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Q3363936 Português

TEXTO III


Amar


Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto eu, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o amar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.



(Carlos Drummond de Andrade)


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Alternativas

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Comentário sobre a questão – Tema central:

A questão avalia interpretação de texto, exigindo atenção à coerência textual e à identificação dos sentidos implícitos no poema “Amar”, de Carlos Drummond de Andrade. Para responder corretamente, é fundamental interpretar não apenas o sentido literal, mas a ideia essencial do poema.

Justificativa da alternativa correta (A):

A alternativa A (“há uma confirmação de amar mesmo na falta de amor”) está correta. O poema trabalha com a ideia de que amar é uma ação contínua, independentemente das circunstâncias ou da ausência do próprio sentimento. Isso aparece, de modo claro, no verso: “Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita...”. Drummond mostra que, mesmo em meio à “falta de amor”, persiste o impulso de amar – até a sede é um modo de perseguir a água, assim como a ausência é ponte para o desejo amoroso.

Segundo Bechara, a coerência e o contexto são fundamentais na interpretação literária. Aqui, ao analisar a estrutura do poema, percebe-se que o tema central é a insistência do amor, mesmo em situações adversas.

Análise das alternativas incorretas:

B) “amar é só um deserto de sofrimentos”: Incorreta. O texto explora dificuldades (“coisas pérfidas ou nulas”), mas não reduz o amor apenas ao sofrimento.

C) “o amor é inatingível mesmo amando por um momento”: Incorreta. Em nenhum momento o eu lírico declara o amor como inatingível, mas sim como algo que persiste e se busca, inclusive nas perdas.

D) “o amor nada mais é do que a dualidade do deserto e do mar”: Incorreta. O poema usa imagens de contraste (ex: “palmas do deserto”, “brisa marinha”), mas não reduz o amor apenas a essa dualidade.

E) “o amor anula as escolhas da vida”: Incorreta. Não há indicação de que o amor impeça escolhas; o foco é a persistência do sentimento, não a restrição de opções.

Estratégias e dicas:

Ao resolver questões dessa natureza, busque palavras-chave que indiquem o posicionamento do autor. Evite se deixar levar por uma impressão superficial ou por interpretações distorcidas das imagens poéticas. Lembre-se de que exageros, generalizações e reducionismos (como nas alternativas B, C, D e E) costumam ser “pegadinhas” em provas.

Referências: Bechara, Evanildo – Moderna Gramática Portuguesa (semântica e coerência textual); Cunha & Cintra – Nova Gramática do Português Contemporâneo; Manual de Redação da Presidência da República (interpretação coesa e objetiva).

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. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

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Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. última linha(A)

#PCES

Na passagem destacada é possível inferir o gabarito como alternativa A.

Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

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