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Q3222240 Medicina
A técnica de Matti Russe é utilizada para o tratamento de qual osso?
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Alternativa correta: C — Escafóide

Tema central: a técnica de Matti-Russe é um método clássico de enxertia óssea não vascularizada para tratar pseudartrose do escafóide (especialmente no istmo/“waist”) quando não há deformidade importante (“humpback”) nem sinais de necrose avascular do polo proximal.

Justificativa da correta (Escafóide): a vascularização retrógrada do escafóide (artéria radial) torna frequentes a não consolidação e a necrose do polo proximal. A técnica de Matti-Russe consiste em abordagem volar, curetagem da pseudartrose e enxerto cortic esponjoso em “inlay” (geralmente da crista ilíaca) dentro do canal do escafóide, com ou sem fixação por parafuso compressivo (ex.: Herbert). Indicações típicas: pseudartroses estáveis, sem colapso carpal. Referências: Green’s Operative Hand Surgery; UpToDate; AO Surgery Reference.

Como pensar na prova: viu “Matti-Russe” → associe imediatamente a pseudartrose do escafóide. Se houver “humpback”/DISI ou necrose do polo proximal, preferem-se enxertos estruturais (Fisk-Fernández) ou vascularizados (1,2 ICSRA – Zaidemberg).

Análise das incorretas:

A — Talus: fraturas do colo do tálus seguem classificação de Hawkins; manejo costuma ser redução e fixação interna. Técnicas clássicas incluem artrodese tipo Blair em casos selecionados, não Matti-Russe.

B — Calcâneo: fraturas intra-articulares (Sanders) tratadas com ORIF/osteotomia ou artrodese subtalar em sequelas. Enxertia pode ser usada, mas a técnica de Matti-Russe não é aplicada ao calcâneo.

D — Fíbula: fraturas maleolares/fíbula proximal tratadas com placa/parafusos conforme estabilidade do tornozelo. Não há uso de Matti-Russe.

E — Olecrano: padrão clássico é tension band wiring ou placa bloqueada. Enxertos são exceção; Matti-Russe não se aplica.

Clínica e diagnóstico do escafóide (revisão rápida): dor à palpação na tabaqueira anatômica; radiografias com incidência específica do escafóide; TC para avaliar consolidação/alinhamento e RM para necrose do polo proximal. Diretrizes e condutas alinhadas com Rockwood & Green’s e UpToDate.

Pegadinha: não confundir Matti-Russe (enxerto inlay não vascularizado para escafóide) com enxertos vascularizados do escafóide (1,2 ICSRA) ou com técnicas de outras regiões (Blair no tálus).

Dica de memorização: “Russe resgata o escafóide” → Russe = escafóide, pseudartrose sem AVN/sem colapso.

Resposta: C — Escafóide.

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