O texto I apresenta dois enfoques:

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Q3364957 Português
TEXTO I


Explicar não é justificar

Os gregos e os romanos aceitavam a escravidão porque não imaginavam que uma sociedade pudesse funcionar sem escravos. Como o filósofo Sêneca, insistiam apenas em que se reconhecessem alguns direitos aos escravos: que fosse, por exemplo, proibido utilizá-los com finalidades sexuais. Estamos na mesma posição quando se trata da pobreza. Estamos convencidos de que uma sociedade justa deve procurar erradicá-la. Mas, como não conseguimos conceber os meios que permitem atingir esse objetivo, aceitamos que uma sociedade comporte grandes bolsões de pobreza. Em contrapartida, não hesitamos em condenar a prática da escravidão.

(Raymond Boudon, O relativismo. Trad. de Edson Bini. São Paulo: Loyola, 2010. p. 41)
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Alternativas

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Tema da questão: Interpretação de texto — identificação dos eixos temáticos (enfoques) do texto, observando marcadores discursivos e a organização comparativa das ideias.

Estratégia para resolver:

  • Localize os assuntos centrais repetidos ou contrapostos ao longo do texto (tópicos que estruturam o raciocínio).
  • Observe os marcadores de coesão: termos como “Mas” e “Em contrapartida” sinalizam contraste entre dois enfoques.
  • Evite confundir personagens/grupos mencionados (gregos, romanos, escravos) com o que a questão pede: os enfoques (os temas discutidos).

Palavras-chave do texto que revelam os enfoques: “escravidão” e “pobreza”. O autor compara a aceitação antiga da escravidão com a aceitação contemporânea da pobreza, destacando um contraste moral por meio de “Mas” e “Em contrapartida”.

Alternativa correta: C — “o da escravidão e o da pobreza”.

O texto organiza seu argumento em dois eixos temáticos: primeiro, discute-se a escravidão (aceita por gregos e romanos sob certas condições); depois, estabelece-se um paralelo com a pobreza (que, embora considerada injusta, é tolerada por não sabermos como erradicá-la). A presença de marcadores de contraste como “Mas” e “Em contrapartida” evidencia a comparação/ oposição entre esses dois temas. Assim, os enfoques são, de fato, escravidão e pobreza.

Pegadinha comum: confundir enfoques (temas) com agentes (gregos, romanos, escravos). A questão pede os temas discutidos, não os grupos citados.

Por que as demais alternativas estão incorretas?

  • A – “gregos” e “romanos”: designam povos, não os temas em foco. São exemplos históricos usados para tratar do tema escravidão.
  • B – “romanos” e “escravos”: mistura um grupo social com uma categoria de pessoas, mas não identifica os assuntos centrais da argumentação.
  • D – “romanos” e “escravos pobres”: além de confundir agentes com temas, ainda cria uma combinação que o texto não traz (“escravos pobres” não é foco nem expressão central do argumento).
  • E – “escravidão” e “finalidades sexuais”: “finalidades sexuais” aparece apenas como exemplo de um direito proposto (proibição de uso sexual dos escravos), não como enfoque do texto.

Fundamentação linguística útil (para você aplicar em provas):

  • Coesão e operadores argumentativos: “Mas” (conjunção adversativa, cf. Gramática do Português, Bechara; Cunha & Cintra) e “Em contrapartida” (locução adverbial com valor contrastivo) orientam a leitura para o contraste entre dois temas.
  • Paralelismo semântico: o autor traça um paralelo entre escravidão (no passado) e pobreza (no presente) para sustentar a tese do título (“Explicar não é justificar”).

Resumo para memorizar: Quando a pergunta for “quais são os enfoques?”, procure os eixos temáticos que estruturam o texto, não os personagens citados. Aqui, os eixos são escravidão e pobrezaAlternativa C.

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Comentários

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O texto faz um paralelo entre a aceitação da escravidão na Antiguidade (gregos e romanos) e a aceitação da pobreza na sociedade contemporânea. Em ambos os casos, o autor destaca que a aceitação ocorre não por justificativa moral, mas por incapacidade de imaginar alternativas viáveis.

  • Escravidão: aceita pelos antigos porque não concebiam uma sociedade sem ela.
  • Pobreza: aceita hoje porque não conseguimos conceber os meios para erradicá-la, embora saibamos que deveríamos.

Assim, o texto contrapõe dois temas centraisa escravidão e a pobreza — exatamente como diz a alternativa C.

GABARITO:C

O autor compara a aceitação da escravidão na antiguidade (pelos gregos e romanos) com a aceitação da pobreza na sociedade atual, destacando como ambas são toleradas por falta de alternativas imagináveis, apesar de ideais contrários (direitos para escravos e erradicação da pobreza).

AVANTE GUERREIROS E GUERREIRAS DA PC-ES!

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