A epifisiólise do quadril é uma afecção caracterizada pelo ...
Gabarito comentado
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Tema central: Epifisiólise do quadril (SCFE) é o escorregamento do colo/metáfise femoral em relação à epífise, que permanece no acetábulo. Ocorre por enfraquecimento e alargamento da fise na camada hipertrófica, zona mais vulnerável ao cisalhamento na adolescência.
Alternativa correta: C – Camada hipertrófica, com escorregamento anterior do colo femoral em relação à epífise. Na prática, descrevemos o deslizamento como posteroinferior da epífise; porém, em vista radiográfica, é equivalente dizer que o colo desloca-se anteriormente em relação à epífise. A camada hipertrófica é a mais frágil porque as células aumentadas e com matriz menos mineralizada reduzem a resistência ao estresse de cisalhamento do crescimento puberal e do aumento de carga (obesidade). Evidência clássica em ortopedia pediátrica corrobora esse local de falha.
Por que as demais estão incorretas?
A – “Germinativa + anterior”: a zona germinativa (reservas/proliferativa) é responsável pela mitose e não é o ponto típico de falha na SCFE. Direção do colo está correta, mas a camada está errada.
B – “Germinativa + posterior”: erra a camada e também a direção do deslocamento do colo. O colo não vai para trás; quem “vai para trás” é a epífise na descrição clássica, o que equivale ao colo ir para frente.
D – “Hipertrófica + posterior”: acerta a camada, mas erra a direção do colo. Na SCFE, o colo desloca-se anteriormente em relação à epífise que fica no acetábulo.
E – “Basal + anterior”: não existe “camada basal” como local de falha na nomenclatura da placa fisária; a vulnerabilidade é da hipertrófica.
Fisiopatologia essencial para a prova: durante o estirão puberal, há aumento do estresse de cisalhamento sobre a fise. A camada hipertrófica se alarga e enfraquece, permitindo o deslizamento. Fatores de risco: obesidade, hipogonadismo, hipotireoidismo.
Dicas rápidas (interpretação e clínica):
- Pense em adolescente com dor no quadril/joelho, claudicação, rotação externa do membro e sinal de Drehmann (rotação externa à flexão).
- Radiografia AP e perfil em rã: alargamento da fise, perda da linha de Klein.
- Conduta: fixação in situ com um parafuso e descarga protegida (evitar manipulação excessiva).
Pegadinha da questão: a direção pode confundir. Lembre: a epífise parece posterior em relação ao colo; portanto, é correto dizer que o colo vai para frente em relação à epífise (como na alternativa C).
Referências: UpToDate – Slipped capital femoral epiphysis; Lovell & Winter’s Pediatric Orthopaedics; Rockwood & Wilkins’ Fractures in Children; AAOS OrthoInfo.
Gabarito: C
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