As diferenças naturais nos atributos dos subtipos de IgG as...
Quanto às particularidades de cada subtipo de anticorpos IgG humanos, assinale a alternativa incorreta.
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Tema central: compreender as particularidades funcionais dos subtipos de IgG (IgG1, IgG2, IgG3, IgG4) — afinidade por receptores Fcγ (FcγR), capacidade de ativar complemento, estrutura da dobradiça e fenômenos especiais como Fab-arm exchange — fundamentais na imunidade e no desenho de anticorpos terapêuticos.
Gabarito (incorreta): D
A afirmação atribui à IgG3 a existência de dois isômeros de ligações dissulfeto na dobradiça que favoreceriam a troca de meia molécula (Fab-arm exchange). Isso é característico da IgG4, não da IgG3. A IgG4 apresenta duas isoformas de ligação dissulfeto (intercadeia vs intracadeia) que permitem a dissociação e recombinação de metades de molécula, gerando anticorpos “bivalentes funcionamente monovalentes” e frequentemente bispecíficos. Já a IgG3 possui uma dobradiça muito longa, com várias cisteínas e alta capacidade efetora, mas não realiza Fab-arm exchange. (Refs.: Abbas – Cellular & Molecular Immunology; UpToDate; Vidarsson et al., Nat Rev Immunol 2014)
Análise das demais alternativas (corretas):
A) IgG1 é o subtipo mais abundante no soro e o preferido em engenharia terapêutica por combinar boa ativação de complemento, forte ligação a FcγR (ADCC/ADCP) e excelente desenvoltura farmacotecnológica. Coerente com literatura de referência.
B) IgG2 predomina em respostas a polissacarídeos capsulares bacterianos (antígenos T-independentes tipo 2). Tem ligação fraca a FcγR e menor atividade de complemento, mas é crucial contra encapsulados (p.ex., pneumococo).
C) IgG3 é a mais potente em ativação do complemento e em funções efetoras via FcγR. A dobradiça longa aumenta a flexibilidade e a acessibilidade para C1q/FcγR; há relatos de glicosilação adicional na região de dobradiça. Em conjunto, isso sustenta sua eficácia contra muitos vírus e bactérias. Observação: o principal determinante para FcγR é a sequência do Fc e a glicosilação em Asn297.
E) IgG4 surge após exposição repetida/prolongada ao antígeno (tendência a perfis regulatórios/Th2), tem baixa ativação de complemento e realiza Fab-arm exchange, associando-se a estados de tolerância (p.ex., imunoterapia para alergia) e à doença relacionada à IgG4.
Dica de prova: associe rapidamente os marcadores: “Fab-arm exchange” = IgG4; “polissacarídeo capsular” = IgG2; “maior potência efetora/complemento” = IgG3; “anticorpo terapêutico padrão” = IgG1.
Referências essenciais: Abbas AK. Cellular and Molecular Immunology; UpToDate (IgG subclasses and effector functions); Vidarsson G, Dekkers G, Rispens T. IgG subclasses and allotypes: from structure to effector functions. Nat Rev Immunol. 2014.
Conclusão: A alternativa D é a incorreta porque descreve um atributo exclusivo da IgG4 (Fab-arm exchange), e não da IgG3.
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