No que se refere à Síndrome do anticorpo antifosfolípide (SA...
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Tema central: Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma doença autoimune pró-trombótica, caracterizada por tromboses arteriais e venosas e/ou morbidade gestacional, na presença de anticorpos antifosfolípides persistentes (anticardiolipina, anti-β2GP1, anticoagulante lúpico).
Alternativa correta: A — Acidente vascular cerebral (AVC) e acidente isquêmico transitório (AIT) são manifestações neurológicas arteriais comuns na SAF. O acometimento do SNC por trombose arterial é clássico e frequente, sendo uma das apresentações mais típicas da síndrome. Justificativa clínica: a hipercoagulabilidade mediada por anticorpos contra cofatores fosfolipídicos promove trombose arterial, especialmente cerebral, levando a AIT/AVC (Harrison’s; UpToDate; EULAR 2019).
Por que as demais estão incorretas?
- B – Fenômeno de Raynaud e livedo reticular: Livedo reticular é achado cutâneo comum na SAF. Já o Raynaud pode ocorrer, mas é muito mais típico de esclerodermia e outras conectivites; na SAF não é manifestação comum. Logo, o par não contém “somente manifestações comuns”.
- C – Síndrome de Budd–Chiari e osteonecrose: Budd–Chiari (trombose de veias hepáticas) é manifestação descrita porém rara na SAF. Osteonecrose pode ocorrer por microtrombose, mas é incomum e frequentemente relacionada a corticoide. Não compõem o grupo de manifestações frequentes.
- D – Mielite transversa e plaquetopenia: Plaquetopenia é comum na SAF (geralmente leve a moderada). Entretanto, mielite transversa é rara como manifestação neurológica. Portanto, o par não apresenta apenas manifestações comuns.
Como pensar na prova: associe SAF a: - Trombose venosa profunda/TEP e AVC/AIT; - Perdas gestacionais recorrentes, pré-eclâmpsia grave e restrição de crescimento; - Plaquetopenia e livedo reticular. Desconfie de itens que misturam um achado comum com outro raro.
Diagnóstico (revisado em Sydney, 2006): ≥1 critério clínico (trombose vascular ou morbidade gestacional) + ≥1 critério laboratorial (anticardiolipina, anti-β2GP1 ou anticoagulante lúpico positivos em 2 ocasiões, ≥12 semanas). Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate; EULAR 2019 Recommendations.
Dica extra: no tratamento de trombose associada à SAF, a base é anticoagulação com varfarina (INR 2–3; considerar mais alto em arterial). DOACs não são preferidos em pacientes “triple positive”.
Gabarito: A
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