A concepção de linguagem e de gramática que agora
consideramos tem bases fortemente humanistas: todo homem,
sejam quais forem suas condições, nasce dotado de uma
faculdade da linguagem como parte de sua própria capacidade
e dignidade humanas. Mesmo que restem muitos pontos
obscuros quanto à natureza e à extensão dessa faculdade,
isso significa que, sem distinção, todas as crianças desenvolvem
uma gramática interna.
Fica excluída, assim, toda valoração de uma língua ou
modalidade de língua em relação a outra e qualquer forma
de discriminação preconceituosa da modalidade popular.
Não faz sentido contrapor uma linguagem erudita a uma
linguagem vulgar, nem tentar substituir uma pela outra. Trata-
-se de levar a criança a dominar uma outra linguagem, por
razões culturais, sociais e políticas bastante justificáveis.
FRANCHI, C. Mas o que é mesmo gramática?.
São Paulo: Parábola, 2006 (adaptado).
TEXTO 2
Franchi (2006) apresenta a seguinte reflexão de uma professora
acerca de uma redação contendo desvios normativos: “esse
aluno escreve como fala. E isso a gente pode ver na grafia e nos
erros de concordância. Eu não aceito essa onda de que não tem
mais certo e errado. A redação fica horrível nessa linguagem
vulgar. Há regras e normas para tudo e as crianças têm que
aprender a escrever de acordo com o que foi estabelecido pelos
bons escritores e pelos que conhecem a língua. O aluno tem
direito de conhecer as belezas da sua própria língua.”
Considerando o conceito de gramática apresentado no
texto 1, qual prática docente está alinhada a uma abordagem
investigativa e científica do ensino de gramática?