O locutor pode indicar diferentes pontos de vista em uma ass...
O locutor pode indicar diferentes pontos de vista em uma asserção, atribuindo sua responsabilidade a outro enunciador. Para isso, pode utilizar-se da negação, de marcadores de pressuposição, do emprego de verbos que indiquem mudança ou permanência de estado, de certos operadores argumentativos, do futuro do pretérito com valor de metáfora temporal.
Essa definição de KOCH, BENTES e CAVALCANTE (2008) corresponde ao conceito de
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Tema central: Interpretação de textos – polifonia. A questão avalia a capacidade de reconhecer conceitos teóricos ligados ao funcionamento textual, especificamente a polifonia, que trata da coexistência de múltiplas vozes dentro de um enunciado.
Justificativa para a alternativa correta (A):
A polifonia é um conceito fundamental para a análise textual, segundo Bakhtin e Ducrot, e refere-se à presença de diferentes pontos de vista em um mesmo discurso. O locutor pode recorrer à negação, pressuposições, verbos de mudança ou permanência, operadores argumentativos e ao futuro do pretérito para demonstrar que a fala não reflete apenas sua opinião, mas de outros enunciadores. Este fenômeno permite que se perceba, no texto, vozes distintas – explícitas ou implícitas.
Por exemplo: “Dizem que o projeto é inviável.” Aqui, o locutor atribui a afirmação a uma voz coletiva indefinida (“dizem”), eximindo-se da autoria total. Esse procedimento caracteriza a polifonia.
Nas palavras de Koch, Bentes e Cavalcante (2008), essas estratégias são ferramentas que permitem ao locutor “atribuir sua responsabilidade a outro enunciador”.
Análise das alternativas incorretas:
- B) Intertextualidade temática: Essa alternativa aborda relações de temas entre diferentes textos, mas não trata da coexistência de vozes em um mesmo enunciado.
- C) Intertextualidade tipológica: Termo praticamente em desuso na teoria linguística, não consagrado pelos manuais e gramáticas.
- D) Intertextualidade explícita: Ocorre quando há referência direta a outros textos, como citações, porém, diferente da polifonia, não se refere à multiplicidade de vozes no mesmo discurso.
- E) Intertextualidade implícita: Refere-se a alusões indiretas a outros textos, ainda assim, não envolve a noção de pontos de vista múltiplos em um único enunciado.
Estratégia para provas: Fique atento a conceitos que envolvem “vozes” e “pontos de vista”: termos como responsabilidade enunciativa, “atribuição de vozes”, e marcadores argumentativos (negações, verbos indeterminados, operadores do discurso) são indicativos de polifonia. Não confunda polifonia (interno ao enunciado) com intertextualidade (relação entre textos), pois são conceitos distintos.
Autores como Ducrot e Bakhtin são leitura obrigatória para aprofundamento no tema, sendo recomendados inclusive em editais e gramáticas como as de Bechara e Cunha & Cintra.
Gabarito: A) Polifonia
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Gabarito A
Em linguística, polifonia é, segundo Mikhail Bakhtin a presença de outros textos dentro de um texto, causada pela inserção do autor num contexto que já inclui previamente textos anteriores que lhe inspiram ou influenciam. A polifonia é um fenômeno também identificado como heterogeneidade enunciativa, que pode ser mostrada (no caso de citações de outros autores em obras acadêmicas, por exemplo) ou constitutiva (como a influência de dramaturgos clássicos em Shakespeare, que não é mencionada diretamente, mas transparecida).
fonte: wikipedia
POLOFONIA = PLURALIDADE DE SONS, TAL COMO NA REVERBAÇÃO DE UM ECO.
Polifonia: baseia-se na presença das diversas vozes que dialogam entre si num mesmo texto. O concurso dessas variadas vozes pode ser de concordância ou de discordância.
EXEMPLO: "Arguiam-no de avareza, e cuido que tinham razão; mas a avareza é apenas a exageração de uma virtude e as virtudes devem ser como os orçamentos: melhor é o saldo que o deficit." (Machado de Assis, romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, cap. CXXIII)
No trecho acima, há uma voz dominante, a voz do narrador (Voz 1), identificável a partir daquele “cuido”, em primeira pessoa e que domina o trecho até o final. Porém o verbo em terceira pessoa “Arguiam” plasma um outro sujeito indeterminado, uma voz alheia ao narrador (Voz 2), que diz que a personagem em questão – o pronome “no” remete a uma terceira personagem, que é o objeto da análise do narrador – era avara. Nesse caso, têm-se duas vozes presentes (Voz 1 e Voz 2) e o trecho é marcado pela POLIFONIA.
É importante se observar que as duas vozes são discordantes, pois a noção de avareza (da Voz 2) é discutida e recolocada pela Voz 1. A inconsistência, porém, do argumento da Voz 1 faz a pessoa leitora começar a desconfiar da ironia ali presente.
Poligonia = multiplicidade de sons; conjunto harmonioso de sons. combinação simultânea de várias melodias.
Paralelismo = é um processo gramatical de coordenação e de correlação.
Há dois tipos de paralelismo:
Paralelismo de coordenação(semântico) = encadeamento de significados idênticos.
Paralelismo de Correlação(sintático) = encadeamento de estruturas equivalentes, que tem a mesma função sintáticas.
Profª Fabiana dos Anjos)
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