Paciente de 68 anos, masculino, IMC 30, hipertenso, cardiopa...

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Ano: 2015 Banca: FAURGS Órgão: HCPA
Q1198937 Medicina
Paciente de 68 anos, masculino, IMC 30, hipertenso, cardiopata isquêmico, ex-tabagista e com diagnóstico de DPOC há cinco anos, iniciou com sintomas de vias aéreas superiores (VAS), tosse e escarro purulento há dois dias, associados à dispneia progressiva, que evoluiu para dispneia em repouso, e com a presença de edema em membros inferiores (MsIs). Apresentava-se, na hora da internação, taquipneico, cianótico em uso de musculatura acessória, afebril, com 120bpm regulares, pressão arterial de 170/90mmHg, ausculta pulmonar com crepitantes em 1/3 inferior de ambos os hemitóraces e com sibilos expiratórios bilaterais. Sat O₂: 83% em ar ambiente. Presença de turgência jugular. Extremidades: edema membros inferiores (+/4).
No que se refere ao quadro acima, considere as seguintes opções terapêuticas.
I - Oxigenioterapia para manter sat O₂ entre 88-92% e broncodilatador de curta ação.
II - Corticoterapia e antibioticoterapia, conforme o perfil local dos pacientes.
III- Realizar investigação diagnóstica com Rx de tórax e dosagem de BNP.
IV - Realizar investigação diagnóstica com Rx de tórax, Hemograma e culturais para definir a necessidade de antibióticoterapia.
V - Realizar investigação diagnóstica com Rx de tórax, ECG e Gasometria Arterial.
Quais são as medidas adequadas para o tratamento inicial do paciente?
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda a conduta inicial frente à exacerbação aguda da DPOC em paciente com múltiplas comorbidades, visando correção da hipoxemia, desobstrução brônquica e avaliação de complicações, orientado pelas principais diretrizes clínicas nacionais.

Justificativa da alternativa correta (E – Apenas I, II e V):

I – Oxigenioterapia entre 88-92% + broncodilatador de curta ação: Fundamental para evitar hipóxia, sem induzir hipercapnia, que pode ocorrer se oferecida alta concentração de O2 (DPOC retentor crônico). Os broncodilatadores, como β2-agonistas de curta ação, são padrão-ouro para reversão da obstrução brônquica. Segundo o “Projeto Diretrizes – DPOC – Exacerbação”, p.2-3: “A suplementação de oxigênio deve ser usada para manter SpO2 entre 88-92%...”.

II – Corticoterapia e antibioticoterapia conforme perfil: Corticosteroides sistêmicos (ex: prednisona 40mg/dia por 5-10d) aceleram a recuperação. Antibióticos são indicados quando há escarro purulento, como neste caso. Diretriz da AMB: “A antibioticoterapia está indicada nas exacerbações acompanhadas de escarro purulento e aumento de volume”.

V – Investigação com Rx de tórax, ECG e gasometria arterial: Esses exames permitem afastar complicações (pneumonia, insuficiência cardíaca, distúrbio ácido-básico) e avaliar gravidade, sendo imprescindíveis na abordagem inicial. (Diretriz DPOC, "Avaliação inicial")

Análise das alternativas incorretas:

A e B: Não contemplam investigação laboratorial e cardíaca adequada, essenciais para manejo seguro (falta ECG, gasometria e avaliação de outras causas).

C: Ignora suporte básico ventilatório, necessário em todo paciente em crise de DPOC.

D: Inclui dosagem de BNP como rotina (III), que não é exame inicial obrigatório nem específico na exacerbação da DPOC.

Dicas de prova: Esteja atento a pegadinhas como exame não mandatório (BNP) ou omissão de suporte ventilatório. Em emergências respiratórias, oxigênio com monitoramento rigoroso e exames para descartar complicações sistêmicas são consenso.

Referências: Projeto Diretrizes AMB/SBPT, UpToDate (Management of acute exacerbations of COPD), Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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