Durante avaliação de um paciente submetido à trombectomia d...

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Q4069892 Medicina
Durante avaliação de um paciente submetido à trombectomia da artéria basilar, observou-se paralisia bilateral facial, disartria e perda de sensibilidade térmica contralateral. Esses achados sugerem lesão em qual região? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a correlação anatômico-clínica de lesão pontina ventral no território da artéria basilar: o contexto de trombectomia da basilar direciona para a ponte, e a combinação de paralisia facial bilateral, disartria e perda de sensibilidade térmica contralateral é compatível com acometimento de fibras corticonucleares e via sensitiva ascendente já cruzada. Isso torna a alternativa A a melhor localização lesional.

Tema central: Topografia pontina ventral
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a ponte ventral, irrigada por ramos da basilar, contém fibras corticoespinhais e corticonucleares cuja lesão explica disartria e comprometimento facial por acometimento das vias destinadas ao VII par. Além disso, o déficit térmico contralateral é compatível com acometimento de via sensitiva ascendente no tronco encefálico. Entre as opções, é a única topografia que combina adequadamente o contexto vascular da basilar com sinais faciais bilaterais e sinal sensitivo cruzado de tronco.
B
Errada
Bulbo lateral com núcleo ambíguo e trato espinotalâmico remete à síndrome de Wallenberg. Esse padrão costuma gerar disfagia, disfonia, rouquidão e outros sinais vagais/núcleo ambíguo, além de perda termoalgésica cruzada, mas não tem como achado típico paralisia facial bilateral. A alternativa atrai pela perda de sensibilidade térmica contralateral, porém falha na integração do déficit facial bilateral e do contexto pontino-basilar.
C
Errada
Mesencéfalo dorsal envolvendo colículo superior se relaciona mais a reflexos visuais, movimentos oculares e síndromes do teto mesencefálico. Essa topografia não corresponde ao padrão de disartria com paralisia facial bilateral descrito, cuja correlação é muito mais pontina, especialmente pelas vias do VII par e fibras corticonucleares.
D
Errada
Lesão de hemisfério cerebelar direito explicaria síndrome coordenativa, com ataxia ipsilateral, dismetria, tremor de intenção e possivelmente disartria cerebelar. Não explica, porém, paralisia facial bilateral nem perda termoalgésica contralateral por acometimento de via sensitiva de tronco encefálico.
E
Errada
Substância branca occipital está ligada predominantemente às vias visuais retroquiasmáticas. Essa localização é anatomicamente incompatível com paralisia facial bilateral, disartria e déficit sensitivo termoalgésico cruzado, que apontam para tronco encefálico e não para lobo occipital.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de supervalorizar a perda de sensibilidade térmica contralateral e migrar automaticamente para bulbo lateral. O critério decisivo é integrar esse achado ao restante do exame e ao território da artéria basilar, que favorecem ponte ventral.
Dica para questões semelhantes
  • Em déficits de tronco encefálico, use primeiro o território vascular citado no enunciado para restringir a topografia.
  • Paralisia facial bilateral com disartria pesa mais para acometimento pontino de fibras corticonucleares do que para síndromes bulbares laterais.
  • Perda termoalgésica contralateral isoladamente não define bulbo lateral; ela precisa ser compatível com o conjunto dos sinais.
  • Se a alternativa cerebelar ou occipital não explicar simultaneamente pares cranianos e vias longas, descarte por incompatibilidade anatômica.

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