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Q3510352 Medicina
Um paciente 59 anos foi submetido a uma esofagectomia transtorácica com linfadenectomia associada para tratamento de carcinoma espinocelular em terço médio do esôfago. Em pós-operatório imediato, o paciente apresentou disfonia e tosse ao tentar beber água. Foi realizada a avaliação da deglutição, sugerindo a possibilidade de aspiração.
Considerando a anatomia cirúrgica do esôfago, o nervo provavelmente lesionado foi o:
Alternativas

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Tema central: Lesão neurológica pós-esofagectomia, especialmente do nervo laríngeo recorrente (NLR), com manifestação de disfonia e aspiração por paralisia de prega vocal.

Alternativa correta: A - Nervo laríngeo recorrente esquerdo

Após esofagectomia com linfadenectomia, a lesão do NLR esquerdo é uma complicação conhecida, pois ele tem trajeto mais longo e intratorácico, contornando o arco aórtico e ascendendo no sulco traqueoesofágico, área manipulada na dissecção linfonodal para tumores do terço médio do esôfago. Sua função motora sobre os músculos intrínsecos da laringe garante fechamento glótico; quando lesado, ocorre disfonia e tosse/aspiração ao deglutir líquidos por falha de proteção da via aérea.

Dica de prova: Pós-operatório de esofagectomia + disfonia + aspiração = pense em NLR (mais frequentemente o esquerdo).

Por que as demais alternativas estão incorretas?

  • B - Frênico direito: lesão causa paralisia diafragmática com dispneia e elevação do hemidiafragma. Não explica disfonia nem aspiração.
  • C - Torácico longo: inerva o serrátil anterior; lesão leva a escápula alada. Não participa da deglutição ou fonação.
  • D - Glossofaríngeo (IX): compromete reflexo do vômito, sensibilidade e paladar do terço posterior da língua, podendo causar disfagia alta, mas não é típico no campo operatório torácico da esofagectomia e não justifica disfonia isolada.
  • E - Vago: lesão do tronco vagal teria manifestações amplas (bradicardia, dismotilidade gástrica). A disfonia pós-esofagectomia decorre especificamente da via NLR (ramo do vago) na região traqueoesofágica.

Raciocínio clínico essencial: A combinação de cirurgia esofágica com linfadenectomia e sinais de falha de proteção de via aérea aponta para paralisia unilateral de prega vocal por lesão do NLR, mais comum à esquerda pelo trajeto no mediastino superior.

Como confirmar (prova prática): laringoscopia flexível evidenciando paralisia de prega vocal; avaliação objetiva da deglutição (videofluoroscopia ou FEES). Manejo inclui fonoaudiologia precoce, adaptação de consistência e, se persistente, medialização da prega vocal.

Referências rápidas: UpToDate – Complications of esophagectomy; Sabiston Textbook of Surgery – Esophagus; diretrizes ESMO/NCCN para câncer de esôfago destacam risco de lesão do NLR na linfadenectomia paratraqueal.

Gabarito: A

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