São sinônimos da palavra “perpretados”, em destaque no text...

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Q3541896 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.


Coisas jurídicas


     Este negócio de assassinatos perpetrados pelos maridos, por adultério da mulher, dá lugar a muitas reflexões. A estupidez desses matadores é evidente; a sua perversidade não é menos.

     Mas os jornais, no dever de forçar a publicidade e provocar a curiosidade, trazem à tona cousas bem interessantes.

     Não quero falar bobagens e quinquilharias da vida doméstica de um qualquer casal: não quero falar do caderno da venda nem das reclamações do vizinho; não quero falar do choro das crianças nem das palmadas paternas e maternas. Tudo isto é igual em todas as notícias desses casos tristes em que um bobo ou perverso marido mata a mulher porque adulterou.

    No último caso, porém, em que isso se deu, surgiu uma situação onde a bodega de lei dança uma dança macabra com a justiça e a razão. Relembro um pouco um sujeito qualquer que descobre a mulher em flagrante adultério. Tenta matá-la à faca; o amante se interpõe e o marido o mata. Bem. Até aí, nada de novo.

   O que de novo aparece é o código civil ou criminal ou lá que for. Qualquer de um desses famosos calhamaços diz que a essa pobre mulher que escapou de ser morta, e, se o não foi, deve-o à generosa coragem do seu amante; a essa pobre mulher o calhamaço dá direito, ao matador manqué, de processá-la e arranjar a sua condenação a um ano de prisão celular.

    Ora bolas! O que é mais grave é o adultério ou a tentativa de assassinato? Então o tipo que me mata ou tenta matar-me porque furtei um pão à sua padaria, pode processar-me por crime de furto?

   Então eu que atiro e firo o gatuno que me vai furtar as galinhas do quintal, posso processá-lo por crime de furto?

   Já se viu uma cousa dessas?

   Essa jurisprudência é uma coisa muito engraçada!


Lima Barreto
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17281/coisas-
juridicas Acesso: 18/03/2024
São sinônimos da palavra “perpretados”, em destaque no texto, EXCETO:
Alternativas

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Comentário do Gabarito:

Tema central: A questão aborda semântica e interpretação de sinônimos, especialmente importante para o cargo de jornalista, que exige precisão vocabular, clareza textual e domínio da norma-padrão. Compreender sinônimos evita erros de compreensão e ambiguidade – habilidades valorizadas em provas e na redação oficial.

Regra de ouro para esta questão: Sinônimo é a palavra que possui sentido igual ou muito próximo ao de outra dentro de determinado contexto. Segundo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), a escolha de sinônimos deve respeitar o sentido preciso do texto e o contexto de uso para evitar deslocamentos semânticos.

Análise da alternativa correta:

D) perdoados (correta): “Perpetrados” significa cometidos, praticados, consumados, geralmente relacionado a atos ilícitos ou condenáveis (“perpetrar um crime”). Já “perdoados” traz o sentido de ser absolvido, relevado de culpa, ou seja, trata-se de alguém que recebe perdão pelo feito, e não daquele que executa o ato. Assim, os sentidos são opostos, não havendo sinonímia. Norma-padrão e dicionários confirmam essa distinção.

Análise das alternativas incorretas:

A) praticados: Sinônimo direto de “perpetrados”; ambos sugerem execução de uma ação.
B) cometidos: Também sinônimo, especialmente em contexto jurídico ou criminal (“cometer um crime”).
C) incorridos: Embora menos frequente, pode ser sinônimo, pois “incorrer em” uma falta ou crime implica que o ato foi praticado.
E) consumados: Sinônimo em contextos em que o ato foi levado a efeito, concluído, o que se aplica aqui.

Estratégias para provas:

• Atente-se a alternativas que parecem opostas: “perdoar” e “perpetrar” estão em polaridades semânticas diferentes.
• Busque o contexto do uso: “assassinatos perpetrados” claramente aponta para o ato cometido, não para quem foi desculpado.
• Leia todas as alternativas e relacione seus significados ao contexto imediato do texto.

Resumo normativo: Para Celso Cunha e Lindley Cintra, “sinônimo não é o que significa absolutamente o mesmo, mas o que mantém equivalência no contexto.”, reforçando a atenção ao uso preciso nos enunciados.

Conclusão: Nesta questão, só “perdoados” não é sinônimo de “perpetrados”. Dominar semântica é essencial na rotina do jornalista e nas provas de concurso.
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