No poema Domingo (Texto 1), de Adélia Prado, é possível ide...

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Q3768902 Português
Texto 1

Leia o poema de Adélia Prado:

Domingo


Na minha cidade, nos domingos de tarde,
as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas.

Tomam a fresca e riem do rapaz de bicicleta,
a campainha desatada, o aro enfeitado de laranjas:

‘Eh bobagem!’

Daqui a muito progresso tecno-ilógico, quando for impossível detectar o domingo pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas, em meu país de memória e sentimento, basta fechar os olhos:

é domingo, é domingo, é domingo


SÁLVA, Camila; DIEDRICH, Andressa. O cotidiano nos versos de Adélia Prado. Instituto Ling, 31 jul. 2020. Disponível em: https://institutoling.org.br/explore/o-cotidiano-nos-versos-deadelia-prado. Acessado em: 12/11/2025.
No poema Domingo (Texto 1), de Adélia Prado, é possível identificar o uso de figuras de linguagem para construir o tom do texto.

Considerando o exposto anteriormente, a expressão “meu país de memória e sentimento” é um exemplo de:
Alternativas

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Tema central: A questão trata de figuras de linguagem, mais especificamente da identificação correta desse recurso estilístico em um poema de Adélia Prado, ponto essencial em provas de interpretação de texto para concursos.

Justificativa da alternativa correta (E – Metáfora):
No poema, a expressão “meu país de memória e sentimento” utiliza-se do termo “país” para designar um universo subjetivo, feito de lembranças e sensações pessoais. Assim, há uma relação de semelhança implícita entre “país” e o conjunto de “memória e sentimento”, sem o uso de elementos comparativos (como "como" ou "tal qual"), o que caracteriza a metáfora. Segundo a definição de Evanildo Bechara (*Moderna Gramática Portuguesa*), metáfora é um “emprestado de sentido”, em que uma palavra ganha significado novo por semelhança. Portanto, o sentimento de pertença, evocação emocional, é poeticamente chamado de “país”.

Análise das alternativas incorretas:

A) Antítese: Incorreta. Antítese ocorre quando há oposição de ideias, como em “tristeza e alegria”. Não há essa oposição em “meu país de memória e sentimento”.
B) Metonímia: Incorreta. Metonímia é a troca de um termo pelo outro por associação ou contiguidade (por ex.: “beber um copo” em vez de “beber o líquido do copo”), o que não se verifica aqui.
C) Personificação: Incorreta. Não se atribuem características humanas a elementos inanimados; “país” aqui é conceito, não ser animado.
D) Hipérbole: Incorreta. Não há exagero nem amplificação extrema, apenas uma equivalência poética.

Elementos centrais para resolver a questão:
Observe que a autora não descreve um país real, mas sim uma dimensão afetiva. Estratégia importante: ao identificar figuras de linguagem, busque se há comparação, substituição, exagero, oposição ou animação inusitada de objetos. Questões de prova frequentemente trocam metáfora por metonímia — atenção para esse ponto.

Resumo da regra: Metáfora ocorre quando um termo é empregado com sentido que lhe não é próprio, fora do literal, por analogia, sem comparação explícita (Celso Cunha & Lindley Cintra).

Resposta correta: E) Metáfora.

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Comentários

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Antítese: oposição de ideias (ex.: “tristeza e alegria”).

Metonímia: substituição de um termo por outro relacionado (ex.: “li Machado de Assis” = obra pelo autor).

Personificação: atribuir características humanas a seres inanimados (ex.: “o vento sussurra”).

Hipérbole: exagero intencional (ex.: “morro de saudade”).

Metáfora: comparação implícita, sentido figurado (ex.: “meu país de memória e sentimento” = país entendido como espaço afetivo, não literal). Ou seja, o país já está no sentido figurado.

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