Assinale a alternativa na qual todas as palavras sejam prop...
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Ano: 2021
Banca:
FAU
Órgão:
Prefeitura de Terra Roxa - PR
Provas:
FAU - 2021 - Prefeitura de Terra Roxa - PR - Médico Generalista I
|
FAU - 2021 - Prefeitura de Terra Roxa - PR - Médico Generalista II |
FAU - 2021 - Prefeitura de Terra Roxa - PR - Médico Generalista IV |
FAU - 2021 - Prefeitura de Terra Roxa - PR - Professor Magistério |
Q4368426
Português
Texto associado
Por que este texto pode mudar seu cérebro — as
descobertas da neurociência sobre a leitura
O título deste texto pode parecer
pretensioso, mas ele reafirma um fato científico: a
leitura muda a química, a física, o funcionamento
e a anatomia do nosso cérebro. A questão é o
quanto o ato de ler consegue transformá-lo. Para
o neurobiólogo espanhol Francisco Mora, isso
depende do texto conseguir despertar nossa
curiosidade e, sobretudo, as emoções. "Você só
pode aprender o que ama", afirmou Mora em seu
livro Neuroeducación, publicado há 8 anos. Este
ensaio sobre como a ciência do cérebro pode
melhorar o ensino e o aprendizado já vendeu
mais de 48 mil cópias e acaba de chegar à sua
terceira edição.
No ano passado, o autor, que também é
professor universitário, publicou Neuroeducación
y lectura (Neuroeducação e leitura), buscando se
aprofundar no que considera "a verdadeira
grande revolução humana": a capacidade de ler.
Antes de sua palestra no evento Hay Festival
Arequipa, no Peru, Mora conversou com a BBC
News Mundo (serviço em espanhol da BBC)
sobre o cérebro, a educação e a leitura.
Resumimos a conversa aqui em quatro pontos
principais.
1. Ler é um processo artificial e recente
"Conquistamos a capacidade de falar por
meio de processos de mutação genética com
o Homo habilis, há cerca de 2 a 3 milhões de
anos", diz Mora. Desde então, nós nascemos
com circuitos neurais da linguagem — embora
seja importante lembrar que só aprendemos a
falar mediante o contato com os outros. "Pode-se
dizer que nascemos com um disco cerebral no
qual podemos gravar, mas que ficará vazio se
nada for gravado nele", escreveu Mora
em Neuroeducación y lectura. A leitura nasceu há
cerca de 6 mil anos com a necessidade de se
comunicar além das tribos e vilarejos, onde
imperava o curto alcance do boca a boca. Além
disso, sua base não é genética, mas artificial —
ou melhor, cultural.
"Ler é um processo que, por não ser
geneticamente codificado (e, portanto, não
transmitido de pais para filhos), se repete
arduamente em cada ser humano e exige um
trabalho duro de aprendizado e memória" que
leva anos, quando não a vida inteira, explica no
livro. Mas "árduo" não significa "sofrido", diz
Mora, que aos 4 anos começou a ser submetido
ao "castigo da leitura no colégio" pelo desconhecimento de seus educadores sobre
como funciona o cérebro.
2. Aprender a ler muito cedo não torna alguém
mais inteligente
As crianças são "verdadeiras máquinas de
aprendizagem" desde o útero, escreve o
pesquisador. Na verdade, "o ser humano precisa
aprender quase tudo". Ler é um dos grandes
marcos no desenvolvimento infantil, algo que
enche os pais de orgulho... ou de preocupação.
"Quando uma mãe percebe que seu filho de 5
anos ainda tem dificuldade para aprender a ler e
que a criança vizinha de 4 anos do outro lado da
rua já lê com fluência, ela pode se perguntar: o
meu filho é mais desajustado?", exemplifica o
autor.
Acontece que a neurociência tem
mostrado que, para aprender a ler, certas partes
do cérebro devem ter amadurecido antes. Isso
pode acontecer já aos 3 anos de idade, mas em
geral se consolida quando as crianças têm 6 ou 7
anos. Por isso, Mora defende que a leitura
comece a ser ensinada formalmente aos 7 anos,
"uma idade em que, quase certamente, as áreas
cerebrais básicas para a leitura estão
suficientemente desenvolvidas e maduras em
todas as crianças".
