Considerando a avaliação e o tratamento dos choques circu...

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Q377730 Medicina
Considerando a avaliação e o tratamento dos choques circulatórios, julgue cada uma das proposições seguintes:

Pacientes em choque ressuscitados para níveis mais elevados de pré-carga demonstraram melhor perfusão visceral quando comparados àqueles ressuscitados para níveis normais de pré-carga associados a inotrópicos, porém demonstraram piora na função pulmonar em decorrência de edema.
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Gabarito: E) Errado

Tema central: A questão avalia conhecimentos sobre estratégias de ressuscitação volêmica e hemodinâmica no choque, especialmente os efeitos da reposição de fluidos visando níveis elevados de pré-carga versus reposição orientada a metas fisiológicas e uso racional de inotrópicos.

Explicação didática: A ressuscitação volêmica é a etapa inicial fundamental no manejo do paciente em choque, objetivando restaurar volume circulante e perfusão tecidual. Entretanto, excesso de fluidos – ou seja, elevar a pré-carga acima do valor fisiologicamente recomendado – pode resultar em sobrecarga hídrica e edema pulmonar, com prejuízo à função pulmonar e risco de hipóxia. Por isso, a abordagem moderna do choque recomenda alcançar níveis adequados de pré-carga, evitando excessos.

Segundo o documento "Choque – Princípios Gerais de Diagnóstico Precoce e Manejo" (Ministério da Saúde, pg. 16): “A reposição volêmica deve ser criteriosa, monitorizada por sinais clínicos e laboratoriais, evitando sobrecarga hídrica.”

Inotrópicos, como a dobutamina, entram em cena quando existe disfunção contrátil persistente após a reposição volêmica adequada, otimizando a perfusão sem necessariamente implicar em maior risco para edema pulmonar, quando utilizados de forma apropriada.

Análise crítica do enunciado:
O erro da afirmação está em dizer que ressuscitar “para níveis mais elevados de pré-carga” melhora perfusão visceral em relação a usar níveis normais + inotrópicos. Evidências, como discutido em revisões sistemáticas (ex: UpToDate - “Hemodynamic support of adults with sepsis”), reforçam que não há benefício comprovado em hiper-hidratar o paciente; pelo contrário, há elevação do risco de edema pulmonar, atraso de recuperação e complicações.

Estratégias de prova: Fique atento sempre que a questão sugerir “quanto mais, melhor” em ressuscitação volêmica – na prática, há um limiar de segurança para pré-carga, e o uso combinado, racional, de volume e suporte inotrópico é preconizado. Questões costumam cobrar interpretação clínica com ênfase no risco-benefício dos métodos terapêuticos.

Conclusão: Buscar níveis elevados de pré-carga não melhora perfusão visceral comparado ao manejo cuidadoso de fluidos associado a inotrópicos. O risco de edema pulmonar aumenta, contrariando as boas práticas recomendadas.

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