Paciente feminina, 53 anos, vai à consulta médica com quadro...
Sobre essa doença, é correto afirmar que:
Gabarito comentado
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Tema central: quadro clínico compatível com demência frontotemporal (DFT), com início precoce (53 anos), predomínio de alterações comportamentais (desinibição, desorganização) e comprometimento de linguagem e funções executivas. Esse perfil diferencia-se de Alzheimer típico, que começa com memória episódica.
Alternativa correta – A: associação com doença do neurônio motor (DNM/ELA) e mutação C9orf72.
A expansão do hexanucleotídeo no gene C9orf72 é a causa genética mais comum de DFT e de DFT-ELA, explicando a sobreposição clínico-patológica entre essas duas entidades. Estudos e diretrizes (UpToDate; Harrison’s; critérios de Rascovsky para DFT comportamental) sustentam essa associação genética-etiológica.
Como chegar à hipótese: idade pré-senil, desinibição e perda de julgamento, linguagem prejudicada e funções executivas apontam para DFT variante comportamental com possível envolvimento de linguagem (PPA). A exclusão de causas reversíveis reforça a etiologia neurodegenerativa.
Análise das incorretas
B – “RM mostra atrofia de hipocampos e lobos frontais precocemente.”
Incorreta. Na DFT, a RM evidencia atrofia frontotemporal anterior (por vezes “knife-edge”) de forma precoce. Atrofia hipocampal é mais típica e precoce na doença de Alzheimer. Em DFT, o hipocampo pode estar relativamente preservado no início. (Harrison’s; UpToDate)
C – “Anticorpos monoclonais reduzem a perda cognitiva em 30%.”
Incorreta. Esse dado refere-se a anti-amiloide em Alzheimer (p.ex., lecanemabe/donanemabe) e não se aplica à DFT, cuja patologia é geralmente tauopatia ou TDP-43, sem alvo amiloide. Não há monoclonais aprovados que retardem declínio na DFT. (AAN/UpToDate)
D – “Biomarcadores no sangue e líquor mostram redução de Tau e Tau fosforilada.”
Incorreta. Em Alzheimer o padrão clássico é Aβ42 reduzido e tau total/p-tau elevados. Na DFT, tau no líquor costuma ser normal ou pouco alterado; um marcador útil é o neurofilamento leve (NfL) elevado no sangue/LCR, sugerindo neurodegeneração frontotemporal. (UpToDate; diretrizes biomarcadores)
E – “PET-amiloide é padrão-ouro.”
Incorreta. O PET-amiloide é ferramenta para Alzheimer e tende a ser negativo na DFT. Na DFT, quando necessário, o FDG-PET mostra hipometabolismo frontal/anterior temporal. O diagnóstico é clínico, apoiado por RM/FDG-PET e, em casos selecionados, genética. Não há “padrão-ouro” com PET-amiloide para DFT. (Harrison’s; UpToDate)
Dicas de prova:
- Idade de início antes dos 65 + desinibição/apatia + linguagem e funções executivas → pense em DFT.
- Hipocampo e amiloide puxam para Alzheimer; frontal/temporal anterior e comportamento puxam para DFT.
- Associe DFT + ELA à mutação C9orf72.
Referências: UpToDate (Frontotemporal dementia), Harrison’s Principles of Internal Medicine, Critérios de Rascovsky (bvFTD) e Gorno-Tempini (PPA).
Gabarito: A
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