Releia esta passagem do texto: ...
Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você
Chico Buarque
“Diz pra eu não ficar sentida".
Essa é uma construção típica da oralidade, característica da linguagem brasileira de uso corrente, no entanto, segundo a Norma Culta da Língua Portuguesa, o período acima configura alguns desvios em relação ao padrão normativo gramatical escrito. Se fôssemos adequá-lo à Norma, em sua totalidade, como deveríamos reescrevê-lo?
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Gabarito comentado
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Tema central: Variação linguística (oralidade versus norma-padrão) e colocação pronominal (ênclise).
Na frase “Diz pra eu não ficar sentida”, observamos uma construção típica da linguagem falada, marcada pela informalidade. Em concursos, espera-se que o candidato saiba identificar e corrigir desvios quanto à norma culta, especialmente quando envolver o emprego e a posição dos pronomes pessoais oblíquos como “me”.
Pela norma-padrão, aprendemos com Bechara e Cunha & Cintra: não se inicia oração com pronome oblíquo átono (“Me diga”); o correto é usar ênclise (“Diga-me”). Também, a regência do verbo “dizer” exige o uso de pronome oblíquo adequado.
Alternativa correta:
A) Diz-me que não fique sentida.
Análise: Utiliza ênclise (“diz-me”), em conformidade com a regra. O uso do “que” introduz a oração subordinada no subjuntivo (“que não fique sentida”), atendendo à formalidade e clareza recomendadas pela norma culta (vide Bechara, “Moderna Gramática Portuguesa”). Trata-se de adequação plena à gramática normativa.
Análise das incorretas:
B) Diz a mim para não ficar sentida.
Forma mais rebuscada e pouco usual na escrita formal. A expressão “diz a mim” é semanticamente possível, mas pouco natural na norma culta para este contexto.
C) Diz-me não ficar sentida.
Falta o conectivo necessário (“para” ou “que”), resultando em estrutura truncada e sentido ambíguo.
D) Diz a mim para que não fique sentida.
Embora gramaticalmente aceitável, apresenta excesso de formalismo e é pouco usada em padrões apreciados pela redação oficial.
E) Diz para eu não ficar sentida.
Mantém o erro original: próclise inadequada com o início da frase (“diz para eu...”), típica da oralidade.
Estratégia de prova: Procure sempre observar a posição do pronome e identifique a presença de conectivos ou preposições que garantem coesão, clareza e padrão formal à construção. Lembre-se: em frases iniciadas pelo verbo, priorize a ênclise.
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Comentários
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Quem diz, diz alguma coisa a alguém. logo, DIZER é VTDI:
Diz-me (objeto indireto) que não fique sentida (objeto direto)
NÃO ENTENDI.
Justificativa da E
ERRADA - Pois, os pronomes retos (eu, tu , ele ...) não podem vir preposicionados.(Tem exceções)
Fonte: A gramática de concursos,Pestana.
Alguém sabe por que as outras estão erradas?
Bem, eu não consegui invalidar as alternativas, inclusive errei a questão. Talvez seja a letra a, pois o papel da oração é ser o objeto direto do verbo dizer.
O verbo dizer é VTD ou VTDI, não encontrei em algum lugar dizer que ele possa ser intransitivo ou apenas transitivo indireto.
Logo, ele terá uma das duas formas: Diz algo (OD) a alguém (OI) / Diz algo (OD).
"Diz pra eu não ficar sentida" na questão, pra eu não ficar sentida tem papel de OD, então é uma oração subordinado substantiva objetiva direta. Mas a oração está começando com a conjugação para que significa finalidade e oração substantiva (substuti termos da oração como sujeito, OD, OI, CN e outros) deve começar com conjunção integrante (que ou se) ou deve estar na forma reduzida de infinitivo.
Acho que por isso que a resposta é a letra a, pois é a únic que inicia corretamente o objeto direto em forma de oração, usando a conjunção que. Mas não sei dizer o erro da c.
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