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Q2727660 Português

O QUE É... DEMISSÃO

É cuidar da carreira em outra empresa e descobrir que seus amigos do trabalho não eram tão amigos assim.

(1º§) No início de maio, o São Paulo Futebol Clube dispensou o técnico Oswaldo de Oliveira. Convidados a opinar sobre os potenciais substitutos, os conselheiros do clube elaboraram uma lista de 30 técnicos renomados. E nela não constava o nome do técnico do Cruzeiro, Wanderlei Luxemburgo. Numa entrevista ao UOL, o diretor de futebol do São Paulo, o senhor Carlos Augusto Barros e Silva, explicava por quê: "Há rejeição a ele no clube. Acho ruim essa cultura dos técnicos de trocar de emprego durante a vigência de seus contratos". Traduzindo: em 2002, Luxemburgo havia pedido demissão do Palmeiras, apesar do prestígio de que gozava no clube e de um bom ambiente de trabalho. Mais adiante, na mesma entrevista, o senhor Carlos Augusto comentava a importância que qualquer técnico brasileiro daria a um possível convite para dirigir o São Paulo: "Da lista de 30 nomes, 20 estão empregados e aceitariam deixar seus clubes para vir para cá". Ou seja, nas próprias palavras do senhor diretor, a "cultura" de romper contratos em vigência não seria um empecilho para contratar um técnico que estivesse regularmente empregado em outro clube, mas seria vista como "ruim" caso um técnico resolvesse deixar o São Paulo pelo mesmo motivo. Isso é típico do futebol? Ao contrário. O senhor diretor estava verbalizando uma opinião corrente no mercado de trabalho: ainda existem empresas que reagem emocionalmente quando seus bons funcionários pedem demissão.

(2º§) Se você está bem empregado e, de repente, recebe um convite melhor, certamente começará a pensar: "Como a empresa reagirá? Qual será o efeito de médio prazo em minha carreira?" E, caso você nunca tenha passado por uma situação dessas, acredite: um dia você passará. E as respostas, como você descobrirá (ou já descobriu), são: De cada dez "amigos do peito" de sua ex-empresa, nove mandarão dizer que estão em reunião quando você telefonar.

(3º§) Quais nove você só irá descobrir depois de sair.

(4º§) Palavras que você nunca ouvira, como "ingrato" ou "mercenário", passarão a acompanhar seu nome nas conversas de corredor. Caso você vá para uma empresa concorrente, o termo usado para defini-lo será "traidor". Na melhor das hipóteses, seu nome deixará de ser mencionado, como se você nunca tivesse trabalhado ali.

(5º§) A maioria de suas realizações pessoais será atribuída a outros ou ao sistema. Suas falhas serão amplificadas. O que antes era mérito vira culpa. Empresas que solicitarem informações sobre você irão esbarrar nas reticências: "Não, ele era um funcionário até que razoável, mas..."

(6º§) Sua ex-empresa estará torcendo pelo seu fracasso. Ele será o melhor exemplo a ser usado internamente de que pedir demissão é um erro.

(7º§) Vale chorar na saída, declarar amor eterno, tentar deixar as portas abertas? Bom, se fosse numa empresa profissional, manifestações sentimentais como essas não fariam nenhum sentido. Já para empresas emocionais, declarações do tipo "Eu adoraria ficar, mas tenho de ir" soam irremediavelmente falsas, quando não ofensivas. Logo, o melhor, sempre, é sair bem quietinho. Mas há uma última dica, a mais importante: nunca, em circunstância nenhuma, fale mal de sua ex empresa. Às vezes, o mercado de trabalho pode até emudecer. Mas jamais ficará surdo.

Max Gehringer é administrador de empresas e escritor, autor de diversos livros sobre carreiras e gestão empresarial.

As questões 09 e 10 referem-se ao conteúdo do (7º§).


Marque a afirmação incorreta.

Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho “Bom, se fosse numa empresa profissional, manifestações sentimentais como essas não fariam nenhum sentido.”, o ponto decisivo é a classificação verbal: “fosse” está no pretérito imperfeito do subjuntivo, e “fariam” está no futuro do pretérito do indicativo. Assim, é falsa a afirmação de que ambos exemplificam tempos do modo indicativo, o que confirma a alternativa C como a incorreta.

Tema central: modos e tempos verbais
Análise das alternativas
A
Errada
No primeiro período do 7º parágrafo — “Vale chorar na saída, declarar amor eterno, tentar deixar as portas abertas?” — as vírgulas separam segmentos formados por verbos no infinitivo: “chorar”, “declarar”, “tentar”. A formulação é tecnicamente imprecisa, mas a ideia central compatível com o trecho é a de enumeração de estruturas reduzidas de infinitivo.
B
Errada
Em “Bom, se fosse numa empresa profissional, manifestações sentimentais como essas não fariam nenhum sentido.”, a primeira vírgula isola o termo inicial “Bom”, e a segunda encerra a oração subordinada condicional “se fosse numa empresa profissional”. Além disso, “profissional” e “sentimentais” qualificam, respectivamente, “empresa” e “manifestações”, funcionando como adjuntos adnominais.
C
Certa
A alternativa C é a incorreta porque atribui ao verbo “fosse” o modo indicativo, quando ele pertence ao subjuntivo. O enunciado “se fosse...” marca hipótese/condição, e isso invalida a classificação proposta na alternativa.
D
Errada
O segmento “Eu adoraria ficar, mas tenho de ir” está entre aspas e reproduz literalmente uma fala possível; isso caracteriza discurso direto. A ideia hipotética também se sustenta no verbo “adoraria”, que projeta uma formulação atenuada e eventual.
E
Errada
Em “Mas jamais ficará surdo.”, não há relato da fala de outra pessoa. O enunciado é autoral, em continuidade a “Às vezes, o mercado de trabalho pode até emudecer.”. Como discurso indireto exige a fala ou o pensamento de outrem relatado sem reprodução literal, essa classificação não se aplica.
Pegadinha da questão
A banca tenta induzir o candidato a olhar apenas para “fariam”, que está no indicativo, e a desconsiderar que “fosse” está no subjuntivo; a combinação expressa hipótese/condição, não dois verbos no indicativo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a alternativa citar dois verbos, classifique os dois separadamente antes de aceitar uma generalização sobre modo ou tempo.
  • Na estrutura “se + verbo”, verifique se há correlação de hipótese/condição; isso costuma envolver subjuntivo na subordinada.
  • Aspas com reprodução literal indicam discurso direto; sem fala de outra pessoa, não há discurso indireto.
  • Se houver alternativas com redação menos precisa, priorize a que traz erro gramatical objetivo e verificável.

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Comentários

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C. "Os verbos: “fosse” e “fariam” exemplificam ideias com ações estruturadas em tempos do modo indicativo."

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