e emergiu a complexidade social que permitiu o surgimento da linguagem e da cultura. Há um espírito da África presente em cada um dos seres humanos.


Vejo três eixos principais do espírito da África que podem significar uma verdadeira terapia para a nossa crise global.


O primeiro é a Mãe-terra. Espalhando-se pelos vastos espaços africanos, nossos ancestrais entraram em profunda comunhão com a Terra, sentindo a interconexão que todas as coisas guardam entre si. Mesmo vítimas da exploração colonialista, os atuais africanos não perderam esse sentido materno da Terra, tão bem representado pela queniana Wangari Mathai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz por plantar milhões de árvores e devolver, assim, vitalidade à Terra. Precisamos nos reapropriar desse espírito da Terra para salvar Gaia, nossa Mãe e única Casa Comum.


O segundo eixo é a matriz relacional (relational matrix, no dizer dos antropólogos). Os africanos usam a palavra ubuntu, que significa força que conecta a todos formando a comunidade dos humanos. Quer dizer, eu me faço humano através do conjunto das conexões com a vida, a natureza, os outros e o Divino. (...) 


O terceiro eixo são os rituais. Experiências importantes da vida pessoal, social e sazonal são celebradas com ritos, danças, músicas e apresentações de máscaras, portadores de energia cósmica. É nos rituais que as forças negativas e positivas se equilibram e que se aprofunda o sentido da vida.

Se reincorporarmos o espírito da África, a crise não precisará ser uma tragédia.


(Leonardo Boff, Jornal do Brasil, 2010 – Adaptado).

Assinale a oração com sujeito oculto. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema da questão: sintaxe — identificação do sujeito oculto (ou elíptico).

Segundo a gramática normativa (Bechara; Cunha & Cintra; Cegalla), sujeito oculto é aquele que não aparece expresso na oração, mas pode ser identificado pelo contexto ou pela desinência verbal. Ex.: “Estudamos para a prova.” → o verbo na 1.ª pessoa do plural indica o sujeito nós (oculto).

Alternativa correta: D

Em “Hoje estamos no coração de uma fenomenal crise planetária...”, o verbo estamos está na 1.ª pessoa do plural, o que permite recuperar o sujeito nós, embora ele não esteja expresso no enunciado. Logo, trata-se de sujeito oculto (nós). Observação importante: “Hoje” é adjunto adverbial de tempo, não é sujeito — essa é uma pegadinha comum.

Por que as demais alternativas estão incorretas?

A — “Ela pode significar um salto...” → O pronome Ela está expresso e funciona como sujeito simples. Não é oculto.

B — “(...) os atuais africanos não perderam esse sentido...” → Núcleo do sujeito africanos está explícito. Não é oculto.

C — “(...) as civilizações começam a olhar...” → Sujeito simples as civilizações está presente no enunciado. Não é oculto.

E — “O terceiro eixo são os rituais.” → Há dois termos nominais ligados por verbo de ligação (ser). O sujeito está expresso (“O terceiro eixo”, em sentido definidor), e ocorre concordância do verbo com o predicativo plural (“os rituais”), fenômeno aceito pela norma (Cunha & Cintra; Bechara) quando os termos têm números diferentes. Não é oculto.

Regra aplicada (Norma culta)

Sujeito oculto: identificável pela desinência verbal ou contexto, sem estar expresso (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática; Cegalla, Novíssima Gramática).
— Diferencie de sujeito indeterminado: ocorre, por exemplo, com verbo na 3.ª pessoa do plural sem referente no contexto (“Disseram que vai chover.”) ou com se indeterminador e verbo na 3.ª do singular (“Precisa-se de vendedores.”). Na alternativa D, o sujeito nós é recuperável → oculto, não indeterminado.

Estratégia para acertar questões desse tipo

• Identifique o verbo e observe a pessoa e número (desinência verbal).
• Procure se há um termo expresso que responda “quem?” antes do verbo. Se houver, o sujeito é expresso.
• Se não houver termo expresso e a desinência indicar “eu/nós”, há forte indício de sujeito oculto.
• Cuidado com adjuntos adverbiais (tempo, lugar, modo), que não são sujeito, e com a concordância do verbo ser, que pode concordar com o predicativo em número.

Resumo: a única oração com sujeito oculto (recuperável pela desinência verbal) é a da alternativa D — sujeito “nós”. As demais contêm sujeito expresso.

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Comentários

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NÓS estamos...

Sujeito oculto, elíptico ou desinencial é aquele que está implícito na oração, mas pode ser identificado pela desinência verbal.

Complementar

TOME NOTA:

Assinale a oração com sujeito oculto. 

***Te preparando para mais!

“Hoje (nós) estamos no coração de uma fenomenal crise planetária...”

Tem-se aqui uma elipse, mas não é qualquer elipse. Nesse caso, é uma desinencial. Ou seja, pela forma desinencial do verbo você descobre o sujeito oculto.

Não confunda: nem sempre a elipse será desinencial

Ex.: João gosta de futebol. Disse isso ontem. Quem disse isso ontem? João. (elíptico, mas não desinencial)

Ex.: Gostamos de futebol. Dissemos isso ontem. Quem gosta de futebol e quem disse? Nós. (elíptico e desinencial)

➜ (-mos) indica a primeira pessoa do plural

➯ GABARITO: D

Vamos juntos!!

Banca boa para levantar o moral

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