“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de ...

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Q3543063 História
“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bemfeitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador....” “Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”

Carta de Pero Vaz de Caminha. https://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/carta.pdf.

Com base na Carta de Caminha, podemos inferir que
Alternativas

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Alternativa correta: A

Tema central:
A questão aborda a Carta de Pero Vaz de Caminha, documento histórico fundamental para entender o início da colonização portuguesa no Brasil. O foco está em analisar as intenções portuguesas ao descrever as novas terras e seus habitantes, especialmente em relação a dois pontos: interesses econômicos (exploração colonial e mercantilismo) e religiosos (propagação da fé católica).

Resumo teórico:
O mercantilismo era o sistema econômico vigente na Europa nos séculos XV e XVI, priorizando a acumulação de riquezas e metais preciosos pelas metrópoles. Junto disso, os portugueses buscavam também a evangelização dos povos indígenas, um ideal fortemente incentivado pela Igreja Católica e expresso nos relatos oficiais (como a Carta de Caminha). A Carta, portanto, reflete tanto o interesse material quanto o interesse espiritual da Coroa.

Justificativa da alternativa A:
A alternativa A está correta pois reconhece os dois principais objetivos expressos na carta: o interesse mercantilista (buscar riquezas, explorar recursos naturais e colonizar a terra) e a intenção de salvar os nativos pela fé cristã. Caminha deixa claro que, mesmo sem encontrar metais preciosos, a terra era “graciosa” e tinha potencial econômico, além de afirmar que o “melhor fruto” seria a evangelização dos indígenas. Estas ideias são respaldadas por fontes como História do Brasil (Boris Fausto) e Carta de Pero Vaz de Caminha (documento original).

Análise das alternativas incorretas:
B – Incorreta pois Caminha demonstra, sim, interesse na exploração das terras ao falar de suas riquezas naturais, mesmo sem encontrar ouro ou prata.
C – Incorreta porque, além do objetivo religioso, existia interesse econômico. Além disso, os indígenas já tinham suas próprias crenças e religiões, embora desconhecidas dos portugueses.
D – Errada ao sugerir “superioridade ameríndia”. A carta tem, na verdade, uma visão eurocêntrica de superioridade europeia, ao tratar os nativos quase como “inocentes” e necessitados de salvação.

Estratégias de interpretação:
Sempre observe palavras-chave como “interesse”, “principal fruto”, “evangelizar”, “explorar”. Cuidado com afirmações absolutas ou distorcidas sobre a visão dos portugueses; elas são frequentes como pegadinhas. Relacione o texto sempre ao contexto histórico mais amplo!

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