Certa vez, ao pedir informações, um rapaz confundiu
esquerda com direita. Isso me fez pensar na dificuldade
que muitos tem em se orientar no espaço — e, quem
sabe, no tempo também.
Vi isso no meu neto Guilherme, de três anos,
aprendendo com entusiasmo os sentidos de frente, trás,
direita. Mas mesmo nós, adultos, às vezes, erramos o
rumo. Olhamos para frente, mas enxergamos para trás.
Seguimos o retrovisor, presos ao passado, como atores
repetindo o mesmo roteiro. O que já vivemos pesa como
uma mala cheia de pedras, nos impede de ver com
clareza o que podemos ser.
Nossa história deve ser bagagem útil, não fardo. O
menino aprenderá logo. E eu também quero aprender:
largar parte dessa carga, limpar os óculos da alma.
"Tudo passa", dizia a tatuagem de um jogador. Sim, mas
às vezes as marcas ficam. Ainda assim, vale tentar —
deixar a mala para trás e seguir com um novo olhar.
A metáfora da "mala cheia de pedras", central à
construção simbólica do texto, articula-se com os demais elementos discursivos de maneira a expressar uma
crítica e, ao mesmo tempo, uma esperança.
Considerando os elementos implícitos e os efeitos de
sentido provocados por essa construção metafórica,
assinale a alternativa que interpreta de forma mais
abrangente e coerente a proposta reflexiva do texto:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
Veja como esse erro impacta seu desempenho geral. Ver estatísticas