Um paciente do sexo masculino, 61 anos, etilista e tabagist...
Assinale a alternativa CORRETA:
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Tema central: neoplasias malignas da cavidade oral, especialmente o carcinoma epidermoide (espinocelular), principal câncer oral em adultos, fortemente associado a tabagismo e etilismo, e que frequentemente acomete a borda lateral da língua.
Alternativa correta: C — Carcinoma epidermóide (espinocelular)
Justificativa clínica: Úlcera indolor com bordas elevadas e endurecidas, em lateral de língua, associada a eritroleucoplasia e infiltração tecidual, em paciente idoso, tabagista e etilista, é padrão clássico de CEC oral invasivo. Lesões eritroleucoplásicas têm alto risco de displasia/carcinoma, e a induração indica invasão. Esses são “red flags” de malignidade (Neville; UpToDate; WHO 5ª ed.).
Como confirmar: Biópsia incisional na borda da lesão incluindo tecido sadio adjacente é obrigatória para diagnóstico histopatológico. Estadiamento com TC/MRI da cavidade oral/pescoço e avaliação cervical (USG/TC) conforme suspeita de metástase linfonodal. Diretrizes: NCCN Head and Neck Cancers (v.2024), UpToDate.
Conduta de escolha (resumo): Ressecção cirúrgica com margens oncológicas; manejo eletivo/terapêutico do pescoço conforme profundidade de invasão e N clínico; radioterapia/adjuvância com quimio em casos avançados ou fatores de alto risco (margens positivas, ECE, PNI). (NCCN).
Por que as outras não se aplicam?
A) Carcinoma verrucoso: lesão exofítica, verrucosa, de crescimento lento, geralmente não ulcerada e sem induração profunda; metastatiza raramente. O quadro descrito é ulcerado e infiltrativo.
B) Eritroplasia idiopática: placa vermelha aveludada de alto risco, mas isolada; não explica úlcera indurada com infiltração. Aqui, o achado sugere invasão e, portanto, CEC, não apenas lesão potencialmente maligna.
D) Granuloma piogênico ulcerado: proliferação vascular benigna, muito sangrante, mole, pedunculada, comum em gengiva e pacientes jovens/gestantes. Não cursa com bordas endurecidas nem infiltração.
E) Úlcera traumática: costuma ser dolorosa e regride em 10–14 dias após remoção do trauma. A persistência por semanas, a induração e a eritroleucoplasia, em paciente de risco, afastam essa hipótese.
Estratégia de prova: Diante de úlcera oral que não cicatriza em >2 semanas, com induração e em área de alto risco (lateral de língua), pense primeiro em CEC e indique biópsia. Palavras-chave: “eritro(leuco)plasia”, “bordas elevadas/endurecidas”, “infiltração”, “tabagista/etilista”.
Referências rápidas: Neville BW. Patologia Oral e Maxilofacial; WHO Classification of Head and Neck Tumours (5ª ed.); UpToDate: Oral cavity SCC; NCCN Guidelines Head and Neck (2024).
Gabarito: C
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O carcinoma epidermoide (ou carcinoma espinocelular – CEC) é o câncer maligno mais comum da cavidade oral, originado do epitélio escamoso que reveste a mucosa.
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Definição
Tumor maligno epitelial, com capacidade de invasão local e metástases (principalmente linfonodais cervicais).
Surge por transformação maligna das células do epitélio escamoso estratificado da mucosa oral.
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Epidemiologia
Representa 90-95% dos cânceres de boca.
Acomete mais homens acima de 40 anos.
Fatores de risco importantes:
Tabagismo (principal).
Etilismo (álcool potencializa o efeito do tabaco).
Infecção por HPV (principalmente subtipos 16 e 18).
Traumas crônicos e má higiene oral.
Exposição solar (especialmente em lábio inferior).
Condições potencialmente malignas: leucoplasia, eritroplasia, líquen plano erosivo.
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Localização mais comum
Língua (bordo lateral e ventre).
Assoalho bucal.
Palato mole.
Lábio inferior.
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Aspectos clínicos
Pode se apresentar de diferentes formas:
Úlcera indurada de bordas elevadas e endurecidas (mais comum).
Lesão exofítica (vegetante).
Lesão infiltrativa.
Lesão leucoplásica (placa branca) ou eritroplásica (placa vermelha).
Evolui lentamente, mas com potencial destrutivo.
Geralmente indolor no início; dor surge em fases avançadas.
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Diagnóstico
Exame clínico com palpação de linfonodos cervicais.
Biópsia incisional (confirma diagnóstico).
Exames complementares: tomografia, ressonância e ultrassonografia de pescoço para estadiamento.
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Metástases
Ocorrem principalmente por via linfática → linfonodos cervicais.
Metástases à distância (pulmão, fígado, ossos) são menos comuns.
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Tratamento
Cirurgia (ressecção com margens) é a principal modalidade.
Radioterapia e/ou quimioterapia podem ser associadas, especialmente em casos avançados (estadiamento TNM).
Prognóstico depende do tamanho do tumor e da presença de metástases linfonodais.
Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura.
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Prognóstico
Tumores < 2 cm e sem metástases têm bom prognóstico.
Metástases linfonodais reduzem significativamente a sobrevida.
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