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Q209367 Português

Atenção:     As questões de números 8 a 15 referem-se ao texto seguinte.

Vivemos na muito alardeada Era da Informação. Por cortesia da internet, temos a impressão de ter acesso imediato a tudo que alguém poderia querer saber. Certamente somos mais bem informados em história, ao menos quantitativamente. Há trilhões e trilhões de bytes circulando no éter – tudo para ser colhido e ser objeto de pensamento.

E é precisamente esta a questão. No passado, nós colhíamos informações não só para saber as coisas. Isso era apenas o começo. Nós também colhíamos informações para convertê-las em alguma coisa maior que fatos e, em última análise, mais útil: em ideias que explicavam as informações. Buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente compreendê-lo, que é a função primordial das ideias. Grandes ideias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.

Karl Marx chamou a atenção para a relação entre meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida contemporânea. Essas ideias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder às grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.

Mas se a informação foi um dia um alimento de ideias, na última década ela se tornou sua concorrente. Preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato. Ele nos mantém "por dentro", nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo. As ideias são tão etéreas, tão pouco práticas, trabalho demais para recompensa de menos. Poucos falam ideias. Todos falam informação, geralmente informação pessoal.

[Neal Gabler (The New York Times, trad. de Celso M. Paciornik), A22, Internacional. O Estado de S. Paulo, 21 de agosto de 2011, com adaptações] 

No texto, o autor
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a oposição semântica e argumentativa entre informação/fatos e ideias/compreensão. O trecho obrigatório — “Nós também colhíamos informações para convertê-las em alguma coisa maior que fatos e, em última análise, mais útil: em ideias que explicavam as informações. Buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente compreendê-lo” — mostra que a informação é ponto de partida, enquanto as ideias têm função explicativa e de compreensão, o que sustenta a alternativa correta.

Tema central: informação e ideias
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por tomar a constatação inicial sobre a facilidade de acesso à informação como se fosse a conclusão do autor. O texto reconhece a abundância informacional, mas a tese é crítica: esse excesso não garante compreensão nem produção de ideias. Há quebra de coerência global com o desenvolvimento argumentativo.
B
Errada
A alternativa introduz uma relação que o texto não estabelece. A internet aparece como contexto da Era da Informação, mas não como agente de influência sobre “o pensamento dos grandes teóricos da humanidade”. Marx, Freud, Einstein e McLuhan são citados como exemplos de ideias explicativas, não como alvos da disseminação informacional. Trata-se de inferência indevida e deslocamento de referência.
C
Errada
A alternativa exagera a crítica do texto. O autor afirma que a sociedade contemporânea prefere a informação imediata ao trabalho das ideias, mas não diz que desconhece “quase inteiramente os ensinamentos do passado”. Isso ultrapassa os limites da inferência permitida e transforma uma crítica relativa em afirmação quase absoluta.
D
Errada
A alternativa erra ao converter a crítica sociocultural do texto em condenação da tecnologia. O autor não condena os avanços tecnológicos em si nem formula a concessão expressa em “ainda que”. A crítica recai sobre o uso social da informação e sobre a preferência pelo valor imediato do conhecer, não sobre os meios eletrônicos como tais.
E
Certa
A alternativa E é correta porque retoma diretamente a distinção feita pelo autor entre fatos/informações e ideias. Ela corresponde ao contraste central do texto, em que as ideias aparecem como aquilo que explica e permite compreender o mundo.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a abertura do texto, que reconhece a abundância de informação, e a tese efetiva do autor, que critica o fato de a informação ter passado a concorrer com as ideias, em vez de alimentá-las.
Dica para questões semelhantes
  • Separe a constatação inicial do texto da conclusão argumentativa defendida pelo autor.
  • Quando o texto opõe dois termos, identifique qual deles recebe valor superior na argumentação.
  • Elimine alternativas que ampliem a crítica do texto para absolutos ou para alvos que ele não nomeia expressamente.
  • Em interpretação de tese central, dê prioridade aos trechos em que o autor define relações de sentido, como “fatos” versus “ideias” e “apreender” versus “compreender”.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Pessoal, gostaria de compartilhar com vocês minha experiência nesta questão, porque na verdade ela é bem interessante.

Na verdade eu errei quando a fiz. Descobri que o segredo dela é identificar com qual parágrafo do texto cada uma das alternativas se relaciona. Porque o objetivo do examinador é nos confundir quando fazemos uma leitura superficial, ou seja, o fato de uma alternativa estar errada nem sempre tem haver com o teor da informação ser falso, mas também pelo fato de aquela alternativa não se relacionar com o que foi pedido expressamente na questão. Vamos lá:

a) 
reconhece a atual facilidade com que as pessoas conseguem obter as mais diversas informações, concluindo pela real importância desse amplo conhecimento.

Esta alternativa se refere ao Primeiro Parágrafo, contudo observe que a palavra "impressão" dá um sentido conotativo no trecho em que o autor "ironiza" o fato do acesso às informações pelas pessoas ter aumentado, sem que o conhecimento profundo desses temas seja feito

b)
lamenta a influência das informações disseminadas pela internet no pensamento dos grandes teóricos da humanidade.

Esta alternativa é absurda, porque ela não se ralaciona a nenhuma ideia do texto

c) 
defende a tese de que, apesar do enorme afluxo de informações, a sociedade moderna desconhece quase inteiramente os ensinamentos do passado

Esta alternativa não pode ser assinalada devido a este trecho do 1º parágrafo: " (...) Certamente somos mais bem informados em história, ao menos quantitativamente(...)".


d) condena os avanços tecnológicos, ainda que os meios eletrônicos possam favorecer a difusão de ideias grandiosas por todo o mundo.

Observem que em nenhum momento do texto o autor condena os avanços tecnológicos, mas apenas ironiza o fato de o acesso às informações pelas pessoas ter aumentado sem o respectivo aprofundamento (1º parágrafo)

e) deixa clara a diferença entre o que se percebe apenas como fatos, muitas vezes sem maior relevância, e aquilo que se entende usualmente por ideias. (correta)

Quando vi a questão pela primeira vez achei que esta alternativa era errada pelo fato de ser muito abstrata, contudo percebam que o examinador, utilizando termos de apreensão difícil, quer dizer que o conhecimento dos fatos, sem relevância, equivale ao conhecimento vago, sem aprofundamento, enquanto que as ideias são tipos de conhecimento nas quais se buscam a origem e a razão das coisas.
Preciso acrescentar mais uma coisa pessoal. A localização da resposta na letra e está no  seguinte trecho do 2º parágrafo: " Nós colhíamos informações não só para saber coisas. Isso era apenas o começo . Nós também colhíamos informações em alguma coisa maior que fatos e, em última análise, mais útil: em ideias que explicavam as informações".
gabarito E!!

- A grande sacada da questão é observar que o autor faz um contraponto entre quantidade abundante de informação vs o comodismo de apenas colher informações sem converter em ideias.

**informação x ideias (sõ diferentes!!)
No texto o autor: critica a improfundidade da geração atual que se encontra numa posição preguiçosamente confortável no campo das "informações".

A diferença entre fato e idéia é apenas um ponto secundário do texto.

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