Sobre as características de manejo das cobaias (Cavia porce...
Gabarito comentado
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Tema central: manejo de cobaias (Cavia porcellus) em biotério. Como presas naturais, apresentam alta sensibilidade a estressores (ruído, movimentos bruscos, manipulação), o que orienta práticas de contenção, alimentação e alojamento. Referências-chave: Guide for the Care and Use of Laboratory Animals (NRC/ILAR), Harkness & Wagner’s Biology and Medicine of Rabbits and Rodents, CCAC e FELASA.
Alternativa correta: E
O fenômeno descrito corresponde à imobilidade tônica (freezing/thanatosis), uma resposta extrema ao estresse. Em cobaias, durante a contenção ou trocas de gaiola, pode ocorrer paralisia por minutos e, raramente, óbito por estresse agudo (descarga catecolaminérgica, arritmias, colapso). Diretrizes do ILAR e CCAC reforçam manipulação silenciosa, previsível e gentil, contenção com duas mãos (suporte de tórax e posteriores), redução de ruídos e uso de abrigos, para evitar esse desfecho.
Por que as demais estão incorretas?
A) Afirma “resistência” a ruído e movimentos bruscos. Falso: cobaias são altamente reativas; ruídos/sustos provocam startle, corrida e amontoamento. O Guide/ILAR recomenda controle de noise/vibration e rotinas calmas.
B) Sugere cuidado materno que previne pisoteio. Inadequado: filhotes são precociais e a fêmea tem cuidado relativamente limitado; em alojamento coletivo, há risco de pisoteio durante o manejo. Boas práticas: monitorar partos, evitar superlotação e reduzir manipulação no periparto (Harkness & Wagner; CCAC).
C) Afirma que mudanças de ração, comedouro, água e bebedouro não afetam rotina. Errado: cobaias são neofóbicas; alterações abruptas causam anorexia, perda de peso e estresse. Além disso, necessitam vitamina C estabilizada; mudanças não graduais aumentam o risco de deficiência e hiporexia (ILAR; FELASA).
D) Diz que, durante o manejo, os animais “ficam separados” na gaiola, dificultando. Contrário ao observado: frente ao estresse, tendem a agrupar-se (huddling), não a separar-se. O empilhamento, sim, pode dificultar a contenção, mas por aglomeração, não por dispersão.
Estratégia de prova:
- Desconfie de termos absolutos como “muito resistentes” ou “não interferem”. Em biotério, pequenas mudanças impactam fortemente animais neofóbicos.
- Lembre que cobaias = presas: sensíveis a ruído, manipulação e novidade; tendência a freezing ou huddling.
- Filhotes precociais não significam cuidado materno intenso; avalie o risco de pisoteio em alojamento coletivo.
Aplicação prática (conforme ILAR/CCAC/FELASA): realizar trocas de gaiola em ambiente silencioso e previsível; conter com suporte de tórax e posteriores; minimizar mudanças abruptas de dieta/dispensadores (transição de 5–7 dias); garantir vitamina C; oferecer abrigos e enriquecimento para reduzir resposta ao estresse.
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