Interprete o poema Domingo (Texto 1) de Adélia Prado e anal...

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Q3768901 Português
Texto 1

Leia o poema de Adélia Prado:

Domingo


Na minha cidade, nos domingos de tarde,
as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas.

Tomam a fresca e riem do rapaz de bicicleta,
a campainha desatada, o aro enfeitado de laranjas:

‘Eh bobagem!’

Daqui a muito progresso tecno-ilógico, quando for impossível detectar o domingo pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas, em meu país de memória e sentimento, basta fechar os olhos:

é domingo, é domingo, é domingo


SÁLVA, Camila; DIEDRICH, Andressa. O cotidiano nos versos de Adélia Prado. Instituto Ling, 31 jul. 2020. Disponível em: https://institutoling.org.br/explore/o-cotidiano-nos-versos-deadelia-prado. Acessado em: 12/11/2025.
Interprete o poema Domingo (Texto 1) de Adélia Prado e analise as afirmativas a seguir:

1. O poema valoriza as pequenas cenas do cotidiano, como o ato de descascar laranjas à sombra.
2. Há uma crítica à modernidade, mostrando que ela apaga as memórias do passado do eu-lírico.
3. A repetição da expressão “é domingo” no final do poema reforça o tom de monotonia e tédio dos dias de descanso.
4. O “país de memória e sentimento” mencionado sugere um espaço simbólico onde o passado se conserva por meio da lembrança afetiva.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a leitura das marcas lexicais e imagéticas do poema: “Na minha cidade, nos domingos de tarde, / as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas. [...] Daqui a muito progresso tecno-ilógico, / quando for impossível detectar o domingo / pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas, / em meu país de memória e sentimento, / basta fechar os olhos: / [...] é domingo, é domingo, é domingo”. Esse núcleo textual sustenta a valorização do cotidiano sensível, a preservação memorial do domingo e o efeito de evocação da repetição final, o que confirma 1 e 4 e afasta 2 e 3.

Tema central: memória afetiva do cotidiano
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque toma como única correta a afirmativa 3, mas a repetição “é domingo, é domingo, é domingo” não produz monotonia nem tédio. Pelo contexto de “basta fechar os olhos”, ela intensifica evocação, reconhecimento e presentificação afetiva do domingo. Além disso, deixa de fora as afirmativas 1 e 4, que são confirmadas pelo poema.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne exatamente as afirmativas sustentadas pelo texto. A 1 se confirma na cena concreta e afetiva das pessoas “na sombra com faca e laranjas”, que transforma um gesto cotidiano em matéria poética valorizada. A 4 também se confirma, pois “em meu país de memória e sentimento” nomeia um espaço simbólico interior em que o domingo permanece conservado pela lembrança afetiva, mesmo quando seus sinais externos desaparecerem.
C
Errada
Está errada porque as afirmativas 2 e 3 não se sustentam. A 2 exagera o sentido da crítica à modernidade: o verso “quando for impossível detectar o domingo / pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas” fala da perda de sinais sensoriais externos, não do apagamento das memórias do eu-lírico. A 3 também erra ao atribuir à repetição final um tom de tédio sem apoio textual.
D
Errada
Está errada porque, embora a afirmativa 4 esteja correta, a 2 não está. O poema critica o “progresso tecno-ilógico”, mas o fechamento “em meu país de memória e sentimento, / basta fechar os olhos” mostra justamente a permanência da memória afetiva. Portanto, não se pode concluir que a modernidade apaga as memórias do passado do eu-lírico.
E
Errada
Está errada porque inclui as afirmativas 2 e 3, ambas incompatíveis com o texto. A 2 extrapola ao converter crítica à modernidade em destruição da memória, quando o poema afirma sua preservação interior. A 3 distorce o efeito da repetição final, que é enfático e evocativo, não monótono.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar a crítica ao “progresso tecno-ilógico” como se implicasse apagamento da memória do eu-lírico e interpretar a repetição final automaticamente como monotonia, ignorando que, no poema, ela reforça evocação afetiva.
Dica para questões semelhantes
  • Separe perda de sinais externos de perda de memória interna: o texto pode criticar mudanças do mundo sem afirmar esquecimento do eu-lírico.
  • Não atribua sentido fixo à repetição; verifique no contexto se ela intensifica tédio, ênfase, emoção ou evocação.
  • Quando aparecer formulação metafórica como “país de memória e sentimento”, teste primeiro o valor simbólico antes de ler literalmente.

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Comentários

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1✅ Correta.

O poema valoriza cenas simples e cotidianas — pessoas à sombra, faca e laranjas, o rapaz de bicicleta — elementos banais que ganham força poética e afetiva.

2❌ Incorreta.

Embora haja uma crítica irônica ao “progresso tecno-ilógico”, o poema não afirma que a modernidade apaga as memórias. Pelo contrário: mesmo quando os sinais concretos do domingo desaparecerem, ele continuará reconhecível pela memória e pelo sentimento (“basta fechar os olhos”).

3❌ Incorreta.

A repetição de “é domingo” não sugere monotonia ou tédio, mas sim reafirmação afetiva, quase ritualística, reforçando a permanência simbólica do domingo na lembrança do eu lírico.

4✅ Correta.

O “país de memória e sentimento” é um espaço simbólico, subjetivo, onde o passado se preserva pela experiência afetiva, independentemente das transformações do mundo exterior.

Fonte: ChatGPT

Nossa, que coincidência. A SALVÁ é minha amiga. hahaha

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