Na oração “Lamento a minha passividade”, o sujeito e os ter...

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Q3194912 Português

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Escolhendo times na escola


  Se eu pudesse voltar atrás, não participaria dos jogos da exclusão, dos jogos da rejeição da minha infância.
  Teria boicotado, feito greve, discursado contra.
  Há dores que demoram para doer. A consciência social nem sempre é pontual, nem sempre está desperta desde cedo.
   Eu não previa os efeitos danosos para tantos outros meninos como eu.
  Uma vez que eu não arcava com o preconceito, não entendia a sua influência perniciosa, o seu papel desagregador, o seu exemplo antieducacional.
  Nas aulas de educação física, o professor indicava dois colegas para escolher os times. Cada um desfrutava do direito de chamar, alternadamente, integrantes para sua equipe.
  Eu sempre fui boleiro, e terminava sendo um dos primeiros recrutados. Não penava como alvo da perseguição. Dispunha da confiança imediata dos meus semelhantes, então me calava.
  Depois que os melhores eram convocados, numa disputa de preferência por quem havia mostrado habilidade nas peladas do recreio, acontecia um bizarro concurso para evitar os piores no próprio time.
  Os capitães se digladiavam para não contar com os “pernas de pau” em sua formação. Xingavam publicamente os que sobravam no final da seletiva.
  Disparavam desaforos para crianças indefesas que estavam ali justamente para aprender futebol. Crianças que não tinham nenhuma obrigação de conhecer os fundamentos do esporte.
   — Pode ficar, jogamos com um a menos.
   — Ele não, é muito ruim.
   — Nem colocando de goleiro.
   — Ele não presta nem como poste.
  Qual o propósito da escola senão dar chance para quem nunca entrou em campo? Mas vivemos num país segregador, pulando etapas, em que é difícil ensinar o básico. Parece que todo mundo deve nascer sabendo.
  Assim muitos jovens perderam a vontade de comparecer a interações coletivas, postos de lado já nos ensaios e treinos da vida.
  Eu queria pedir desculpa retroativa a todos que foram zombados nas peneiras estudantis, apelidados de “perebas” ou de “babas”, ofendidos pela sua aparência, num bullying perigoso sobre obesidade e demais características físicas.
  A todos que não receberam uma mísera oportunidade, um único incentivo, a proteção do acolhimento, o cuidado para se entrosar pouco a pouco, sem a hierarquia sumária de valor, sem o julgamento prévio.
  Lamento a minha passividade. Tão obcecado no meu desempenho, focado no meu individualismo, egoísta nos dribles, feliz com a fragilidade do adversário, eu não via na época o quanto eles sofriam com qualquer erro, qualquer passe torto, qualquer tiro a gol longe da meta, defenestrados por antecipação. Atuavam sob o signo do pânico e da opressão, para confirmar expectativas e agouros. Não se encontravam relaxados ou motivados. Experimentavam um terrorismo psicológico desmedido. Não usufruíam de paz para tentar, falhar, retomar, condenados a provar o engano nos primeiros minutos de bola rolando. A indisposição reforçava os estereótipos, os rótulos, os recalques.
  Já começávamos a aula derrotados moralmente.
Autor: Fabrício Carpinejar - GZH (adaptado). 
Na oração “Lamento a minha passividade”, o sujeito e os termos sublinhados são classificados, respectivamente, como:
Alternativas

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Tema central da questão:
A questão exige o reconhecimento de funções sintáticas: sujeito (e sua classificação) e objeto (direto ou indireto). Engloba análise sintática conforme a norma-padrão e demanda atenção às propriedades do verbo e de seu complemento.

Justificativa da alternativa correta (A):
Na frase “Lamento a minha passividade”:

  • Sujeito desinencial: O pronome “eu” está implícito, identificado pela terminação do verbo “lamento” (1ª pessoa do singular). Isso caracteriza, segundo gramáticas como Bechara, um sujeito desinencial (ou oculto/implícito).
  • Objeto direto: O termo “a minha passividade” é o complemento do verbo “lamentar”, que é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. Assim, trata-se de objeto direto (cf. Cunha & Cintra).

Correlação com a norma-padrão:
Segundo a moderna gramática, sujeito desinencial ocorre quando não há termo expresso, mas pode ser recuperado pela desinência. O objeto direto é aquele que “recebe a ação diretamente, sem preposição”.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) Sujeito simples; objeto indireto: Incorreto. O sujeito não está explícito (não pode ser simples) e o termo não é objeto indireto, pois não há preposição.
  • C) Sujeito desinencial; objeto indireto: Parcialmente correta, pois acerta o sujeito, mas erra ao dizer que “a minha passividade” é objeto indireto (não há preposição).
  • D) Sujeito simples; objeto direto: Erra na classificação do sujeito, que não é simples, pois não está expresso.

Estratégia para provas:
Sempre observe se o sujeito está explícito ou implícito para diferenciar sujeito simples de desinencial. Lembre-se: verbo transitivo direto liga-se ao objeto direto sem preposição. Atenção a essas funções sintáticas é essencial, principalmente em provas para professores, em que a precisão conceitual é altamente cobrada.

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Comentários

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Sujeito desinencial: Também designado de sujeito elíptico, sujeito implícito e sujeito subentendido, o sujeito oculto/desinencial é aquele que não aparece na oração de forma explícita.

Eu lamento a minha passividade

Eu= sujeito oculto

Lamentar = VTD

VTD....Quem lamenta, lamenta algo, alguma coisa

GABARITO A

Sujeito desinencial ou sujeito oculto é aquele que não aparece na oração de forma explícita, mas sabe quem é.

DICA: você pode se incluir

(EU) Lamento a minha passividade

Quem lamenta, lamenta algo ou alguma coisa - OBJETO DIREITO

GABARITO: A Sujeito desinencial e objeto direto.

Sujeito: "Eu" (sujeito simples e desinencial/oculto). O sujeito é determinado pela desinência do verbo "lamento".

Objeto direto: "a minha passividade". O verbo "lamentar" é transitivo direto, e "a minha passividade" completa seu sentido sem a necessidade de preposição.

Sujeito Desinencial ou Oculto:

Não aparece explicitamente na oração. Pode ser identificado pela desinência verbal ou pelo contexto

- Exemplo: "Lamento a minha passividade" (sujeito oculto: EU)

Objeto Direto Termo que recebe a ação do verbo

- Exemplo: "Lamento a minha passividade" (objeto direto: a minha passividade)

Lembre-se: A desinência verbal pode indicar a pessoa e o número do sujeito oculto.

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