A Hanseníase pode ser transmitida por contato físico, mas é...

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Q3572577 Medicina
A Hanseníase pode ser transmitida por contato físico, mas é normalmente propagada pelas vias aéreas, após contato frequente com a pessoa doente. Para contrair esta doença, é necessário convívio íntimo e prolongado com os doentes. Para se ter uma ideia, uma pessoa é considerada suspeita de possuir Hanseníase após um contato mínimo de cinco anos com o indivíduo doente. Isso geralmente acontece quando o doente faz parte da família e mora na mesma casa.
(http://www.saudetotal.com.br/artigos/dermatologia/tvescola_hanseniase.asp); (https://www.sbd.org.br/doencas/2350-2/

Com respeito à “Classificação das formas básicas da Hanseníase”, analise as informações que seguem:

I – “Fase inicial da doença, considerada como matriz dos polos e que se constitui na base do diagnóstico precoce, apresentando alterações de sensibilidade cutânea, características da doença”.
II – “Polo não-contagioso, habitualmente estável, com baciloscopia em geral negativa, lesões bem delimitadas e frequente acometimento nervoso”.

As informações contêm elementos que identificam correta e respectivamente as fases:
Alternativas

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Tema central: Classificação clínica da hanseníase (espectro de Ridley-Jopling) e identificação das formas básicas a partir de pistas clínicas.

Gabarito: C — I: Indeterminada; II: Tuberculoide

Justificativa (raciocínio clínico):

- I descreve a forma indeterminada: é a fase inicial, com poucas máculas hipocrômicas e alteração de sensibilidade (térmica/dolorosa/tátil) como achado-chave; baciloscopia geralmente negativa. Pode regredir ou evoluir para um dos polos. É base do diagnóstico precoce. (Ministério da Saúde – Guia prático de hanseníase; WHO)

- II descreve a forma tuberculoide (TT): polo paucibacilar, não contagioso, imunidade celular robusta (Th1), lesões bem delimitadas, secas, com alopecia/anidrose, e frequente acometimento neural (espessamento de troncos e anestesia). Baciloscopia negativa na maioria. (UpToDate; Harrison’s; MS)

Como identificar nas provas (estratégia): Associe “fase inicial + alteração de sensibilidade” à indeterminada. Associe “estável + baciloscopia negativa + lesões bem delimitadas + nervos” à tuberculoide. Desconsidere informações sobre transmissão para esta questão (pegadinha).

Análise das alternativas incorretas:

- A) Dimorfa / Surto reacional: Dimorfa (borderline) é forma intermediária e instável, não a fase inicial. “Surto reacional” não é forma básica, e sim episódio imunológico agudo (reação tipo 1 ou 2).

- B) Virchowiana / Dimorfa: Virchowiana (LL) é multibacilar, difusa, simétrica, baciloscopia fortemente positiva e contagiosa—oposto da descrição de I. Dimorfa é instável, baciloscopia variável, não corresponde ao polo “habitualmente estável” com baciloscopia negativa.

- D) Surto reacional / Virchowiana: reação não é forma básica. Virchowiana contraria “não-contagioso” e “baciloscopia negativa” (na LL a baciloscopia é positiva, com muitas lesões mal delimitadas).

- E) Tuberculoide / Dimorfa: a tuberculoide não é “fase inicial” universal; requer imunidade celular forte. A dimorfa não é “habitualmente estável” e pode ter baciloscopia positiva, logo não encaixa a descrição de II.

Aplicação prática (conduta): Na prática operacional do MS/OMS: paucibacilar (≤5 lesões; típico de I/TT) trata-se com poliquimioterapia PB por 6 doses; multibacilar (>5 lesões; BL/LL) por 12 doses, com inclusão de clofazimina. (Ministério da Saúde; WHO MDT)

Fontes: Ministério da Saúde – Guia prático de hanseníase; WHO Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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