Uma das causas mais comuns da síndrome nefrótica em adultos ...

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Q3510396 Medicina
Uma das causas mais comuns da síndrome nefrótica em adultos não diabéticos é a nefropatia membranosa (MN), que acomete um terço dos diagnósticos por biópsia em algumas regiões. O padrão histopatológico da lesão revela espessamento da membrana basal glomerular (MBG) e depósitos subepiteliais com imunoglobulinas e pouca ou nenhuma reação inflamatória (proliferação ou infiltrado celular). Em adultos, 75% a 80% dos casos são considerados MN primária, causada por autoanticorpos, e cerca de 20% a 25% dos casos se devem a MN secundária.
Em relação à nefropatia membranosa, é correto afirmar que:
Alternativas

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Tema central: Nefropatia membranosa (MN) — causa frequente de síndrome nefrótica em adultos não diabéticos. Caracteriza-se por espessamento difuso da membrana basal glomerular, depósitos subepiteliais e padrão de imunofluorescência granular (IgG/C3). Na MN primária, o alvo antigênico mais comum é o receptor da fosfolipase A2 tipo M (PLA2R); na secundária, investigar HBV, neoplasias, AINEs, sarcoidose, LES, entre outros.

Alternativa correta (A): “aproximadamente 70%–80% dos pacientes com MN primária têm anticorpos anti-PLA2R circulantes, e a soropositividade anti-PLA2R se correlaciona com a atividade clínica”. Correta. Os anti-PLA2R estão presentes em ~70–80% dos casos de MN primária e seus títulos acompanham a atividade (relacionam-se à proteinúria e ao risco de recaída/recorrência). A detecção auxilia no diagnóstico, no estadiamento de risco e no monitoramento de resposta ao tratamento (queda do título precede a remissão clínica). Referências: KDIGO 2021 Glomerular Diseases; UpToDate; Harrison’s.

Por que as demais estão incorretas?

(B) Falsa. O PLA2R é um receptor transmembrana expresso na membrana dos podócitos, onde atua como alvo dos autoanticorpos na MN primária. Dizer que não se expressa nos podócitos contradiz a fisiopatologia clássica.

(C) Falsa. A afirmação inverte o conceito: a presença de PLA2R nos depósitos (e/ou anticorpos circulantes) é característica da MN primária, não exclusiva de formas secundárias por HBV, neoplasias, AINEs ou sarcoidose. Em secundárias, PLA2R geralmente não é detectado; sua positividade sugere primariedade (exceções são raras). KDIGO recomenda sempre investigar causas secundárias conforme contexto clínico.

(D) Falsa. Na MN secundária ao LES, o padrão é “full house” (IgG, IgA, IgM, C3, C1q) e, frequentemente, marcadores como EXT1/EXT2; PLA2R é tipicamente negativo. Portanto, não se espera PLA2R nos depósitos do LES membranoso.

(E) Falsa. A MN pode recorrer no enxerto após transplante renal em ~20–40% (algumas séries até 50%). Anti-PLA2R pré-transplante elevado aumenta o risco de recorrência e de proteinúria precoce. Referência: KDIGO 2021; UpToDate.

Diagnóstico e prática (resumo útil para provas):

  • LM: espessamento difuso da MBG; “spikes” em prata.
  • IF: padrão granular capilar (IgG4 predomina na primária); “full house” sugere LES.
  • ME: depósitos subepiteliais.
  • Marcadores: anti-PLA2R (70–80% primária); anti-THSD7A (2–5%).

Tratamento (KDIGO 2021): suporte (controle pressórico, iSRAA, diuréticos, estatina, anticoagulação conforme risco) e imunossupressão por risco: rituximabe é primeira linha; alternativas incluem ciclofosfamida + glicocorticoide ou inibidores de calcineurina. Monitorar títulos de anti-PLA2R para guiar resposta.

Dica de prova: se o enunciado menciona anti-PLA2R positivo e IgG4, pense em MN primária; se “full house”, pense em LES. Recorrência pós-transplante ≠ “nunca recorre”.

Gabarito: A

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