Considerando que o advérbio, palavra que indica uma circunst...
Mas será esse consumo desenfreado a única alternativa evolucionária do ser humano? Será que o nosso caminho natural, da aurora dos tempos ao fim da espécie, passa, necessariamente, pelas Casas Bahia? Há menos intenção crítica de minha parte do que curiosidade antropológica na questão. Criticar o consumismo é chover no molhado, e é, de certa maneira, rejeitar a própria condição humana, já que parte ponderável do nosso tempo e da nossa energia são gastos com o consumo. Isso não impede que eu considere uma das grandes tragédias da nossa época, a apresentação do consumismo como cura para todos os males; mas essa é outra história.
O que me intriga é: o que faria o ser humano se não consumisse; e, onde ficam as fronteiras do consumo estritamente necessário para saber o que seria um hipotético humano não-consumista. E não, não adianta olhar para qualquer ponto de miséria extrema do planeta para obter a resposta, porque ela nunca está nos extremos. O que faria hoje um bípede médio em circunstâncias médias se, em algum momento ao longo dos últimos dois milhões de anos, nós não tivéssemos nos afastado dos demais animais inventando formas radicalmente novas de buscar comida, cobrir o corpo, fabricar utensílios e parcelar o pagamento?
Ouço analistas econômicos discorrendo sobre a necessidade de se “aquecer as vendas”; observo o governo empurrando taxas de juros para aumentar ou conter o consumo. De tudo, fica a impressão de que o mundo só está de pé, se é que está, porque as pessoas vão às compras. Será que essa é mesmo a nossa maior finalidade existencial, aquela que garante a sobrevivência da espécie?
Não estou descobrindo nenhuma novidade. Não falta quem estude o assunto, que já preocupava pensadores do século retrasado. Num nível mais simples, me basta uma única página do Aurélio, que traz tanto a definição de consumo, a “utilização de mercadorias e serviços para satisfação das necessidades humanas”, quanto a de consumismo, “sistema que favorece o consumo exagerado”. E o que é exagerado? Ah, aí preciso ir a outra página, onde, entre um verbete e outro, chego à conclusão de que não há definição possível para a essência da coisa, pelo simples motivo de que, embora qualquer um de nós saiba reconhecer um exagero quando o vê, o que é exagero para um pode ser necessidade básica para outro. E aí recomeçamos tudo do zero.
Gabarito comentado
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Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a classe gramatical do termo sublinhado, pois a questão pede a alternativa que NÃO evidencia advérbio. Em “Criticar o consumismo é chover no molhado, e é, de certa maneira, rejeitar a própria condição humana, [...]”, o destaque recai sobre “certa”, que caracteriza o substantivo “maneira” na expressão “de certa maneira”; assim, não modifica verbo, adjetivo nem outro advérbio e, por isso, não evidencia a classe pedida.
- Verifique sempre a classe gramatical da palavra sublinhada, não da expressão inteira.
- Considere como advérbio também o termo que intensifica adjetivo, como em “mais simples” e “tão simples”.
- Se a palavra destacada estiver ligada a um substantivo, caracterizando-o ou determinando-o, isso afasta a função adverbial.
- Não reduza o advérbio a palavras ligadas apenas a verbos; ele também pode modificar adjetivos e outros advérbios.
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