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Q3412257 Odontologia
Um paciente do sexo masculino, 61 anos, etilista e tabagista crônico, apresenta úlcera indolor com bordas elevadas e endurecidas na lateral da língua há 3 semanas. Ao exame, nota-se área eritroleucoplásica com infiltração tecidual. De acordo com as alternativas a seguir, qual é o diagnóstico seria o mais provável?

Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas

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Tema central: neoplasias malignas da cavidade oral, especialmente o carcinoma epidermoide (espinocelular), principal câncer oral em adultos, fortemente associado a tabagismo e etilismo, e que frequentemente acomete a borda lateral da língua.

Alternativa correta: C — Carcinoma epidermóide (espinocelular)

Justificativa clínica: Úlcera indolor com bordas elevadas e endurecidas, em lateral de língua, associada a eritroleucoplasia e infiltração tecidual, em paciente idoso, tabagista e etilista, é padrão clássico de CEC oral invasivo. Lesões eritroleucoplásicas têm alto risco de displasia/carcinoma, e a induração indica invasão. Esses são “red flags” de malignidade (Neville; UpToDate; WHO 5ª ed.).

Como confirmar: Biópsia incisional na borda da lesão incluindo tecido sadio adjacente é obrigatória para diagnóstico histopatológico. Estadiamento com TC/MRI da cavidade oral/pescoço e avaliação cervical (USG/TC) conforme suspeita de metástase linfonodal. Diretrizes: NCCN Head and Neck Cancers (v.2024), UpToDate.

Conduta de escolha (resumo): Ressecção cirúrgica com margens oncológicas; manejo eletivo/terapêutico do pescoço conforme profundidade de invasão e N clínico; radioterapia/adjuvância com quimio em casos avançados ou fatores de alto risco (margens positivas, ECE, PNI). (NCCN).

Por que as outras não se aplicam?

A) Carcinoma verrucoso: lesão exofítica, verrucosa, de crescimento lento, geralmente não ulcerada e sem induração profunda; metastatiza raramente. O quadro descrito é ulcerado e infiltrativo.

B) Eritroplasia idiopática: placa vermelha aveludada de alto risco, mas isolada; não explica úlcera indurada com infiltração. Aqui, o achado sugere invasão e, portanto, CEC, não apenas lesão potencialmente maligna.

D) Granuloma piogênico ulcerado: proliferação vascular benigna, muito sangrante, mole, pedunculada, comum em gengiva e pacientes jovens/gestantes. Não cursa com bordas endurecidas nem infiltração.

E) Úlcera traumática: costuma ser dolorosa e regride em 10–14 dias após remoção do trauma. A persistência por semanas, a induração e a eritroleucoplasia, em paciente de risco, afastam essa hipótese.

Estratégia de prova: Diante de úlcera oral que não cicatriza em >2 semanas, com induração e em área de alto risco (lateral de língua), pense primeiro em CEC e indique biópsia. Palavras-chave: “eritro(leuco)plasia”, “bordas elevadas/endurecidas”, “infiltração”, “tabagista/etilista”.

Referências rápidas: Neville BW. Patologia Oral e Maxilofacial; WHO Classification of Head and Neck Tumours (5ª ed.); UpToDate: Oral cavity SCC; NCCN Guidelines Head and Neck (2024).

Gabarito: C

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O carcinoma epidermoide (ou carcinoma espinocelular – CEC) é o câncer maligno mais comum da cavidade oral, originado do epitélio escamoso que reveste a mucosa.

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Definição

Tumor maligno epitelial, com capacidade de invasão local e metástases (principalmente linfonodais cervicais).

Surge por transformação maligna das células do epitélio escamoso estratificado da mucosa oral.

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Epidemiologia

Representa 90-95% dos cânceres de boca.

Acomete mais homens acima de 40 anos.

Fatores de risco importantes:

Tabagismo (principal).

Etilismo (álcool potencializa o efeito do tabaco).

Infecção por HPV (principalmente subtipos 16 e 18).

Traumas crônicos e má higiene oral.

Exposição solar (especialmente em lábio inferior).

Condições potencialmente malignas: leucoplasia, eritroplasia, líquen plano erosivo.

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Localização mais comum

Língua (bordo lateral e ventre).

Assoalho bucal.

Palato mole.

Lábio inferior.

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Aspectos clínicos

Pode se apresentar de diferentes formas:

Úlcera indurada de bordas elevadas e endurecidas (mais comum).

Lesão exofítica (vegetante).

Lesão infiltrativa.

Lesão leucoplásica (placa branca) ou eritroplásica (placa vermelha).

Evolui lentamente, mas com potencial destrutivo.

Geralmente indolor no início; dor surge em fases avançadas.

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Diagnóstico

Exame clínico com palpação de linfonodos cervicais.

Biópsia incisional (confirma diagnóstico).

Exames complementares: tomografia, ressonância e ultrassonografia de pescoço para estadiamento.

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Metástases

Ocorrem principalmente por via linfática → linfonodos cervicais.

Metástases à distância (pulmão, fígado, ossos) são menos comuns.

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Tratamento

Cirurgia (ressecção com margens) é a principal modalidade.

Radioterapia e/ou quimioterapia podem ser associadas, especialmente em casos avançados (estadiamento TNM).

Prognóstico depende do tamanho do tumor e da presença de metástases linfonodais.

Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura.

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Prognóstico

Tumores < 2 cm e sem metástases têm bom prognóstico.

Metástases linfonodais reduzem significativamente a sobrevida.

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