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Q3363925 Português
TEXTO I

Explicar não é justificar


Os gregos e os romanos aceitavam a escravidão porque não imaginavam que uma sociedade pudesse funcionar sem escravos. Como o filósofo Sêneca, insistiam apenas em que se reconhecessem alguns direitos aos escravos: que fosse, por exemplo, proibido utilizá-los com finalidades sexuais. Estamos na mesma posição quando se trata da pobreza. Estamos convencidos de que uma sociedade justa deve procurar erradicá-la. Mas, como não conseguimos conceber os meios que permitem atingir esse objetivo, aceitamos que uma sociedade comporte grandes bolsões de pobreza. Em contrapartida, não hesitamos em condenar a prática da escravidão.


(Raymond Boudon, O relativismo. Trad. de Edson Bini. São Paulo: Loyola, 2010. p. 41)
Considerando as diretrizes da gramática normativa, faz sentido o seguinte comentário: 
Alternativas

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TEMA CENTRAL: Pontuação, uso de conjunções adversativas e interpretação textual.

Alternativa correta: E) “Mas, como não conseguimos conceber os meios...”. (“Mas” pode ser substituído por “Porém”)

Justificativa completa:

No contexto do texto, "Mas" introduz um argumento de oposição à ideia anterior. Pela gramática normativa (vide Bechara e Cunha & Cintra), “mas” e “porém” são conjunções adversativas. Ambas podem iniciar oração ou frase adversativa, sendo possível substituir uma pela outra sem prejuízo gramatical ou de sentido:

Mas, como não conseguimos conceber os meios...Porém, como não conseguimos conceber os meios...

Está de acordo com a norma-padrão e com manuais de redação oficiais, como o Manual da Presidência da República, que recomendam precisão e clareza no uso dessas conjunções.

Análise das alternativas incorretas:

A) Diz que o verbo “aceitavam” concorda só com “romanos”. Erro! O sujeito é composto (“gregos e romanos”). O verbo deve ir ao plural, concordando com ambos, conforme regra clássica (Bechara, §95): “Os funcionários e os servidores chegaram.”

B) Afirma que as vírgulas de “por exemplo” podem ser suprimidas. Incorreto. “Por exemplo” é expressão intercalada, que exige isolamento por vírgulas para manter a clareza (Cunha & Cintra). Retirá-las prejudica a organização do período.

C) Sugere que os dois-pontos introduzem fala. Falso. Aqui, dois-pontos introduzem exemplificação/desdobramento da ideia anterior (“alguns direitos aos escravos: que fosse...”). Não há transcrição de fala, mas explicação dos “direitos”.

D) Indica que “utilizá-los” se refere a “direitos”. Errado. O pronome oblíquo “-los” retoma “os escravos”, pois refere-se ao ato de utilizar os escravos com fim sexual, como deixa claro o contexto.

DICA DE PROVA: Preste atenção às funções dos pronomes e conjunções. Trocas entre conjunções adversativas (“mas”, “porém”, “contudo”) costumam aparecer em provas, especialmente quando não alteram o sentido do texto.

Para reforçar: consulte gramáticas reconhecidas (Bechara; Cunha & Cintra) sempre que tiver dúvida sobre concordância, uso de vírgulas ou substituição de conectores.

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GABARITO LETRA E

"Mas" e "Porém" são conjunções coordenativas adversativas. Ambas expressam uma ideia de oposição ou contraste. No contexto da frase, "Porém" cumpre a mesma função semântica e sintática de "Mas".

LETRA A - ERRADA. O sujeito é composto ("Os gregos e os romanos"). Quando o sujeito composto vem antes do verbo, a regra geral da concordância verbal é que o verbo vá para o plural. "Aceitavam" está no plural, concordando com "Os gregos e os romanos". Não concorda apenas com "romanos".

LETRA B- ERRADA. A expressão "por exemplo" é um adjunto adverbial de valor explicativo/exemplificativo. Quando essas expressões são intercaladas na frase, elas são isoladas por vírgulas. A supressão das vírgulas alteraria a clareza e a pausa natural da leitura. As vírgulas são gramaticalmente necessárias para isolar a expressão intercalada.

LETRA C - ERRADA. Os dois pontos podem, de fato, introduzir uma fala. No entanto, eles também são usados para introduzir uma enumeração, uma explicação, uma consequência, ou uma explicitação do que foi dito anteriormente. No trecho "alguns direitos aos escravos: que fosse, por exemplo, proibido utilizá-los com finalidades sexuais", os dois pontos estão introduzindo uma explicação ou exemplificação dos direitos que deveriam ser reconhecidos aos escravos, e não uma fala direta de alguém.

LETRA D - ERRADA. O pronome "os" (em "utilizá-los") retoma o termo que seria utilizado. A frase completa é "que fosse, por exemplo, proibido utilizá-los com finalidades sexuais." O "los" refere-se a "escravos", que são quem seria utilizado, não "direitos".

"Poder, pode..."

Mas" e "Porém" são conjunções coordenativas adversativas. Ambas expressam uma ideia de oposição ou contraste. No contexto da frase, "Porém" cumpre a mesma função semântica e sintática de "Mas".

Exemplos comuns incluem "mas", "porém", "contudo", "todavia", "entretanto" e "no entanto".

CONJUNÇÕES COORDENATIVAS: E.C.A3

ADITIVAS: Sentido de adição. Pode ser no sentido positivo ou negativo.

Ex: E, nem, não só, mas também, como também, bem como, ademais, como ainda.

ADVERSATIVA: Contrariedade/Oposição/Contraste. Ex: Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, senão

Não se utiliza a conjunção “mas” deslocada, ela sempre estará no início de uma das orações. Ex: Eu vou, no entanto, ir embora. O no entanto não poderia ser trocado por “mas”.

ALTERNATIVAS: Alternância ou escolhas. Ex: Ou, ora, quer...quer, talvez..talvez, Quer... Quer, Seja...Seja.

Obs: Na maioria das vezes virá com palavras iguais repetidas e distribuídas na frase

CONCLUSIVAS: Conclusão ou Consequência: Ex: Logo, portanto, por conseguinte, destarte, então, por isso, assim, dessa forma, Pois (depois do verbo e entre vírgulas).

Ex: Como o almoço já está pronto, podemos, pois, começar a comer.

EXPLICATIVAS: Justificam, explicam. Ex: Que, porque, porquanto, já que, visto que, pois (antes do verbo)

Ex: Venha para dentro, pois vai começar a chover.

Obs: P.A.V.E: Pois antes do verbo é explicativo.

PC ES 2025

"Mas" conjunção adversativa.

porém, entretanto, todavia, no entanto, etc...

PCES

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