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Q3652738 Enfermagem
O objetivo primário da avaliação periódica dos pés das pessoas com Diabetes Mellitus (DM) é a prevenção da úlcera. Apesar disso, a evolução para o desenvolvimento de úlceras nos pés é comum: estima-se que o risco para ulceração dos pés ao longo da vida de um indivíduo com DM pode chegar a 25%. Nesses casos, portanto, o objetivo passa a ser a cicatrização da ferida (com prevenção de amputação) e prevenção de recorrência. Em relação aos cuidados do enfermeiro ao paciente com pé diabético, analise as afirmativas abaixo e marque a alternativa correta:
Alternativas

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Tema central: cuidados de enfermagem no pé diabético, com foco em escolha/conduta de curativos para favorecer a cicatrização e prevenir amputação e recorrência. Conceito-chave: cicatrização em ambiente úmido, ajustando o balanço de umidade conforme o exsudato.

Alternativa correta: C
O uso de gaze umedecida com soro fisiológico 0,9% e, principalmente, de coberturas modernas que mantêm ambiente úmido é benéfico para a cicatrização: promove migração celular, formação de tecido de granulação, angiogênese e desbridamento autolítico, além de reduzir dor e troca traumática de curativos. Diretrizes do IWGDF (2023) e UpToDate reforçam que a meta é manter úmido, porém não macerado, escolhendo a cobertura conforme o exsudato: espumas/alginatos (alto exsudato), hidrocolóides (baixo a moderado), hidrogéis (feridas secas), com gaze umedecida como opção básica quando outras não estão disponíveis.

Por que as demais estão incorretas?

A) A afirmação está incompleta, não configurando orientação operacional. Na prática, a avaliação deve identificar profundidade e estruturas expostas (tendão, osso, cápsula), perfusão, infecção e exsudato, usando classificações (Wagner/University of Texas). Por estar truncada, não pode ser considerada correta.

B) “Troca do curativo secundário a cada 48h” é regra fixa e não se aplica a todas as úlceras. A frequência depende de exsudato, tipo de cobertura e condição clínica. Algumas coberturas exigem trocas diárias; outras, a cada 72–96h. Diretrizes (IWGDF/Ministério da Saúde) recomendam individualizar para preservar o microambiente e evitar maceração/infecção. Correto é orientar paciente/cuidador, mas sem fixar 48h para todos.

D) “Manter a úlcera limpa e seca” contraria o princípio de cicatrização em meio úmido. Exceção: escara seca, estável, em isquemia crítica sem infecção, em que não se umedece nem desbrida até reavaliar perfusão. Fora isso, úlcera diabética limpa e úmida cicatriza melhor que seca.

Dicas de prova: desconfie de sentenças absolutas (“sempre”, intervalos fixos), e de “manter seca” em feridas – regra geral é úmida. Busque palavras-chave: umidade, exsudato, descarregar pressão, avaliar perfusão/infecção.

Condutas essenciais associadas: desbridamento quando indicado, controle de infecção, alívio de pressão (offloading), avaliação/reperfusão vascular, controle glicêmico e educação do paciente.

Referências essenciais: IWGDF Guidelines 2023 (Wound Healing Interventions); UpToDate – Management of diabetic foot ulcers; Ministério da Saúde – Diretrizes para o cuidado da pessoa com DM (atenção à ferida); Wounds International – Principles of moist wound healing.

Gabarito: C

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