"Esta é precisamente a idade em que se
começa a aprender a ler em um país tão
avançado na educação quanto é a Finlândia."
Esse é um dos exemplos que o pesquisador mais
gosta de usar para explicar a importância da
neuroeducação, ou seja, uma educação baseada
no funcionamento do cérebro. Além do risco de
gerar sofrimento e frustração ao colocar uma
criança para aprender a ler prematuramente, isso
é ineficaz quanto a resultados futuros.
Em outras palavras, esse início precoce
não gera uma vantagem acadêmica nem torna
alguém mais inteligente. Por outro lado, há algo a
ser feito para ajudar no amadurecimento do
cérebro, que tem um componente genético, mas
também cultural: crescer com pais que leem traz
"uma dimensão emocional que facilita muito o
aprendizado da leitura".
3. A internet está gerando um problema de
atenção
"Ninguém duvida que a internet foi uma
revolução cultural, criando uma 'era digital' em
que a leitura não só é feita mais rapidamente,
mas também de uma forma diferente", escreve
Mora em Neuroeducación y lectura. Diversos
estudos sobre os efeitos da internet nos cérebros
de crianças e adolescentes têm mostrado efeitos
negativos, desde a diminuição da empatia ao
enfraquecimento da capacidade de tomar
decisões.
Conforme explica o autor
em Neuroeducación, para ler precisamos inibir
temporariamente "99% de tudo o que
normalmente pensamos ou que entra no nosso
cérebro e prestarmos atenção em apenas 1%
disso". Além disso, ler exige tempo. Já navegar
na internet "requer um foco de atenção muito
curto e que está em constante mudança". Isso,
diz o espanhol, está debilitando um dos muitos
tipos de atenção que existem: a atenção
executiva. "É aquela que você precisa quando
está fazendo um plano de trabalho, aquela que
precisa para estudar", explica, acrescentando que
se trata de uma atenção "sustentada" e
"repousada". Há até quem fale de uma nova
forma de atenção, a digital.
Mora reconhece que hoje não faz sentido
memorizar a data de nascimento de uma
personalidade histórica, quando o Google pode
responder isso rápida e corretamente — mas isso
não significa que a memória deixou de ser
importante na sala de aula. "É preciso memorizar,
e muito, porque suas memórias são o que você
é", diz ele. "Não é bom lembrar alguma poesia ou
o trecho de algum livro que vá embelezar sua
fala?" "Essa é uma dimensão importante da sua
individualidade, daquilo que o torna diferente."
4. Ler muda o cérebro (e você)
Embora o cérebro não seja geneticamente
projetado para ler, esse órgão tem uma
propriedade fundamental para isso: a
plasticidade. A palavra vem do grego "plastikós",
que significa "mudança" ou "modelagem".
Aprender a ler altera principalmente uma parte do
cérebro que tem a função também de identificar
formas e detectar rostos — na mesma medida,
com a leitura, começamos a processar e construir
palavras. "O que (o professor) ensina tem a
capacidade de mudar o cérebro das crianças em
sua física e química, em sua anatomia e
fisiologia, fazendo aumentar algumas sinapses,
eliminando outras, formando circuitos neurais
cujas funções se expressam no comportamento",
escreve Mora em Neuroeducación.
Mas as transformações não acontecem
apenas no nível fisiológico: como diz o autor em
seu outro livro, Neuroeducación y lectura, "uma
pessoa muda não só com o vivido, mas também
com o lido". "Ler não é um ato passivo de
absorção do que está escrito em determinado
documento ou livro, mas um processo ativo, ou
até recreativo ('criar novamente'), em relação ao
descrito ali." Como escreveu o filósofo italiano
Umberto Eco, em uma citação que Mora adora
lembrar: "Quem não lê, aos 70 anos terá vivido
apenas uma vida. Quem lê, terá vivido 5 mil anos.
Ler é uma imortalidade retroativa."
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59129496 Acesso em 13 de novembro de 2021.
Assinale a alternativa na qual todas as
palavras sejam proparoxítonas: