No trecho: “E como ela não crescesse mais, os homens a arran...
TEXTO 2
A árvore que pensava
Houve uma árvore que pensava. E pensava muito. Um dia transpuseram-na para a praça no centro da cidade. Fez-lhe bem a deferência. Ela entusiasmou-se, cresceu, agigantou-se.
Aí vieram os homens e podaram seus galhos. A árvore estranhou o fato e corrigiu seu crescimento, pensando estar na direção de seus galhos a causa da insatisfação dos homens. Mas quando ela novamente se agigantou os homens voltaram e novamente amputaram seus galhos.
A árvore queria satisfazer os homens por julgá-los seus benfeitores, e parou de crescer. E como ela não crescesse mais, os homens a arrancaram da praça e colocaram outra em seu lugar.
Oswaldo França Jr. As laranjas iguais. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996, p. 17.
No trecho: “E como ela não crescesse mais, os homens a arrancaram da praça e colocaram outra em seu lugar” (3º parágrafo), o segmento sublinhado expressa um sentido de:
Gabarito comentado
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Comentário da questão – Tema central:
A questão trata de interpretação de texto e do emprego de conjunções subordinativas, especialmente a identificação do valor semântico da oração introduzida por "como" no trecho “E como ela não crescesse mais, os homens a arrancaram da praça e colocaram outra em seu lugar.”
Regra/Conceito fundamental:
Pela norma-padrão da Língua Portuguesa, a palavra "como" pode ter valor de comparação, conformidade ou causalidade, dependendo do contexto. Nas palavras de Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa):
“As conjunções subordinativas causais (como, porque, já que, visto que, etc.) conectam uma oração subordinada que expressa a causa do que é afirmado na oração principal.”
No trecho analisado, a oração “como ela não crescesse mais” antecipa a explicação da causa de a árvore ser arrancada. Poderíamos substituir “como” por “porque” sem prejuízo de sentido: “Porque ela não crescesse mais, os homens a arrancaram...” O valor é claramente causal.
Análise das alternativas:
A) Comparação: Incorreto. Não há comparação de elementos. O “como” comparativo teria sentido em frases como “Agiu como um líder.”
B) Finalidade: Incorreto. A finalidade indicaria “para que”, “a fim de que”, mostrando um objetivo. Não há intenção/projeto explícito no período.
C) Causalidade: CERTA. O “como” explica o motivo para a retirada da árvore, ou seja, mostra a causa do evento principal.
D) Condição: Incorreto. Condição indicaria hipótese, geralmente com “se”, “caso”. Aqui, a frase é factual e não hipotética.
E) Adição: Incorreto. Aditivos incluem “e”, “nem”, para juntar ideias. Aqui, não há soma, mas explicação.
Dica para provas:
Sempre verifique se o “como” introduz uma explicação, comparação ou conformidade observando seu contexto. Se puder ser trocado por “porque”, é causal. Isso evita pegadinhas típicas de provas!
Portanto, a alternativa correta é: C) Causalidade.
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