Assinale a alternativa que contém ERRO quanto ao uso do pron...

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Q2639352 Português

O Texto II serve de base para as questões de 04 a 07.


TEXTO II


Julián Fuks

Colunista do UOL

21/01/2023 06h00


Era a primeira noite franca depois de muitos dias de chuva. Casualmente, olhamos para o alto e surpreendemos as estrelas, um céu tão cheio de astros quanto estávamos cheios de desejos. As meninas decidiram fazer pedidos, e Penélope, a menor, tomou a dianteira: quero todo mundo em casa. Pensei no ano duro que deixamos para trás, feito de pressas, fugas, perdas, e senti seu anseio justo e certeiro. Tulipa, a maior, sem baixar a cabeça, mas fechando os olhos com força, não fez bem um pedido, e sim uma exigência para si mesma: quero aprender logo, hoje, amanhã ou depois de amanhã, a escrever todas as palavras. Nada pude responder, não me cabia invadir a intimidade de seu pedido, ouvi-lo era já um excesso. Mas pensei no que havia de ternura e beleza naquela vontade, e na avidez com que ela tem delineado letras em qualquer papel, ou soletrado nomes em sussurros para ninguém. Está começando a aprender a escrever, e já entendeu que as palavras podem ser estranhas, esquivas, insensatas, incertas, que é preciso olhá-las com desconfiança, que podem se reger por leis obscuras que nunca conhecemos por completo. Nada pude dizer, mas pensei naquele momento que essa é também a minha ânsia, que quero aprender logo a escrever todas as palavras. Que essa é tarefa para muitos amanhãs, e que será sorte se ela e eu preservarmos tal desejo a vida inteira.

[...]

Você, Tulipa, já conhece essa vastidão do tempo, e por isso posso escrever este texto confiando que você o lerá amanhã, aos seus quinze, ou vinte, ou trinta anos. Talvez eu não tenha nada a lhe oferecer num amanhã tão longínquo, talvez não lhe interesse amanhã nenhum conselho, mas ainda assim o ofereço, como um pai envelhecido. Paciência, fi lha, é preciso paciência para chegar a escrever todas as palavras. Calma, filha, é possível ter calma porque as palavras não têm pressa, não fogem, não se perdem.

Disponível em: <https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2023/01/21/sobre-criancas-palavras-estrelas-conselho-a-quem-comeca-a-escrever.htm>. Acesso em: 21 jan 2023. (Fragmento).

Assinale a alternativa que contém ERRO quanto ao uso do pronome:

Alternativas

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Tema central: Morfologia – Uso dos Pronomes Pessoais (inclusive em construções com infinitivo). A questão avalia se o candidato reconhece o emprego correto de pronomes "eu" e "mim", frequente em redação técnica e comunicação formal.

Regra fundamental: O pronome “mim” é do caso oblíquo tônico, usado como complemento (nunca como sujeito). Já “eu” é do caso reto e exerce o papel de sujeito, inclusive quando precedido por preposição e seguido de verbo no infinitivo.

Análise da alternativa correta:

E) “Era para mim escrever uma mensagem de despedida.”

Errado. Após “para”, quando o verbo está no infinitivo e refere-se à pessoa que realiza a ação, usa-se “eu” e não “mim”: “Era para eu escrever uma mensagem de despedida.”

Segundo Bechara (2009), “o infinitivo exige sujeito expresso, sendo o caso do pronome reto, não o oblíquo”. A forma “para mim escrever” é considerada erro grave na norma-padrão.

Alternativas corretas e por quê:

A) “Quanto ao livro, eu o lerei na próxima semana.” CORRETA: “Eu” é sujeito, “o” refere-se ao livro. Uso exemplar dos pronomes de acordo com a função.

B) “Nada houve entre mim e ti.”
CORRETA: Após preposição (“entre”), usam-se pronomes oblíquos tônicos (“mim” e “ti”), conforme Cunha & Cintra (2008).

C) “Já é hora de eles voltarem.”
CORRETA: “Eles” é sujeito do infinitivo “voltarem”; nada a corrigir.

D) “Eles afirmaram que lhes bastava a tua palavra.”
CORRETA: “Lhes” usado como complemento indireto de “bastar”, que pede preposição (“a eles”).

Pegadinhas frequentes: Atenção a construções com infinitivo precedidas de preposição! Se você pode substituir por “nós”, “eu”, use o pronome reto. Se a frase pede complemento, use o oblíquo (“para mim”, “a mim”, “comigo”).

Resumo da regra (essencial para concursos):
“MIM” NÃO PODE SER SUJEITO de frase, nem mesmo antes de verbo no infinitivo. O correto, já consagrado em gramáticas normativas, é: “Era para eu fazer”, “Era para nós irmos”.

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Comentários

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"mim" não conjugar verbo

MIM NÃO CONJUGA VERBO.

BIZU ´´mim não faz nada, eu faço tudo´´

MIM NÃO CONJUGA VERBO

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