Em relação ao texto “Crônica sobre a esperança”, é correto ...

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Q3793680 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Crônica sobre a esperança


    De acordo com o dicionário da língua portuguesa, a esperança é a confiança de que algo bom vai acontecer, ou a espera baseada no desejo de que algo bom vá se tornar realidade. O certo é que durante muito tempo a esperança foi debatida por pensadores, filósofos, poetas, políticos e tantos outros que veem nesta ora uma virtude ora um subterfúgio para a fuga da realidade.

    Albert Camus, por exemplo, sempre pessimista, disse que “toda a infelicidade dos homens nasce da esperança”. O grande mestre romano da política, Sêneca, foi peremptório: “deixarás de temer quando deixares de ter esperança”. Mas o mesmo Sêneca afirma que “os desejos da vida formam uma corrente cujos elos são as esperanças”.

    Quando falamos de esperança, tratamos, indiscutivelmente, de valores que, para muitos, são essenciais, na medida que é através destes sentimentos que encontramos sentido para a realização de sonhos, de desejos, de utopias. A esperança, portanto, é um ponto de partida, uma busca por algo que acreditamos ser possível alcançar, e quando isto deixa de existir, morrem-se os sonhos e, consequentemente, surge a infelicidade.

    Neste sentido, não há contradição nas assertivas de Camus e de Sêneca. Se existe medo de algo ruim, é porque existe a expectativa de algo bom. Logo, o fim da esperança é o fim do medo, mas ao mesmo tempo pode significar o fim do desejo de lutar. E é evidente que o fim das esperanças traz infelicidades, pois estas são uma consequência da não realização das expectativas quanto a determinado fato ou situação.

    Desta forma, a esperança, antes de tudo, é elemento que impulsiona a nossa vontade construtora, uma arma poderosa para enfrentar as dificuldades, e um caminho para chegar a determinado fim. É possível que as esperanças sejam exageradas, absurdas? Talvez, mas como disse certa vez Albert Einstein, “se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela”. Logo ele, o mestre do impossível, o homem que relativizou a própria matemática... (...)


MIRANDA, Sandro Ari Andrade de. Crônica sobre a esperança. Diário Liberdade. Disponível em <https://gz.diarioliberdade.org/mundo/item/123599-cronica-sobre-a-esperanca.html>. 


Em relação ao texto “Crônica sobre a esperança”, é correto afirmar que o autor:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a progressão argumentativa do texto: o autor apresenta uma visão pessimista da esperança em “Albert Camus, por exemplo, sempre pessimista, disse que “toda a infelicidade dos homens nasce da esperança””, depois uma valorização positiva em “Quando falamos de esperança, tratamos, indiscutivelmente, de valores que, para muitos, são essenciais (...) A esperança, portanto, é um ponto de partida (...)”, e conclui que “não há contradição nas assertivas de Camus e de Sêneca”. Isso confirma a coexistência de dois ângulos sobre o tema e conduz à alternativa B.

Tema central: esperança
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a expressão “totalmente otimista” é incompatível com trechos em que a esperança aparece associada à “infelicidade”, ao medo e à fala de Camus, apresentado como “sempre pessimista”. O texto não é unilateralmente positivo.
B
Certa
A alternativa B sintetiza com fidelidade o movimento do texto. O autor introduz uma visão negativa da esperança ao citar Camus e ao mencionar “infelicidade”, “temer” e “fim da esperança”; depois, atribui à esperança valor positivo ao chamá-la de “valores (...) essenciais”, “ponto de partida” e “arma poderosa para enfrentar as dificuldades”. Além disso, ele não deixa essas perspectivas separadas: afirma expressamente que “não há contradição nas assertivas de Camus e de Sêneca”. Portanto, o texto trata a esperança sob dois ângulos valorativos, um mais pessimista e outro mais otimista.
C
Errada
Está errada porque a expressão “totalmente pessimista” é desmentida por passagens em que a esperança é valorizada como “valores (...) essenciais”, “ponto de partida” e “arma poderosa para enfrentar as dificuldades”. O texto também afirma explicitamente sua dimensão positiva.
D
Errada
Está errada porque o autor não apenas reúne citações; ele as relaciona interpretativamente. O trecho “Neste sentido, não há contradição nas assertivas de Camus e de Sêneca” elimina a ideia de ausência de relação entre os pensamentos citados.
E
Errada
Está errada porque o texto não apresenta “somente” ideias pessoais do autor. Há definição inicial atribuída ao dicionário e citações explícitas de Camus, Sêneca e Einstein. Logo, a construção do texto depende também de outras vozes.
Pegadinha da questão
A banca explora leituras absolutas. As alternativas com “totalmente” e “somente” parecem plausíveis se o leitor se fixa apenas em um trecho, mas o texto é matizado e ainda explicita a conciliação entre perspectivas distintas.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a alternativa resume o texto inteiro, e não apenas um parágrafo ou uma citação isolada.
  • Desconfie de palavras de totalização, como “totalmente” e “somente”, quando o texto apresenta nuances.
  • Observe se o autor apenas cita outras vozes ou se comenta, interpreta e articula essas vozes no argumento central.

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