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Q3330358 Português

Pesquisadores do Centro de Componentes Semicondutores e Nanotecnologia (CCS Nano) da Unicamp, em Campinas (SP), criaram uma forma de conter deslizamentos de terra e melhorar a qualidade do solo com lignina, um subproduto da indústria de papel geralmente descartado.

        

        A lignina é um material que ajuda na união das fibras de celulose de uma planta e é eliminada na produção de papel. A principal produtora de papel no Brasil produz cerca de 1 milhão de toneladas por ano.


        Segundo os pesquisadores, o produto desenvolvido tem sustentabilidade ambiental por ser feito a partir de um material que é biocompatível, ou seja, que é totalmente absorvido na natureza sem deixar resíduos.


        Para entender como foi descoberto e funciona o composto, o g1 conversou com os pesquisadores do CCS Nano, o físico Stanislav Mochkalev, coordenador das pesquisas e a química Silvia Vaz Guerra Nista. Confira os detalhes abaixo.


Contenção de deslizamento


        Mochkalev trabalha no processamento de nanomateriais há dez anos e utiliza micro-ondas na fabricação de sensores, baterias de lítio e supercapacitores. Recentemente, passou a testar a lignina para responder a uma demanda da indústria de papel que quer dar um destino ao resíduo.


        “Um rejeito da indústria, de fato, um lixo que não custa praticamente nada [...] a maior parte de uso acontece em caldeiras com o pó de lignina quando ela seca, aí ela consegue produzir calor em caldeiras. Mas esse uso é muito poluente”, diz.


        Durante os testes, que envolvem outros aditivos além da lignina e o aquecimento do composto com micro-ondas, ele conta que se formaram estruturas em três dimensões no formato de cápsulas de 1 a 2 cm³ que não estavam previstas.


        "A gente conseguiu fazer cápsulas. Essa descoberta foi, de fato fenomenal", conta. Pois foi a partir deste formato, que revelou ter boa estrutura mecânica e alta porosidade, que o grupo conseguiu ampliar as aplicações do produto. Essas cápsulas são capazes de absorver até cinco vezes o seu peso em água, então surgiu a ideia dos "poços de absorção" para áreas de encosta.



        Ele explica que a ideia é colocar as cápsulas em pequenos poços cilíndricos em uma profundidade de 3 a 5 m no topo de uma área de encosta. No momento que cair a chuva, essa água é absorvida de forma muito rápida, evitando o acúmulo na superfície, e que depois libera gradualmente.


        "A gente tem experimentos no laboratório que mostram que as cápsulas seguram semanas a água, diminuindo o risco de deslizamentos", explica.


        A pesquisadora Nista inclusive falou de uma possibilidade que ainda não foi testada, mas o produto tem potencial para ser utilizado em áreas de risco de enchente absorvendo o excesso de água como uma "esponja". 


Solo biocompatível 


        Outra aplicação para o composto que a equipe observou é a capacidade de emular as propriedades da ‘terra preta’ que é um solo fértil e rico em matéria orgânica encontrado na Amazônia. Dentre os elementos mais comuns, há o grafite e óxido de grafite oriundo das fogueiras e outras coisas da floresta.


        "A terra preta é muito produtiva, quatro a cinco vezes mais produtiva se comparada com a terra comum que é usada na agricultura", explica o físico.


        Segundo os pesquisadores, o objetivo inicial era fazer um pó de lignina, mas ao passar pelo processo de micro-ondas e com a criação das estruturas em forma de cápsulas, perceberam a propriedade de imitar as características físicas de porosidade e absorção de água do solo amazônico.


        Assim, explica que o produto de lignina tem a capacidade de aumentar a produtividade agrícola e reduzir a dependência de fertilizantes químicos. Com o tempo, o solo com o composto deve favorecer a formação de um bioma como um fertilizante natural.


        Além disso, os pesquisadores também ressaltam que é um produto que será absorvido totalmente na natureza sem deixar resíduos.


(“Pesquisa da Unicamp testa o uso de ‘lixo’ da indústria de papel para evitar deslizamentos de terra e melhorar solo para  agricultura”. Marcelo Gaudio, 16/03/2025. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2025/03/16/pesquisa-da-unicamp-testa-uso-de-lixo da-industria-de-papel-para-evitar-deslizamentos-de-terra-e-melhorar-solo-para-agricultura.ghtml. Adaptado) 

Assinale a alternativa que contém um trecho, retirado do texto, de DISCURSO INDIRETO: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão envolve interpretação de texto, especificamente a identificação de discurso direto e discurso indireto conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Definições importantes:
Discurso direto é quando as palavras do falante são apresentadas textualmente, normalmente entre aspas ou travessão. Exemplo: “Ele disse: ‘O solo é fértil’.”
Discurso indireto consiste em relatar a fala de outra pessoa pelo narrador, introduzida por conjunções como que ou se, e adaptando pronomes e tempos verbais. Exemplo: Ele disse que o solo era fértil.

Justificativa da alternativa correta:
A alternativa C) Ele explica que a ideia é colocar as cápsulas em pequenos poços cilíndricos exemplifica o discurso indireto, pois o narrador transmite a fala sem usar as palavras exatas do pesquisador, com uso da conjunção “que” e ajuste nos pronomes e tempos verbais. Segundo Cunha & Cintra e Bechara, a principal marca do discurso indireto é relatar o conteúdo da fala, não a citação literal.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Um rejeito da indústria, de fato, um lixo que não custa praticamente nada [...]”
Citação direta da fala, usando aspas – trata-se de discurso direto.

B) “A gente conseguiu fazer cápsulas.”
Também uma fala direta, entre aspas – é discurso direto.

D) “A terra preta é muito produtiva.”
Outra citação literal entre aspas – configura discurso direto.

Dicas de prova:
Fique atento às marcas linguísticas: aspas e travessões indicam discurso direto; uso de "que" ou "se", sem aspas, indica discurso indireto. Essa atenção evita confusões, que costumam ser pegadinhas frequentes em concursos.

Conclusão: Alternativa C está correta por relatar a fala do pesquisador de forma indireta, seguindo as normas gramaticais.
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Comentários

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C - Ele explica que a ideia é colocar as cápsulas em pequenos poços cilíndricos.

Explicação:

Essa frase é um exemplo de discurso indireto, pois apresenta o conteúdo da fala de alguém sem usar as palavras exatas da pessoa, ou seja, é o narrador quem conta o que foi dito, utilizando verbos como “explica que…”.

As outras alternativas são exemplos de discurso direto, pois reproduzem literalmente o que alguém falou, com o uso de aspas e geralmente na primeira pessoa.

Uma citaçao.

Combati o bom combate, acabei a carreira e mantive a Fé. 2 Timoteo 4:7

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