No trecho “(…) o amante se interpõe e o marido o mata”, ret...

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Q3541898 Português
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Coisas jurídicas


     Este negócio de assassinatos perpetrados pelos maridos, por adultério da mulher, dá lugar a muitas reflexões. A estupidez desses matadores é evidente; a sua perversidade não é menos.

     Mas os jornais, no dever de forçar a publicidade e provocar a curiosidade, trazem à tona cousas bem interessantes.

     Não quero falar bobagens e quinquilharias da vida doméstica de um qualquer casal: não quero falar do caderno da venda nem das reclamações do vizinho; não quero falar do choro das crianças nem das palmadas paternas e maternas. Tudo isto é igual em todas as notícias desses casos tristes em que um bobo ou perverso marido mata a mulher porque adulterou.

    No último caso, porém, em que isso se deu, surgiu uma situação onde a bodega de lei dança uma dança macabra com a justiça e a razão. Relembro um pouco um sujeito qualquer que descobre a mulher em flagrante adultério. Tenta matá-la à faca; o amante se interpõe e o marido o mata. Bem. Até aí, nada de novo.

   O que de novo aparece é o código civil ou criminal ou lá que for. Qualquer de um desses famosos calhamaços diz que a essa pobre mulher que escapou de ser morta, e, se o não foi, deve-o à generosa coragem do seu amante; a essa pobre mulher o calhamaço dá direito, ao matador manqué, de processá-la e arranjar a sua condenação a um ano de prisão celular.

    Ora bolas! O que é mais grave é o adultério ou a tentativa de assassinato? Então o tipo que me mata ou tenta matar-me porque furtei um pão à sua padaria, pode processar-me por crime de furto?

   Então eu que atiro e firo o gatuno que me vai furtar as galinhas do quintal, posso processá-lo por crime de furto?

   Já se viu uma cousa dessas?

   Essa jurisprudência é uma coisa muito engraçada!


Lima Barreto
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17281/coisas-
juridicas Acesso: 18/03/2024
No trecho “(…) o amante se interpõe e o marido o mata”, retirado do texto, os verbos estão conjugados, respectivamente, no 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão aborda o reconhecimento e análise dos tempos e modos verbais — tema fundamental em Morfologia —, exigindo o domínio da conjugação verbal na norma-padrão.

Justificativa da alternativa correta (B):

No trecho analisado — “o amante se interpõe e o marido o mata” —, observe que ambas as formas verbais (“se interpõe” e “mata”) estão conjugadas na terceira pessoa do singular, no presente do indicativo.

Segundo a Gramática de Celso Cunha & Lindley Cintra, o presente do indicativo é utilizado para relatar fatos atuais, rotineiros ou universais, e é marcado pela certeza e objetividade do enunciado. Veja:

  • “Se interpõe” (verbo interpor): Presente do indicativo — ele/ela se interpõe.
  • “Mata” (verbo matar): Presente do indicativo — ele/ela mata.

Ambas expressam ações simultâneas e concretas, sem indicar hipótese ou dúvida (característica do subjuntivo) nem uma ação concluída (particípio). Portanto, a alternativa correta é:

B) presente do indicativo / presente do indicativo.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Presente do subjuntivo não se aplica, pois não há ideia de desejo ou hipótese nos verbos usados.
  • C) Ambos no subjuntivo: errada pelo mesmo motivo.
  • D) Mistura tempos — “mata” também está no indicativo, não no subjuntivo.
  • E) “Mata” não é particípio; a forma correspondente seria “matado” ou “morto”.

Dicas para a prova:

  • Leia atentamente o período verbal; identifique o sujeito e relacione à flexão correta.
  • Observe o contexto: presente do indicativo descreve ações reais/concretas; subjuntivo marca hipótese/possibilidade.
  • Cuidado com armadilhas que misturam tempos ou modos verbais na mesma oração: a ação habitual do indicativo difere da incerteza do subjuntivo.

Referência: Cunha & Cintra (2013), Bechara (2009), Manual de Redação da Presidência da República: conjugue sempre pelo núcleo do sentido e identifique o tempo/modalidade.

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Gabarito "B"

Alternativa correta: B — presente do indicativo / presente do indicativo.

No trecho:

Vamos analisar os dois verbos:

  1. “se interpõe” → vem do verbo interpor, conjugado na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo.
  2. (eu interponho, tu interpões, ele se interpõe, nós interpomos, vós interpondes, eles interpoem)
  3. “mata” → vem do verbo matar, também na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo.
  4. (eu mato, tu matas, ele mata, nós matamos, vós matais, eles matam)

Conclusão:

Ambos os verbos estão no presente do indicativo.

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